Baseado no livro escrito por Jane Hawking, A Teoria de Tudo é uma obra inspirada na visão meiga e saudosista da ex-mulher do prestigiado físico inglês Stephen Hawking. Mergulhado em melodrama desde o início, o longa acaba sendo um misto de uma visão glorificada do famoso físico com sua triste história de amor – da qual já sabemos o fim.

É curioso que, apesar disso tudo, o longa seja incrivelmente envolvente e contagiante. A isso deve-se, sem dúvida, as performances magistrais de seus protagonistas, Eddie Redmayne e Felicity Jones. Sendo que o primeiro é, não por acaso, favorito ao Oscar deste ano. Somos capturados pelo casal desde sua primeira aparição em cena e a empatia que temos com a triste vida de Hawking leva-nos facilmente ao choro…múltiplas vezes…em sequência…(Obs: não esqueça o lenço antes de entrar na sala de cinema).

Para aqueles que nunca ouviram falar em Stephen Hawking, A Teoria de Tudo narra a vida do cientista desde a época de seu doutorado em Cambdrige quando descobre possuir uma distrofia neuromuscular (chamada de Esclerose Lateral Amiotrófica) – irreversível e incurável – até meados dos anos 80. Embora o longa se concentre na parte emocional da vida do físico (lembrem-se: ele é a vida de Hawking do ponto de vista de Jane), a obra não deixa de salientar o quão bem-sucedido e admirado ele é na área científica.

Evidentemente que este é um dos tropeços do filme, que trata toda a carreira dele como “um passeio no parque” e que Hawking é quase um “messias” dos cientistas. Aliás, esta é uma comparação acertadíssima, já que o longa aborda muito pouco as intrincadas teorias do professor Hawking e se detém muito mais à sua opinião sobre a existência – ou não – de um deus, retornando ao tema constantemente (novamente mais uma evidência de que a história é narrada por Jane e não pelo próprio Stephen).

Teoria de Tudo Crítica

Mas o longa também tem seus ótimos momentos. E, aliás, não são poucos. A tomada inicial com a transição de sua famosa cadeira de rodas para os tempos em que ainda andava de bicicleta é emocionante (ainda que meio piegas). Igualmente tocante é a cena onde Hawking tenta subir a escada de sua casa se arrastando, em um período em que ele já quase não conseguia mais se mover, enquanto seu filho pequeno, no topo da escada, engatinha para ver o que está acontecendo. Também contando a favor do filme está a belíssima trilha composta por Jóhann Jóhannsson, que combina em tom e intensidade com a emoção vinda da tela.

É triste, porém, que o terceiro ato seja tão “bonzinho”. A história de vida de Hawking é, de fato, linda, mas as reviravoltas vistas no ato final do longa parecem (?) querer proteger a todo custo seu casal de protagonistas, apresentando uma vida conjugal quase sem brigas (apesar dos evidentes complicadíssimos obstáculos causados pela doenças). E até erros de conduta de ambos passam meio que desapercebidos, pois o longa os vende como algo “inevitável” e que “tudo dá certo no final”. Exageros que ficam evidentes demais, tirando um pouco do impacto verossímil que o longa tinha até então.

Apesar dos solavancos e do filme propositadamente ir atrás de tirar lágrimas de seu público, o que funciona na obra, funciona tão muitíssimo bem e, assim, A Teoria de Tudo não deixa de ser uma experiência marcante tanto para aqueles que já eram admiradores do cientista inglês, como para aqueles que, pela primeira vez, ouvem falar sobre esta figura.


“The Theory of Everything” (EUA, 2014), escrito por Anthony McCarten, à partir do livro de Jane Hawkins, dirigido por James Marsh, com Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior e David Thewlis


Trailer – A Teoria de Tudo

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