Talvez você não saiba quem foi o grande explorador inglês Percy Fawcett. Por muito pouco, Brad Pitt não encarou seu bigode em Z – A Cidade Perdida, depois dele, quase Benedict Cumberbach ficou com o papel, por fim, o trabalho ficou nas mãos de Charlie Hnnam, mas o importa é que se o nome de um dos dois tivesse ficado no topo do pôster, talvez mais gente passasse a conhecer Percy Fawcett, o que não irá acontecer agora.

Não que Hunnam não defenda bem o personagem, mais conhecido por seu papel na série Sons Of Anarchy (e recentemente em “Rei Arthur”) e por estar na fila dos galãs que sussurram, nada o impede de até conseguir fazer um trabalho interessante. Mas Z – A Cidade Perdida tem tão pouco a oferecer que é difícil fazer qualquer coisa.

E podem colocar a culpa na conta do diretor e roteirista James Gray (do recente Era Uma Vez em Nova York e do interessante Os Donos da Noite), que simplesmente não consegue fazer a vida de um explorador inglês no meio da Amazônia ser minimamente interessante. E parte disso se dá por uma aparente total falta de paciência com essa aventura. E quando todo lado urbano do filme também não provoca nenhum interesse, a maior proeza de Z… é fazer o espectador permanecer interessado até o final óbvio e anticlimático.

O filme é dividido nesses dois momentos, floresta e Londres, tudo no período de algumas décadas onde Fawcett se torna um explorador e vai mapear a fronteira entre Brasil e Bolívia pelo meio da Floresta Amazônica. E já durante essa primeira viagem acaba desconfiando da existência de uma civilização desconhecida. Isso o torna tanto uma celebridade nas altas rodas britânicas, quanto um desacreditado, o que o move mais ainda em direção a essa obsessão por descobrir essa cidade.

Fawcett vai e volta para a Amazônia e em nenhum momento o espectador se empolga e fica minimamente interessado por nenhuma situação em qualquer um dos “mundos” onde pisa. Enquanto está sendo levado pelo Rio Verde faltam perigos, faltam reviravoltas surpresas e até um pouco de poesia. Falta Gray ter visto filmes como Apocalipse Now (Francis Ford Coppola), Fitzcarraldo ou Aguirre (Werner Herzog), que buscam certa poesia e insanidade dentro desse “deserto verde”.

Mas Gray nem tenta isso, o que é uma pena para o filme, principalmente por até ter essas oportunidades, mas preferir tirar loucuras, insanidades e obsessões do mais puro lugar nenhum. Em certo momento, o próprio Fawcett é acusado de “só pensar na cidade perdida”, mesmo que em nenhum momento anterior tenha apontado para isso. E quando na equipe de exploradores um ou outro fica maluco e lhe aponta uma arma, a grande surpresa é descobrir que aquele personagem existia.

Z - A Cidade Perdida Crítica

Z – Cidade Perdida é quadrado e anda de um lugar par a outro sem mostrar motivação para ser empurrado, o que o torna não somente lento, como episódico e repetitivo.

Se salva do desastre um surreal momento onde sua equipe parece entrar em um mundo onírico de ópera em meio a florestas, quebrando as expectativas e mostrando que poderia ter um material muito melhor em mãos, mas escolhe ignorar isso.

Quem se salva também é um Robert Pattinson escondido por trás de uma barba, mas apresentando um trabalho econômico e um personagem que consegue ser minimamente complexo, mesmo sem absolutamente nenhum desenvolvimento, o que talvez mostre um momento interessante da carreira do ex-vampiro Edward.

Lá pelos anos 70, quando estava prestes a começar as filmagens de Apocalipse Now, Francis Ford Coppola ligou para Roger Corman e perguntou se ele tinha alguma dica para filma na selva, Corman respondeu: “Não vá”. Quatro décadas depois, James Gray, antes de embarcar em Z – A Cidade Perdida, fez a mesma pergunta para Coppola, que respondeu: “Não vá”. E não devia ter ido, assim teria poupado todos desse desastre.


“The Lost City of Z” (EUA, 2016), escrito e dirigido por James Gray, com Charlien Hunnam, Robert Pattinson, Siena Miller, Tom Holland, Edward Ashley e Angus Macfadyen


Trailer – Z – A Cidade Perdida

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