Hitman: Agente 47

Hitman: Agente 47, segunda tentativa de engrenar o videogame homônimo nas telonas, parece possuir os elementos para garantir um filme de ação divertido: locações fascinantes, cenários dinâmicos, uma bela fotografia, uma heroína supostamente complexa e um herói (em teoria) interessante. O que acontece, porém, é que o cineasta estreante Aleksander Bach não consegue fazer nada disso funcionar, entregando uma obra entediante e esquecível.

A introdução nos apresenta ao “Programa Agente”, que selecionou crianças promissoras e, através de engenharia genética, as transformou nos agentes perfeitos: criaturas com inteligência e reflexos incríveis e sem emoção, imunes ao medo, à traição e ao amor. Anos depois, um grupo conhecido como Sindicato quer reativar o programa e, para isso, está atrás de Litvenko (Ciarán Hinds), o gênio por trás do programa. A filha do cientista, Katia (Hannah Ware) também está atrás dele, e a jovem encontra um aliado no Agente 47 (Rupert Friend) quando os dois passam a ser perseguidos por um enviado do Sindicato (Zachary Quinto).

Katia percorre o mundo em busca de Litvenko, mas logo descobrimos que ela sequer sabe quem ele é ou qual sua relação com ele. O que exatamente, então, ela busca? Como ela descobriu a identidade de Litvenko e qual importância ela acredita que o cientista tenha em sua vida? Hitman: Agente 47 jamais se preocupa em responder essas perguntas e quando o longa lança algumas respostas, elas apenas se desdobram em mais questionamentos (a revelação de que dois personagens são parentes, por exemplo, não faz sentido algum). Da mesma forma, as misteriosas habilidades da jovem servem apenas às necessidades do roteiro.

A jovem tinha tudo para ser uma protagonista forte e multifacetada: sozinha e com capacidades desconhecidas desde criança, Katia utilizou sua inteligência para conseguir sobreviver por tanto tempo sem ser encontrada por seus inimigos, e tudo o que ela passou teve efeitos devastadores em sua mente, resultando em noites mal-dormidas e em um profundo medo de qualquer contato humano. O longa, porém, prefere mostrá-la enfraquecida, sempre à mercê das explicações e da ajuda dos homens ao seu redor, e Hannah Ware parece estar o tempo todo prestes a cair no choro. Além disso, Katia protagoniza duas cenas absolutamente sem sentido algum que não seja o de mostrar seu corpo, algo a que seus colegas de elenco masculinos jamais são sujeitados.

Hitman: Agente 47 Crítica

Por outro lado, eles estão igualmente presos em papéis com potencial desperdiçado: enquanto o personagem de Zachary Quinto poderia ter sido interpretado por qualquer pessoa e não exige esforço algum em seu pouco tempo de tela, o personagem-título percorre um arco interessante e complexo que o longa não quer perder tempo analisando. O Agente foi criado desde o nascimento para ser uma “máquina de matar” e a reprimir completamente sua humanidade, e o esforço para manter as emoções sob controle se torna aparente ao longo do filme. Aparentemente, o enorme conflito interno de 47 serve apenas para lançar frases de efeito clichês, e o filme não dá espaço para as motivações e objetivos do personagem.

Tudo isso faz com que o longa se torne um acompanhamento de uma jornada que não sabemos muito bem porque os protagonistas estão tomando. Assim, os dois nunca parecem realmente formar uma parceria, já que a dinâmica é inconstante e infundada, rendendo apenas um momento divertido quando as roupas casuais de Katia parecem complementar o uniforme oficial do Agente 47 durante a luta final.

Enquanto isso, o fato de ele ser praticamente indestrutível, aliadas à falta de dinamismo das coreografias, torna as sequências de ação arrastadas mesmo que contenham elementos visuais interessantes – durante o primeiro tiroteio, o diretor de fotografia Óttar Guðnason mantém o vermelho da gravata do Agente em destaque, criando um belo contraste especialmente quando ele se encontra mergulhado na escuridão. A fotografia também é talentosa ao retratar as belas locações do filme, especialmente pontos turísticos deslumbrantes de Singapura como o Gardens by the Bay.

Hitman: Agente 47 é, assim, um filme que não tem razão de existir: a série de games não é tão conhecida assim, a primeira tentativa de adaptação foi igualmente descartável, e este novo filme também durará pouco tempo na memória do público. Claramente tentando ser uma história de ação dinâmica e cool (para o espectador que busca isso, não perca De Volta ao Jogo), mas sem tomar os esforços necessários.


“Hitman: Agent 47” (Ale/EUA, 2015), escrito por Skip Woods e Michael Finch, dirigido por Aleksander Bach, com Rupert Friend, Ciaran Hinds, Zachary Quinto e Hannah Ware


Trailer – Hitman: Agente 47

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