Alguém aqui sabe o que quer dizer a palavra pixel? Bom, meu histórico em programação de computadores me permite conhecer este e outros termos nerds em detalhes, mas se você acha que irá obter seu significado assistindo ao novo filme de Adam Sandler assinado por Chris Columbus, não perca seu tempo. Porém, se você gosta de histórias simplistas que apesar de simplistas não se justificam, uma ou outra sequência de ação que não te fará temer pelos personagens, mas que em compensação é levemente divertida ou engraçadinha, e, por fim, um ou outro efeito visual que sob a ótica Transformers de enxergar a realidade é só o que importa nessa vida, Pixels é justamente o que você precisa… e aos megabytes.

Com um introdução e uma música empolgada estilo anos 80, Pixels conta a história de amigos de infância que jogavam fliperama depois da escola, entre eles Brenner (Anthony Ippolito, no futuro Adam Sandler), um garoto que consegue enxergar o padrão dos jogos eletrônicos e com isso bater os maiores recordes nas máquinas. Quando ele participa do primeiro campeonato de video-games em 1982, duas coisas acontecem: ele perde para o insuportável e magnético Eddie (Peter Dinklage, da série Game of Thrones) e a NASA aparentemente resolve enviar uma sonda para o espaço apenas com os vídeos do tal campeonato, já que o resultado anos depois, com todos já adultos, é uma invasão alienígena de versões monstruosas dos famosos arcades da época.

A despeito do entusiasmo natural de assistir a versões megalomaníacas do que eram apenas joguinhos de computador, é difícil se desvencilhar da ideia de que esses aliens parecem estúpidos na razão inversamente proporcional à sua tecnologia, já que nos presenteiam – e é esse o termo – com uma guerra em arcade 3D criada usando as regras dos jogos filmados e nos dão a chance de competir para ganhar a melhor de três. Vou repetir de outra forma para fazer “cair a ficha” novamente: recursos foram usados por uma raça alienígena para criar um sistema totalmente baseado em imagens capturadas de outro planeta de crianças jogando. E uma viagem interplanetária. OK, talvez eles não saibam que aquelas criaturas eram crianças, de qualquer forma.

Mas, convenhamos: este filme dilacerou toda a lógica que emprestou de um conceito fascinante nascido do engenhoso curta de Patrick Jean (nos créditos do roteiro) para mais uma fórmula batida dos filmes de Sandler e seus inúmeros amigos, que preenchem as vagas do resto do elenco. Pior: descartou completamente boas ideias no curta de dois minutos e aplicou um ou dois conceitos sobre pixelar objetos e pessoas. O resultado foi que os personagens já vieram pixelados de fábrica.

Pixels Crítica

Isso com certeza se aplica, por exemplo, a Kevin James, em que Sandler consegue transformar o Segurança de Shopping em presidente dos Estados Unidos (não que isso não seja engraçado, pelo menos nos primeiros quinze segundos, mas que depois acaba virando apenas a muleta do roteiro para explicar a facilidade de acesso dos heróis contra os brinquedos eletrônicos). De maneira similar, Josh Gad é engraçado apesar do roteiro que o coloca como um lunático colecionador de teorias conspiratórias e fonte de piadas gays, mesmo sendo apaixonado desde a infância por Lady Lisa, a heroína desprovida de roupas longas do jogo Dojo Quest. A exceção parece ficar por conta de Dinklage, que como de praxe diverte e se diverte. Isso sem contar que Michelle Monaghan está disposta a se especializar em rostinho bonito e par-romântico para todo filme.

O mais curioso, no entanto, é tentar conseguir entender em como uma ameaça ao planeta consegue divertir tanto essas pessoas, já que o fato de haver um ataque iminente e de vidas humanas estarem em risco não parece fazer a mínima diferença na história, e consequentemente em nós. Aliás, quem se importa com a lógica, já que o interesse amoroso de Sandler era sua cliente ocasional e coincidentemente também uma tenente-coronel que responde diretamente à Casa Branca?

Mas e os efeitos? Sim, eles são bons. Porém, vazios de significado, empalidecem, e por mais que vejamos a conexão entre Tetris e os andares de um prédio, ou Pac Man e as ruas de Nova Iorque (tão óbvio), não é possível entender a narrativa senão como um saudosismo esdrúxulo somado à necessidade de Sandler de encher o seu ego – e o de seus fãs – mais uma vez.

Talvez a maior virtude então não fosse nem os efeitos em si, mas a produção do filme em conseguir reunir tantas licenças de uso de personagens, mas nem isso parece bem aproveitado, pois na maioria das sequências não conseguimos sequer discernir quem é quem. Detona Ralph conseguiu a façanha de criar um jogo que nos faz lembrar dos clássicos, porém Pixels foi além, e conseguiu todos os clássicos e tirou deles os que os tornavam especial.


“Pixels” (EUA, 2015), escirto por Tim Herlihy e Timothy Dowling, dirigido por Chris Columbus, com Peter Dinklage, Michele Monaghan, Ashley Benson, Adam Sandler, Sean Bean, Kevin James e Josh Gad


Trailer – Pixels

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