por Mariana González
12 de abril de 2018 |

Rampage: Destruição Total nasceu em 1986 como um videogame no qual o jogador controlava um gorila, um lobo e um lagarto gigantes e destruía cidades. Agora, Dwayne Johnson estrela a adaptação cinematográfica do jogo, que, apesar de ser tragicamente genérica e descartável na maior parte do tempo, consegue divertir justamente quando mantém-se centrado em seu trio de protagonistas originais.

Johnson vive Davis Okoye, primatologista em um refúgio para animais selvagens em San Diego. Ele é o principal responsável por George, um gorila albino esperto e bem-humorado. Quando uma pesquisa secreta encomendada por uma corporação maligna termina de forma desastrosa, George acaba se tornando um dos três animais infectados acidentalmente com uma fórmula que acelera o crescimento deles, torna-os mais fortes e mais inteligentes, além de mais uma série de efeitos imprevisíveis que vão sendo revelados ao longo da projeção (diversos personagens fazem questão de apontar o quão imprevisíveis e repentinos os efeitos podem ser, para que nenhum espectador tenha dúvidas de que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento!!).

Assim, enquanto Okoye e a Dra. Kate Caldwell (Naomie Harris) tentam proteger George tanto do exército quanto dos responsáveis pela pesquisa, Claire Wyden (Malin Akerman) e seu irmão Brett Wyden (Jake Lacy), eles ainda deparam-se com as versões “supersize” de um lobo e de um crocodilo.

Rampage estabelece com eficiência a amizade entre Okoye e George, mas sem deixar de compreender que animais selvagens são criaturas imprevisíveis e vulneráveis à ação do homem. Nesse sentido, o longa acerta ao colocar-nos explicitamente do lado das criaturas, mesmo quando eles estão destruindo tudo — o lobo ou o crocodilo só se tornam os vilões de fato quando o oponente deles é George e, entre os humanos, as mortes cruéis (e até mesmo em slow motion!) são reservadas para os antagonistas. Assim, é divertido ver o quanto a arrogância e autoconfiança do exército ao enfrentar o trio é imediatamente ridicularizada assim que os animais resolvem atacá-los, seja com uma simples patada ou mordida ou até mesmo pulando de um penhasco para abocanhar um helicóptero, como o lobo faz em sua primeira aparição.

Rampage Crítica

E, como o diretor Brad Peyton revela a aparência do lagartão apenas no terceiro ato, isso também torna-se fonte de expectativa, já que, ao contrário dos personagens, a plateia sabe que ele existe desde o início.

Mas se os animais dominam a cena, isso também acontece pela “sem-gracisse” dos personagens humanos. Johnson é dono de um carisma inegável, Harris é uma atriz talentosa e os dois apresentam uma química moderada; entretanto, os momentos emocionais da produção chegam a ser risíveis. Para começar, entre os quatro roteiristas (Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal e Adam Sztykiel), nenhum deles conseguiu pensar em uma forma melhor de estabelecer a personalidade pouco sociável de Okoye de uma maneira diálogos como “você gosta mais de animais do que de pessoas”, “por que você não confia nas pessoas?” ou, ainda mais diretamente, “você não é uma pessoa sociável”. É sempre um problema quando um filme precisa nos escancarar uma informação dessas em vez de simplesmente deixar o personagem existir para que possamos compreendê-lo.

Enquanto isso, Jeffrey Dean Morgan consegue fazer com que seu personagem seja um pouco (mas não muito) interessante ao transformar em charme a insistência do longa de apontar o tempo como que ele é sulista, além de divertir com a dinâmica que ele, um agente do governo, estabelece com Okoye e Caldwell. Por outro lado, os irmãos Wyden parecem vilões saídos de uma produção barata da década de 60 e seu tempo de tela jamais deixa de parecer um desperdício, já que o longa também não sabe muito bem o que fazer com eles. Com isso, Claire torna-se uma daquelas antagonistas que querem “destruir o mundo”, pois sequer parece entender seu objetivo com o experimento de edição genética que criou essa bagunça toda.

Exibindo efeitos visuais eficientes, Rampage tem seus melhores planos nos momentos em que os três animais aparecem juntos na cidade destruindo tudo, atacando seus oponentes ou escalando um arranha-céu para alcançar a torre da qual Claire emite um sinal de rádio para atraí-los até Chicago. Enquanto o lagarto e o lobo são totalmente digitais, George conta com a performance de Jason Liles por trás dos efeitos. Isso leva a alguns momentos verdadeiramente tocantes e eficazes quando o gorila demonstra um medo e uma confusão tocantes diante de suas ações, que, por serem efeito do experimento, ele próprio não reconhece ou compreende e que, conforme ele continua mudando, tornam-se cada vez mais estranhas para ele.

Assim, Rampage: Destruição Total cumpre o que se propõem, ou seja, ser um filme no qual possamos curtir três animais gigantes destruindo prédios, veículos e os humanos que querem derrubá-los. Há o suficiente disso para salvar a produção do desastre, mas este certamente seria um longa bem mais eficiente se não houvesse a necessidade de estabelecer “The Rock” como seu herói máximo.


“Rampage” (EUA, 2018), escrito por Ryan Engle, Carlton Cuse, Ryan J. Condal e Adam Sztykiel, dirigido por Brad Peyton, com Dwayne Johnson, Naomie Harris, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman, Jake Lacy, Joe Manganiello, Marley Shelton e Jason Liles.


Trailer – Rampage: Destruição Total

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Sobre o autor

Mariana González é jornalista e colaboradora do CinemAqui desde 2013. Além de escrever sobre cinema, tenta se aventurar atrás das câmeras. No Twitter, pode ser encontrada no @mariszalez.

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