Homem de Ferro 3 | Menos ferro e mais homem

Homem de Ferro 3

Sem ser um spoiler, ao final de Homem de Ferro 3 , pouco antes da já tradicional cena pós-crédito, o novo diretor Shane Black e sua equipe avisam que “Tony Stark estará de volta”, e isso é um alívio para os fãs, mais ainda até se a mensagem se referisse ao herói enlatado ao invés do “gênio, bilionário, playboy, filantropo”. Isso mesmo, depois de dois filmes tremendamente divertidos (e um Vingadores), mais do que nunca a estrela é o homem, não o ferro.

E, além disso, ser o reflexo direto da evolução do personagem, já que no primeiro virou a máquina e no segundo teve que enfrenta-la (quando caída na mão de um vilão), essa humanização é responsabilidade direta do nome escrito atrás da cadeira de diretor. Black, que entra no lugar de Favreau (que ainda aparece como Happy Hogan), está muito muito mais interessado na ironia desse herói, o mesmo que entre deuses nórdicos, monstros verdes e supersoldados, conseguiu, por si só, salvar a humanidade de uma invasão alienígena.

Mesmo sem ser refém de Os Vingadores, esse terceiro filme do Homem de Ferro é então a continuação direta do blockbuster do ano passado, não para o grupo de heróis, mas sim para Tony Stark. E o roteiro do próprio Shane Black (conhecido por ter escrito os filmes Máquina Mortífera) e Drew Pearce, não só parte desse princípio, como pode ser considerado a grande estrela do filme.

Nele, surge o Mandarin (Ben Kingsley em um trabalho impecável e cheio de surpresas), um terrorista perigoso que coloca o governo dos Estados Unidos em xeque com uma série de atentados à bomba e aparições na TV ameaçando a população. Alheio a tudo isso (já que o governo tem agora o Patriota de Ferro, versão pintada de azul, vermelho e branco da Máquina de Combate), Stark parece se afundar em uma empreitada para evoluir sua armadura, até que acaba entrando em rota de colisão com o vilão ao ver seu ex-guarda costas/melhor amigo, Happy Hogan ser pego no fogo cruzado.

Nesse emaranhado ainda surge um cientista (Guy Pierce) com uma tecnologia que promete revolucionar e transformar soldados em armas perfeitas por meio de uma espécie de “upgrade” no DNA deles, chamada Extremis. E também não é um spoiler que ele logo se torna um vilão e que esses soldados acabem sendo uma ameaça real tanto para o Homem de Ferro quanto para Tony Stark.

E ai talvez esteja um dos pilares de sustentação de Homem de Ferro 3: essa ameaça. Tanto os soldados “atualizados”, quanto Aldrich Killian (Pierce) e o Mandarin, colocam o herói em verdadeiro perigo, o que, imediatamente, cria mais ainda uma identificação com esse cara que parecia meio imbatível até agora (por mais que tenha tomados seus sopapos nos outros filmes). Mais do que nunca é fácil torcer por Tony Stark e, principalmente, entender o peso que essa armadura e suas decisões criaram em suas costas.

Homem de Ferro 3

Com isso em mente, Black tira Stark de dentro da armadura e o coloca em ação, tendo que se virar muito mais com seu cérebro do que com sua força bruta, o que, de modo extremamente preciso, acaba valorizando cada aparição do “Vingador Dourado” na tela. Situações que acabam sendo mais interessantes ainda pelo tratamento sensacional com que a WETA (empresa de efeitos especiais) cria cada uma dessas inserções (além do ótimo visual dos soldados Extremis).

Com Stark fora da armadura então é hora de Black fazer umas das coisas que faz melhor (prova disso é o divertido Beijos e Tiros, dirigido por ele): criar um filme leve e delicioso sem perder a adrenalina da ação. E nessa mistura, Homem de Ferro 3 é impecável. Muitas vezes como um thriller de espionagem e outras como um filme de ação tremendamente competente, mas tudo isso delineado por diálogos e situações que, mesmo perfeitamente encaixadas dentro da trama, sempre optam por um humor que permeia e assina o filme.

Do humor ácido de Stark até a surpreendente conclusão do Mandarin, passando por uma deliciosa sequencia onde o milionário contracena com o menino Ty Simpkins (de 72 Horas) e pela verborragia cheia de referências do vilão Killian, Homem de Ferro 3 não esconde uma veia humorística que lembra que, por mais que seja um filme de super-heróis que sempre primou pelo esforço em “ser real” (e que foi a pedra fundamental para o sucesso do personagem) sua grande estrela sempre foi o jeito despojado de Stark. Então por que não coloca-lo em um mundo em que ele não seja o único “espertinho” da sala.

Principalmente porque, por mais que não pareça, a estrela sempre foi mesmo o homem dentro daquela armadura, nesse caso armaduras, já que o público poderá se deliciar com um número enorme de modelos que vieram antes do Mack 42 (“estrela” principal), que funcionam perfeitamente bem sozinhas (como na incrível sequencia final e até em vários outros momentos), mas nunca terão o charme que Robert Downey Jr. emprestou para seu Tony Stark. Então, o melhor mesmo é esperar quando ele estiver de volta, já que isso sempre vai ser sinônimo de diversão.


“Iron Man 3” (EUA, 2013), escrito por Drew Pearce e Shane Black , dirigido por Shane Black , com Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Guy Pearce, Ben Kingsley e Don Cheadle


 

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