Vinte e dois anos após Jurassic Park, o parque dos sonhos de John Hammond finalmente se tornou realidade, e o Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros atrai milhares de visitantes àJurassic World - O Mundo dos Dinossauros Poster Ilha Nublar todos os anos. Para os fãs da fantástica obra original, é difícil não se encantar acompanhando o local repleto de dinossauros – é uma pena, portanto, que a diversão seja diluída em meio a personagens pouco interessantes e dramas humanos descartáveis.

Para garantir o aumento na visitação e lucros cada vez maiores, o parque periodicamente investe em novas atrações – patrocinadas por empresas. O próximo espetáculo será um dinossauro criado em laboratório a partir do DNA de outras criaturas, o indominus rex. Antes mesmo de a nova atração ser anunciada, porém, o dinossauro escapa. Então, Claire (Bryce Dallas Howard) e o treinador de velociraptors Owen (Chris Pratt), precisam lutar pela sobrevivência enquanto tentam manter os dois sobrinhos dela, o pequeno Gray (Ty Simpkins) e o adolescente Zach (Nick Robinson), à salvo.

A direção de Colin Trevorrow deixa a ação compreensível, mas não traz nada de original ou mesmo particularmente memorável – isso fica por conta, claro, dos envolvidos na tal cena: dinossauros criados a partir de efeitos digitais excelentes e que jamais deixam de ser fascinantes. Assim, seja em um embalo grandioso entre duas criaturas ou apenas entre um tranquilo passeio em meio aos herbívoros, passando por uma área voltada às crianças repleta de adoráveis filhotes de diversas espécies, os animais encantam e deslumbram – e o espectador, assim, pode entender como resolveram realmente colocar o parque em funcionamento depois de tudo o que aconteceu nos três filmes anteriores.

A frase dita pelo Dr. Malcolm (Jeff Goldblum) no longa original, “a vida encontra um jeito”, continua encapsulando os temas centrais da obra. Owen, então, destaca diversas vezes a importância de lembrar que os dinossauros do parque são seres vivos com instintos e inteligência, não brinquedos de diversão e, como tais, o controle que os humanos podem exercer sobre eles é limitado. A falta de limite das experiências genéticas com o DNA dos dinossauros tenta criticar o consumismo e as grandes corporações capazes de tudo por dinheiro, mas Jurassic World acaba caindo em sua própria armadilha pois, obviamente, utiliza daqueles mesmos recursos – novos dinossauros, a conversão do filme em 3D – para atrair o público e lucrar.

O ponto fraco do longa, porém, é mesmo o roteiro assinado pelo diretor ao lado de Rick Jaffa, Amanda Silver e Derek Connolly. Enquanto a trama principal envolvendo o indominus funciona mesmo sendo limitada, as reviravoltas envolvendo a companhia são bobas e previsíveis, e o longa gasta tão pouco tempo naquele assunto que se tornam descartáveis. O mesmo também acontece com os dramas envolvendo os personagens: o divórcio eminente dos pais dos garotos, os preparativos para o casamento da assistente de Claire e uma conversa absurda sobre se Claire quer ou não ter filhos são tentativas irrisórias de inserir profundidade àquelas pessoas e de fazer o público tentar se importar com seus destinos. Só funcionam, porém, para fazer revirar os olhos. Mesmo a atração entre Owen e Claire tenta ganhar ares de romance épico quando os dois são fotografados na contraluz.

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Enquanto Claire e Owen são pessoas corajosas, inteligentes e que realmente trabalham bem em equipe – e são interpretados por atores carismáticos -, o tempo que o filme gasta com os garotos Gray e Zach se torna cada vez mais irritante ao longo da projeção – assim como a ideia de que Claire deveria simplesmente largar seu importante trabalho para passar tempo com aquelas crianças chatas. Zach paquerando outras visitantes do parque enquanto sente falta da namorada e a suposta geniosidade – jamais exibida – de Gray não consertam o fato de que ambos deveriam ser personagens que ficam ao fundo apenas existindo enquanto os adultos comandam a ação. Da mesma forma, é incompreensível que o roteiro tente fazer o público se importar com o casamento dos pais deles, sendo que não os vemos por mais de dois minutos em cena.

Por outro lado, o tema clássico de John Williams, a visão dos portões do Jurassic Park de Hammond e a visita a ambientes vistos no longa original aproveitam ao máximo a nostalgia e o fascínio causados até hoje pela obra memorável de Steven Spielberg. Juntando isso e outros elementos como a inteligência dos raptors e o T-Rex a efeitos especiais de primeira, Jurassic World é uma produção divertida e que agradará aos fãs do filme original – e mesmo seus defeitos são mais facilmente perdoáveis do que aqueles de O Mundo Perdido e Jurassic Park III.

O último take do longa, pelo menos, parece compreender a verdade de que, vendo Jurassic World e os filmes anteriores, a lealdade do espectador está, na maior parte do tempo, com os dinossauros – o que é particularmente forte considerando a pouca força da maioria dos personagens vistos aqui. Assim, de qualquer forma, esta nova adição à franquia de Spielberg traz vários elementos interessantes e prende o espectador durante a maior parte de suas duas horas de duração.


“Jurassic World” (EUA, 2015), escrito por Rick Jaffa, Amanda Silver, Colin Treverrow e Derel Connolly, dirigido por Colin Treverrow, com Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Orrfan Khan, Vincent D´Onofrio, Ty Simpkins, Nick Robinson, Judy Greer e Omar Sy.


Trailer – Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros

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Sobre o autor

Mariana González é jornalista e colaboradora do CinemAqui desde 2013. Além de escrever sobre cinema, tenta se aventurar atrás das câmeras. No Twitter, pode ser encontrada no @mariszalez.

Uma resposta

  1. MELHORES FILMES

    Pessoal veja o filme no [editado, afinal não vamos divulgar pirataria, né Sr. Melhores Filmes!]
    Qualidade impecavel!
    Pode confiar 🙂

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