Um desenho obcecado pela felicidade enquanto a beleza violenta joga qualquer otimismo para baixo. Histórias reais, uma sobre um policial infiltrado e outra sobre um espião que resolveu enfrentar seu próprio governo.Sem esquecer de um suspense brasileiro com cara de latino americano e vários representantes do cinema mundial.

Isso sem esquecer, é claro, do mercenário mais tagarela dos quadrinhos que invadiu o cinema e agora está fazendo barulho entre as grandes premiações do ano.

Sim, tudo isso só em 2016, um belo ano para quem gosta de um cinema diversificado e para todos os gostos. Confira então a lista de melhores filmes de 2016 do crítico Wanderley Caloni.

Trolls (“Trolls”, direção: Walt Dohrn e Mike Mitchell)

Trolls

Como pegar um fiapo de argumento, mais uma vez baseado em brinquedos dos anos 80, e transformá-lo em uma história previsível, mas que convence por sua mensagem de ode à felicidade de uma era. Trolls nos convida a rir dos clichês e a dançar ao som de outros tempos. Remixados, claro, mas que mantém a pureza no olhar de uma criança, crescida ou não.

Demônio de Neon (“The Neon Demon”, direção: Nicolas Winding Refn)

Demônio de Neon

Apesar de abordar o mundo das modelos femininas, e de discutir a objetivação da mulher com maestria estética, o trabalho de Nicolas Winding Refn universaliza o sofrimento dessas garotas, transformando o horror em uma espécie de beleza do sacrifício. Dessa forma, evita falar apenas sobre a mulher para trazer à tona a discussão de por que achamos o sacrifício por uma causa, qualquer que seja, algo bonito? CONFIRA A CRÍTICA

Conexão Escobar (“The Infiltrator”, direção: Brad Furman) 

Conexão Escobar

Entre os filmes de ação este é o que merece uma menção entre os melhores do ano, seja pela sua história bem conectada ou pela sua edição perfeccionista. Lembrando que a ação neste filme é muito mais ameaçadora quando não-vista, mas graças à performance intensa de Bryan Cranston, ganha contornos dramáticos em uma única cena em um restaurante que vale por todo o filme. CONFIRA A CRÍTICA

É Apenas o Fim do Mundo (“Juste la fin du Monde”, direção: Xavier Dolan)

É Apenas o Fim do Mundo

Xavier Dolan expõe novamente seu lado pessoal, e mais uma vez o universaliza, em um trabalho aparentemente simples, mas que exige mais empenho do que aparenta, ao manter a câmera em um ultrazoom perigoso, que beneficia interpretações ao mesmo tempo que nos distancia das pessoas através de palavras rancorosas que escancaram o quanto de ódio existe contra aqueles bem-sucedidos, principalmente se fazem parte da família. CONFIRA A CRÍTICA

Snowden: Herói ou Traidor (“Snowden”, direção: Oliver Stone)

Snowden

A versão ficcional necessária de Oliver Stone do vazamento de dados do governo norte-americano prenuncia a inevitável queda dos estados modernos. Através de um retrato grandioso e ao mesmo tempo intimista, Stone nos leva a questionar crenças inabaláveis no espírito americano, baseadas em um ufanismo que hoje é insustentável. A despeito de ser um ótimo drama/thriller, a grande questão que ele coloca é maior que ele mesmo: quanto tempo mais de internet o patriotismo se aguenta de pé? CONFIRA A CRÍTICA

Animais Fantásticos e Onde Habitam (“Fantastic Beasts and Where to Finde Them”, direção: David Yates) 

Anaimais fantásticos e Onde Habitam

Um filme que tinha tudo para ser “Marvelizado” possui um plot original, não usa seus predecessores como muleta afetiva, é original e ainda por cima tem um final satisfatório (e não um gancho para a próxima história). Uma lição a ser aprendida por todas as franquias atuais no cinema. CONFIRA A CRÍTICA

Deadpool (“Deadpool”, direção: Tim Miller) 

Deadpool

É necessário um pouco de boa vontade para inserir um filme da Marvel entre os melhores do ano, mas cá entre nós, a primeira metade do filme do super-herói irreverente e politicamente incorreto atinge alguns feitos históricos para a produtora: uma sequência de ação verdadeiramente ágil e divertida, brincadeiras metalinguísticas realmente bem boladas, e ensinar a todo fã da Marvel o nome da técnica cinematográfica de quebrar a quarta parede. CONFIRA A CRÍTICA

O Silêncio do Céu (“Era el Cielo”, direção: Marco Dutra) 

O Silêncio do Céu

O último trabalho de Marco Dutra consegue extrair o drama com requintes de terror. Ele consegue isso através de um dos sentimentos mais universais entre nós, seres humanos: o medo psicológico. E é através do psicológico que ele aborda uma história de trauma e redenção, muitas vezes sem as palavras necessárias para concluir o raciocínio. Isso porque o medo é algo de fato universal. E nesse filme ele pode ser sentido da maneira mais visceral possível desde a primeira cena. CONFIRA A CRÍTICA

A Economia do Amor (“L´économie du Couple”, direção: Joachim Lafosse) 

A Economia do Amor

O desmanche sistemático da união de duas pessoas em uma visão cínica, mas tristemente realista, dos efeitos da crise na Europa e as consequências da falta de dinheiro na mesa de uma família. Um trabalho de direção econômico e minimalista, que praticamente garante o convite ao espectador para a intimidade trágica dentro de uma casa prestes a desabar. CONFIRA A CRÍTICA

Sieranevada (“Sieranevada”, direção: Cristi Puiu)

Sieranevada

Um filme com narrativa ousada, que torna o espectador responsável por detectar a história, inserindo-o em uma reunião de família que não precisa de narradores oniscientes explicando, nem diálogos expositivos. Só precisa de duas coisas: a curiosidade humana como combustível e a câmera como os nossos olhos. CONFIRA A CRÍTICA

Se fosse TOP 13 ainda teria:

Sour Grapes (“Sour Grapes”, direção: Reuben Atlas e Jerry Rothwell)
Um documentário que estreou direto em streaming, mas que contém uma história fascinante, que consegue juntar uma crise econômica, a alta sociedade mundial e o sistema jurídico injusto norte-americano em um pequeno conto de pequenos causos que se unem em uma investigação que busca descobrir quem é uma pessoa, tão interessante por si só que o espectador nem precisa gostar tanto assim de vinho.

Como Ser Solteira (“How to be Single”, direção: Christian Ditter)
Há criatividade demais neste “ComRom” para ser deixado de lado. Ele é feminino sem as amarras sexistas, uma liberação sexual e afetiva da mulher em todas as suas fases e carreiras e que exibe a maldade humana como regras de aceitação em sociedade ou pensamentos retrógrados que tentam mandar nas vidas das pessoas. Ativo até o fim, defende a quebra dessas regras da maneira mais bem-humorada possível.

Loucas de Alegria (“La Pazza Gioia”, direção: Paolo Virzi)
Um filme italiano que consegue misturar trabalhos tão diferentes quanto O Beijo da Borboleta, O Lado Bom da Vida e Thelma & Louise, e ainda assim soar original, divertido, fascinante e emocionante. CONFIRA A CRÍTICA

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