Homem-Formiga e a Vespa | Fantástico, divertido, bem humorada … e quântico

Homem-Formiga e a Vespa Crítica

Homem-Formiga e a Vespa arruma os erros do primeiro e se torna uma aventura divertida e despretensiosa sem apelar para o ridículo ou a comédia fácil. Mas o humor existe, em sua melhor forma para filmes de ação: nos diálogos, e não na ação em si.

O roteiro (escrito a dez mãos, inclusive as dua do protagonista Paul Rudd) nunca tenta ser mais esperto do que pode, o que é uma pena, pois arriscar às vezes pode dar bons frutos para a Marvel. Mas ele é esperto o suficiente, e entende as características básicas de seus personagens. Dessa forma, é natural que quando o personagem de Rudd se encontra rodeado de cientistas falando “tecnês” ou ele se utilize do sarcasmo espirituoso que sua persona consegue dizer – ele conclui sempre que alguém fala algo de ciências com “foi o que eu imaginei’ – e ainda nos deixar na dúvida se ele está falando sério ou não. Um humor quântico, eu diria.

E por falar em quântico, aqui, diferente do primeiro, não precisamos nos preocupar com as gafes científicas do primeiro, pois basta colocarem “quântico” no final das suas teorias que tudo soa científico e mágico ao mesmo tempo, exatamente como eram as sci-fis antigonas que encolhiam e esticavam humanos e criaturas, e estava tudo bem.

A história segue uma linha de uma coisa puxa a outra, e consegue harmonizar perfeitamente com o universo Marvel. Mesclando duas histórias, o filme começa com Scott Lang/Homem-Formiga (Paul Rudd) em prisão domiciliar por ter violado algumas leis americanas ajudando o Capitão América em Guerra Civil, situação em que ele acaba melhorando sua relação com a filha, a adorável Cassie (Abby Ryder Fortson), enquanto divide a guarda com sua ex-mulher. No entanto, o tédio o sufoca quando fica sozinho, e no meio desses longos períodos onde Scott não tem nada para fazer, ele aprende truques de mágica e tem um sonho onde ele se vê como uma mulher que, sabemos pelo flashback inicial do filme, é a esposa do Dr. Hank Pym, desaparecida há três décadas no mundo quântico (claro).

Basta olhar para a figura do Dr. Hank Pym e sua filha com um nome estiloso, Hope Van Dyne (Evangeline Lilly com energia de sobra), e suas posturas diante de mais uma grande criação, o túnel quântico (claro), para percebermos uma certa referência e homenagem às figuras lendárias do passado e suas invenções fantásticas. O Dr. não é um cientista maluco como Doc. Brown, pois não está em uma comédia, nem é sério e obcecado como Duende Verde em Homem-Aranha, pois ele possui a cabeça no lugar. Se trata de um velhinho ranzinza interpretado por um Michael Douglas que não deseja ficar no caminho dos heróis do filme.

Pena que aqui os heróis, e todos os personagens, são inócuos. Estão de passagem pela história e servem à ação em vez de serem seus protagonistas. Há um vilão do mercado negro (Walton Goggins), uma vilã com uma tragédia em seu passado (uma interpretação muito interessante da atriz Hannah John-Kamen, que oscila suas expressões da mesma forma que a doença que possui) e junto dela um cientista gênio rival de Michael Douglas, o sempre sidekick Laurence Fishburne.

Do lado cômico há Paul Rudd fazendo Homem-Formiga e sua irreverência, seu amigo Luis (Michael Peña) e sua empresa de segurança beirando à falência (fato curioso: um de seus funcionários é um russo com a melhor side joke envolvendo uma bruxa de historietas para crianças). Ah, sim, há o FBI, como se faltassem obstáculos para os heróis.

Todas essas pessoas participam em maior ou menor grau da história, equilibrando a história sem criar grandes momentos, o que faz com que ela não dependa de grandes interpretações ou efeitos. Mas, como todo pseudo-sci-fi centrado na ação, o divertido do filme é observar como a tecnologia de encolher e esticar coisas é usado de inúmeras maneiras, como na inusitada maneira com que um prédio é transportado ou a coleção de carros no porta-miniaturas da Hot Wheels.

Dotado de diferentes atmosferas, note como a trilha sonora de Christophe Beck mapeia tudo isso, passando para o momento lúdico onde convenientemente a roupa do Homem-Formiga dá defeito e ele fica do tamanho de uma criança em plena escola da filha, ou admirando em êxtase um universo que se abre na escala microscópica, e que pelo uso de cores pode ser facilmente confundido com uma viagem de ácido. De ambas as formas, falta impulsividade, mas nunca competência.

Todos perseguem o Homem Formiga e seus companheiros nesta segunda aventura do herói que acerta seu tom entre o fantástico e o humor. Com isso, nos esquecemos facilmente que existem outros heróis no universo Marvel, não prejudicando nossa imersão nessa história local. E como é bom acompanhar uma história simples, sem vilões megalomaníacos tentando destruir uma cidade, um planeta ou um universo.

PS: Por falar nisso, há duas cenas pós-créditos. A primeira é logo após o encerramento e vale a espera. A segunda é por sua conta e risco.


“Ant-Man and the Wasp” (EUA, 2018), escrito por Chris McKenna, Erik Sommers, Paul Rudd, Andrew Barrer, Gabriel Ferrari, dirigido por Peyton Reed, com Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña, Michael Douglas, Laurence Fishburne e Michelle Pfeiffer.


Trailer – Homem-Formiga e a Vespa

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