Selma não é um filme biográfico: é um drama que, com meandros de ficção, conta um acontecimento histórico, pintando, assim, um retrato de seu protagonista e, sobretudo, da luta que ele travou até aSelma Poster sua morte.

O filme de Ava DuVernay conta a história da marcha de Selma a Montgomery, liderada por Martin Luther King (David Oyelowo), em protesto à intimidação sofrida pelos negros que desejavam votar. Apesar de a segregação ser proibida por lei federal, o direito ao voto era constantemente violado por cidades do sul dos Estados Unidos. Em Selma, Alabama, os funcionários responsáveis pelo registro de votantes negavam o voto aos negros sem nenhum motivo real.

O governador do Alabama (Tim Roth) não parece se importar muito, e o presidente (Tom Wilkinson), após uma já controversa lei anti segregação, não quer correr o risco de sujar as mãos novamente. Resta a Martin reunir o povo de Selma para atrair a atenção da mídia e dos Estados Unidos para o assunto.

Selma mostra um Martin Luther King cuja caracterização ultrapassa o ícone e chega no humano: em suas conversas com a esposa Coretta (Carmen Ejogo), com os amigos e nos momentos solitários, King questiona sua luta, inquieta-se com suas falhas e mostra seu “eu mundano”. David Oyelowo entrega uma performance que navega bem entre essas nuances, bem como nos momentos mais icônicos do ativista.

Selma Crítica

O filme de DuVernay tem uma de suas maiores qualidades exatamente no fato de retratar um ícone sem elevá-lo num pedestal, mas mostrando, além de sua dedicação à causa, seu lado falho. Da mesma maneira, Selma não é um filme perfeito. Há personagens demais e muitos deles são subaproveitados na trama, especialmente as mulheres. Carmen Ejogo interpreta Coretta de uma maneira forte, mas sua importância na história é diminuída, o que deixa o espectador com um sentimento de “quero mais” em relação à esposa de King. Amelia Boynton (Lorraine Toussaint) e Diane Nash (Tessa Thompson) são outras que poderiam ter seus momentos esticados – ambas as performances brilham nos seus poucos minutos de tela.

Selma termina forte, num tom esperançoso e triunfante, mas embalada por uma música que deixa claro: a luta ainda não terminou.


Selma” (EUA, 2014), escrito por Paul Webb, dirigido por Ava DuVernay, com David Oyelowo, Carmen Ejogo, Tom Wilkinson e Tim Roth.


Trailer – Selma

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