Em 2009, Jon Lucas e Scott Moore foram responsáveis pelo criativo e divertidíssimo Se Beber Não Case! (que acabou reciclado para duas sequências), agora, eles decidiram apenas diminuir a idade de seus personagens e trocar um casamento por um aniversário finalmente-18-posterde 21 anos (maioridade legal nos Estados Unidos). O resultado de Finalmente 18 é desastroso.

Miller (Miles Teller) e Casey (Skylar Astin) são dois amigos que resolvem fazer uma visita surpresa a um terceiro, Jeff Chang (Justin Chon), tudo com o intuito de levar o amigo de infância para sair na primeira noite em que ele pode ir a bares e beber legalmente. No dia seguinte, porém, Jeff tem uma importante entrevista para entrar na faculdade de medicina. Os planos de uma noite comportada, porém logo desandam.

A trama “adolescentes curtem uma noitada épica” já esteve nas telas recentemente em Projeto X, com um roteiro fraquíssimo, mas, pelo menos, era embalado por uma ótima trilha sonora e não abusava de piadas ofensivas. Já Finalmente 18 não tem nada que o redima.

Jeff Chang é o epítome do estereótipo do estudante asiático: aluno nota 10, certinho, futuro médico e pressionado pelo pai (que é, aliás, tratado pelo filme como um vilão de filme de kung fu). Sempre chamado pelos amigos pelo nome completo, ele passa a maior parte dos 90 minutos de longa desmaiado ou intoxicado. Quem age, mesmo, são Miller e Casey, o primeiro tentando ser engraçado o tempo todo (sem sucesso) e o outro tentando ser “cérebro” do trio, mas acaba conseguindo apenas ser um personagem entediante em uma performance totalmente sem carisma de Astin (que, curiosamente, até havia se saído bem em A Escolha Perfeita).

E isso tudo não acaba por ai. Quando chegam na casa de Jeff, os amigos se referem a ele como “pequeno filho da mãe amarelo”, assim como quando um homem passa a noite dançando drogado e usando um cocar acaba sendo chamado de “pajé”. Assim como inúmeras culturas estrangeiras são alvo de comentários ignorantes.

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Já as mulheres também não ganham respeito algum: Nicole (Sarah Wright) não tem outra utilidade além de interesse romântico e um grupo de estudantes latinas, enfurecidas após terem sua casa da fraternidade invadida no meio da noite por Miller e Casey, se transformam em ameaça (“Não podemos andar pelo campus. Estamos cercados por latinas!”, chega a dizer Miller). Por fim a sequência em que Jeff aparece com a frase “respeite-me” escrita no corpo, vestindo apenas um sutiã e com um urso de pelúcia colado ao pênis, faz graça das mulheres que demandam que os homens respeitem seus corpos independente de qual e quanta roupa estejam usando.

E quem dera isso tudo acabasse por aqui, mas tem mais, já que duas mulheres se beijando – a pedido de Miller – é motivo de alegria, enquanto as estudantes latinas buscando vingança e mandando-os se beijarem, os dois veem o pedido como a pior coisa do mundo. Comentários racistas como “Seus olhos estão abertos? Não consigo dizer!” ou “Asiáticos não precisam de aula de reforço!” são inúmeros, mas, quando Jeff exclama “Vocês são tão brancos!” para seus amigos, Miller imediatamente retruca: “Isso é racista!”.

Para fechar, os personagens enfrentam obstáculos estúpidos e o roteiro abusa das coincidências forçadas para funcionar (como qualquer cena envolvendo o namorado de Nicole). Por outro lado, a natureza e o futuro da amizade do trio, problemas escolares, o medo do futuro, os sentimentos de Casey por Nicole e o relacionamento de Jeff com o pai são tentativas fracassadas de tentar injetar alguma emoção na trama.

E por tudo isso, Finalmente 18 é, em seus piores momentos, péssimo; em seus “melhores”, um tédio total.


Finalmente 18 (21 & Over) escrito e dirigido por Jon Lucas e Scott Moore, com Miles Teller, Skylar Astin, Justin Chon, Sarah Wright e François Chau.


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Sobre o autor

Mariana González é jornalista e colaboradora do CinemAqui desde 2013. Além de escrever sobre cinema, tenta se aventurar atrás das câmeras. No Twitter, pode ser encontrada no @mariszalez.

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