por Mariana González
25 de janeiro de 2018

Com Maze Runner: A Cura Mortal, a trilogia chega ao final ainda sem saber o que quer dizer. Assim como as duas produções anteriores, a conclusão não chega a ser um desastre, mas é daqueles filmes que simplesmente não acrescentam em nada na vida do espectador. Personagens, temas, sequências de ação, conflitos pessoais, reviravoltas — é tudo… insípido. Portanto, o melhor que podemos a dizer sobre A Cura Mortal é que não precisaremos mais ver nenhuma história de Maze Runner nos cinemas.

Recaptulando rapidamente: no primeiro filme, Thomas (Dylan O’Brien) acordou em uma clareira com a lembrança apenas de seu nome; a clareira é cercada por um labirinto que reposiciona-se todos os dias (além de ser dominado por criaturas perigosas!). O protagonista e seus amigos eventualmente conseguem escapar (assim termina o primeiro longa) e, na produção seguinte, descobrem que o mundo tornou-se um cenário apocaliptíco com direito a muitos desertos, cidades aos pedaços e, é claro… seres humanos zumbificados por causa dos efeitos do vírus chamado de Fulgor. Ah, sim: Thomas e os demais garotos (e uma única garota, para que o jovem tenha por quem se apaixonar!) estavam presos porque são naturalmente imunes ao Fulgor, e o labirinto era um experimento desenvolvido pela empresa CRUEL (com um nome desses, como alguém pode confiar neles e achar que eles estão preocupados com os interesses da humanidade?), que está em busca de uma cura e, por isso, jogou um bando de garotos sem memória em um labirinto com o objetivo de… Nem eles parecem saber.

Três filmes, e ninguém se preocupou em perder tempo explicando exatamente o que eles buscavam alcançar com o experimento.

Aqui, vemos um dos jovens, Minho (Ki Hong Lee) sendo sujeitado a uma simulação em que, ao fugir de um monstro, o medo imenso que ele sente faz com que seu corpo comece a produzir uma quantidade incrível de anticorpos (???) — e, ao perceber isso, um cientista da CRUEL prontamente declara que esse experimento mostrou-se ainda mais bem-sucedido do que o labirinto. Ele deve ter se esquecido de que, no labirinto, ninguém nunca testou o sangue dos garotos.

Na verdade, será que alguém sabe de alguma coisa em A Cura Mortal? Vide a chamada Última Cidade, por exemplo, que serve de cenário para o terceiro ato e boa parte do segundo. A cidade conta com diversos arranha-céus, metrô e eletricidade abundante, enquanto os habitantes andam para lá e para cá apressados, vestidos com roupas formais e olhando para seus celulares, como em qualquer metrópole atual. Como é a rotina daquelas pessoas? Alguém ali trabalha fora da CRUEL? Como eles têm os recursos para os produtos e a eletricidade que consomem? Por que o diretor Wes Ball e o roteirista T.S. Nowlin não conseguem imprimir profundidade alguma ao fato de que a Última Cidade é literalmente cercada por um muro enorme que busca manter de fora as pessoas indesejadas, sendo que vivemos em uma sociedade em que muitos desejam que isso torne-se realidade?

Maze Runner: A Cura Mortal Crítica

E se você acha que é bobagem exigir algum nível de inteligência e complexidade em uma obra como Maze Runner, ora, basta perceber como outras franquias originadas em livros young adult conseguiram fazer isso perfeitamente bem — Harry Potter, é claro, além de Jogos Vorazes e até mesmo Divergente, que apesar de fraco, pelo menos sabia qual era o cerne de sua história. Aqui, Ball e Nowlin, baseando-se nos livros homônimos de James Dashner, tentam falar de heroísmo, lealdade e sacrífico, mas sem sucesso.

Grande parte disso deve-se ao fato de que Thomas parece estar sempre certo; eventualmente, algum personagem critica um pensamento ou ação dele, apenas para, mais tarde, tomar a mesma atitude por ter percebido que o protagonista, na verdade, tinha razão. Quando o garoto declara que pode ao menos tentar salvar todos, a força e a determinação são inexistentes na performance de Dylan O’Brien, fazendo com que Thomas jamais consiga se estabelecer como o líder inspirador que Maze Runner acredita que ele seja.

Enquanto isso, Kaya Scodelario tem nas mãos a personagem mais rasa da franquia, já que Teresa existe única e simplesmente em relação aos sentimentos que provoca em Thomas. Ela está de volta aos laboratórios da CRUEL, mas encontra-se em conflito sobre isso — qualquer arco dramático próprio encerra-se assim que Thomas descobre onde ela está, pois, a partir daí, Teresa volta a existir apenas para mover a história do garoto. Há apenas dois personagens minimamente interessantes em A Cura Mortal: Jorge (Giancarlo Esposito) e Brenda (Rosa Salazar); eles apareceram apenas no segundo filme, mas, se a franquia fosse centrada neles, certamente seria muito mais envolvente. Esposito tem pouco a fazer, mas a relação fraterna que constrói com Brenda é o único relacionamento que parece genuíno; Salazar, por sua vez, destaca-se por ser a única entre o elenco jovem a demonstrar carisma e talento.

Não há nada aqui que você não tenha visto (com mais qualidade) em outro lugar; os poucos elementos originais da franquia são piores ainda.Quando demonstrações de heroísmo parecem só ações vazias e explicações científicas apenas acentuam a falta de lógica do mundo de Maze Runner: A Cura Mortal, resta… o alívio por termos chegado ao final.


“Maze Runner: The Death Cure” (EUA, 2018), escrito por T.S. Nowlin a partir do livro de James Dashner, dirigido por Wes Ball, com Dylan O’Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario, Giancarlo Esposito, Rosa Salazar, Thomas Brodie-Sangster, Will Poulter, Dexter Darden, Jacob Lofland, Patricia Clarkson e Aiden Gillen.


Trailer – Maze Runner: A Cura Mortal

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Sobre o autor

Mariana González é jornalista e colaboradora do CinemAqui desde 2013. Além de escrever sobre cinema, tenta se aventurar atrás das câmeras. No Twitter, pode ser encontrada no @mariszalez.

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