Mulheres Alteradas | Adaptação das HQs argentinas explora bem suas possibilidades

Mulheres Alteradas FIlme

Lançados pela primeira vez na década de 90, os quadrinhos da argentina Maitena Burundarena logo conquistaram o público com a maneira irreverente de falar de problemas e situações comuns ao cotidiano de quase todas as mulheres. Agora, a adaptação paras as telonas Mulheres Alteradas explora a irreverência das obras originais até certo ponto, mas também se entrega a resoluções clichês. O resultado é um longa moderadamente divertido comandado por personagens pouco exploradas.

Keka (Deborah Secco) trabalha como assistente da celebrada advogada Marinati (Alessandra Negrini). Casada com Dudu (Sergio Guizé), Keka enfrenta uma crise no casamento que ela e o marido esperam solucionar com uma viagem para a praia. Marinati, workaholic e solteira convicta, acaba se apaixonando por Christian (Daniel Boaventura). Enquanto isso, uma amiga dela, Sônia (Monica Iozzi) está cansada da rotina de esposa e mãe e decide voltar a sair de noite para reavivar os tempos de solteira, enquanto sua irmã mais nova, Leandra (Maria Casadevall) cuida dos sobrinhos e tenta espantar um desejo súbito de largar a vida de baladeira para ser mãe.

Navegando bem pelas subtramas de cada personagem, o diretor Luis Pinheiro e o roteirista Caco Galhardo não forçam encontros forçados entre cada núcleo e, com auxílio da montagem eficiente de Ricardo Gonçalves, imprimem um ritmo dinâmico a Mulheres Alteradas. Ao mesmo tempo, o diretor de fotografia Will Etchebehere investe em cores vibrantes para capturar a irreverência e o tom divertido dos quadrinhos de Burundarena — ou melhor, ele faz isso em algumas cenas, já que a maior parte do longa é fotografada daquele jeito insosso e sem personalidade herdado da televisão.

Aliás, a única atriz do elenco que abraça o espírito que o longa tenta alcançar é Alessandra Negrini, claramente divertindo-se muito no papel de Marinati. Negrini transita com carisma e energia entre o lado duro, fechado e solitário da advogada com sua personalidade explosiva e intensa, o que resulta no momento mais divertido do longa quando Marinati, entre uma alegria maníaca e o mais profundo desespero, percebe que está mesmo apaixonada por Christian — e que precisa dar um fim no relacionamento e na paixão o quanto antes.

Mulheres Alteradas Crítica

Deborah Secco faz um trabalho eficaz ainda que tradicional, mas que limita-se à subtrama mais convencional do longa e que pouco explora a velha história da esposa que faz de tudo pelo casamento e do marido que não parece estar nem aí para nada. Com menos tempo de tela, Monica Iozzi e Maria Casadevall se saem bem principalmente nos poucos momentos que dividem juntas e nos quais estabelecem uma dinâmica natural como irmãs.

Com uma trilha sonora que contribui para o dinamismo da produção, Mulheres Alteradas acerta também em sua conclusão, que evita o final feliz para todo mundo e traz essas quatro mulheres em uma nova fase de suas vidas, sim, mas ainda carregando muitos dos conflitos e traços de personalidade que causaram toda a confusão vista anteriormente. Entretanto, não posso deixar de pensar em como um time de mulheres adaptando os quadrinhos argentinos provavelmente teriam feito um trabalho mais multifacetado e que explorasse mais a fundo o que há por trás da superfície dos assuntos abordados aqui.

Mesmo assim, o longa consegue divertir e a performance de Negrini merece ser conferida. Mulheres Alteradas é, pelo menos, uma produção bem-vinda por tentar trazer uma forma diferenciada de contar histórias sobre personagens femininas ao cinema nacional mainstream.


“Mulheres Alteradas” (Bra, 2018), escrito por Caco Galhardo a partir dos quadrinhos de Maitena Burundarena, dirigido por Luis Pinheiro, com Alessandra Negrini, Deborah Secco, Monica Iozzi, Maria Casadevall, Daniel Boaventura e Sergio Guizé.


Trailer – Mulheres Alteradas

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