Hércules

Hércules Filme

Três mil anos atrás o mundo já era mundo e uma das maiores civilizações da história dominava grande parte o “território conhecido” (por eles). Ao mesmo tempo, dentro de um sistema de crenças, enquantoHércules Poster veneravam um “Deus Supremo” chamado Zeus, contavam histórias de um de seus filhos com uma mortal, Hércules, que com a força de um Deus devolveu a paz ao mundo por meio de seus “12 Trabalhos”. Nascia ai um mito, no melhor sentido da palavra.

Corta. Passagem de tempo. Hoje.

Depois de delirar e se empolgar com Zeus e toda mitologia grega, assim como diversas outras histórias deliciosas e arquetípicas, o mundo se tornou um lugar chato e pragmático. Hercules, novo filme de Brett Rattner é um sinal disso. Disso e da ausência total de material novo com que Hollywood possa trabalhar.

Para variar, esse novo Hércules é a adaptação de uma série de quadrinhos, da Radical Comics, que ninguém deve ter lido, mas que, enfim, acabou servindo de ponto de partida para o filme estrelado por Dwayne Johnson (ex “The Rock”). O filme conta a história de (obviamente) Hércules e um grupo de companheiros de batalha que são “contratados” por um imperador qualquer para salvar seu reino da investida de um cara mal genérico.

Além da história tremendamente comum, o que mais salta ao olhos acaba mesmo sendo a opção de deixar de lado o misticismo, a mitologia e o inexplicável para contar uma história real. Ou em outras palavras: “chatificar” o mito.

Uma opção que Hollywood vem fazendo de uns tempos para cá e ainda não percebeu o quanto não dá certo (alguém lembra do fraco Troia?). E por mais que em Hércules isso até seja delimitado através do uso dessa própria mitologia para impressionar os inimigos e mover as multidões de modo motivacional, bem verdade a ideia do roteiro de Ryan Condal e Eva Spiliotopoulos não parece ser outra a não ser desmascarar o mito, trazê-lo para a realidade e só enfim voltar a isso no final das contas. Mas isso deixa óbvio demais o quanto a “mentira” é muito mais divertida.

Hércules Filme

Enquanto por alguns poucos minutos Hércules pode ser filho de Zeus, matar cobras ainda no berço e enfrentar hidras, o espectador vai ser presenteado com um ritmo interessante, um personagem cativante e uma boa parcela de diversão. E isso se mantém até algum momentos depois depois disso, enquanto aquilo pode ou não ser verdade, até que a cada segundo que passa não se faz nada para que isso se mantenha no foco, e o que resta é comum demais, com criancinha para “não decepcionar”, um problema do passado que volta para assombrá-lo e uma reviravolta que não empolga ninguém (já que seria o único jeito do filme não acabar 40 minutos depois de começar).

E por mais que Ratner se esforce para fazer um filme divertido (como sempre faz, ainda que minimamente falando), não só não impressiona nas batalhas (não tenta fazer nada de diferente, e para um público que já se acostumou com 300 e Senhor dos Anéis, apostar no normal é um tiro no pé), como não consegue fugir da comum e bobinha história do mercenário que precisa voltar a ser um herói para salvar o dia.

Uma história “só” sobre honra, quando ao invés disso poderia ser um épico mitológico de ação, divertido, cheio de criaturas mágicas e realmente o filho de Zeus descendo a mão em todas elas. Hércules então continua na busca de Hollywood pela consciência e por mostrar um mundo menos mágico do que ele era. Isso sem perceber que aquele velho ditado ainda é o mais correto: Quando a lenda ou o mito for melhor que a verdade, imprima a lenda.


“Hercules” (EUA, 2014), escrito por Ryan Condal e Evan Spiliotopoulos, Steve Moore (HQ), dirigido por Brett Ratner, com Dwayne Johnson, Ian McShane, John Hurt, Rufus Sewell, Aksel Hennie, Ingrid Bolso Berdal e Joseph Fiennes


Trailer do filme “Hércules”

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