Cinquenta Tons Mais Escuros | Vem aqui que eu quero te mostrar algo… e não é nada bom

Cinquenta Tons Mais Escuros Filme

É difícil falar de Cinquenta Tons Mais Escuros sem soar pretensioso, sem parecer que existe um pré-conceito diante da obra, ou que eu ¿sou crítico e não gosto de nada¿. Mas a verdade é que ninguém sabe o que eu sofri dentro daquela sala de cinema.

Um misto de indignação com uma vontade enorme de sair correndo de lá e, quem sabe, conseguir entrar na sessão de outro filme qualquer. Isso tudo com uma pitada de marasmo e sono, com o mais profundo tédio que eu poderia ter dentro de um cinema.

A meu favor tem o texto do primeiro no qual eu não deixo de elogiar uma série de questões, e até fui um dos únicos seres-humanos a defender o lado feminista da protagonista Anastacia Steele (Dakota Johnson). Mas agora a história é bem outra. Cinquenta Tons Mais Escuros é indefensável. Pior ainda, escorrega tanto que é incrível que ele tenha sido lançado sem ter voltado para a mesa de montagem e arrumado.

Mas talvez o problema seja o livro, ainda que isso não seja um argumento, já que o roteiro de Niall Leonard poderia ter corrigido. De qualquer jeito, não acontece nada em Cinquenta Tons Mais Escuros. Ok … isso pode parecer um exagero… me deixe reformular e deixar menos raivoso: Não acontece nada que preste em 50 Tons Mais Escuros¿.

Depois do grande conflito entre ¿Ana¿ e o Mr. Grey (Jamie Dornan) que fechou o primeiro filme, tudo se resolve com um jantar, um iPhone, um Macbook Pro e um carro. Depois disso é um show de desculpas esfarrapadas para os dois transarem ou se bolinarem em público. E isso seria sexy se não fosse triste, já que ninguém no cinema se empolgará nem com isso. Falta calor, falta uma fotografia melhor e uma sensibilidade maior. Lá em um canto do elenco surge Kim Bassinger e o que vem a mente é que o diretor James Foley devia mesmo é ter feito um intensivão de 9 ½ Semanas de Amor.

No resto da trama, uma antiga submissa de Grey surge e some por ai para assustar ¿Ana¿, Bassinger é uma megera e ainda o chefe da protagonista, Jack Hyde (Eric Johnson) tem um segredo. Sim, o nível de referência preguiçosa chega em um ¿Hyde¿ que na verdade tem uma personalidade escondida (e que deve se tornar o vilão do terceiro filme).

No resto do tempo, tudo aquilo que o primeiro tinha tido cuidado de não deixar ir além do esquisito e criar uma personagem que, mesmo diante da possibilidade de se submeter ao Mr. Grey, resiste bravamente, agora vira fumaça. Ele escolhe a roupa dela, a comida, o brinco e até as bolinhas de pompoarismo. Pior ainda, toda simpatia do personagem passa por ele ficar citando o quanto é rico, compra empresas, tem guarda-costas e pilota helicópteros. Não que seja um problema ele ser tudo isso (o Batman também é e isso nunca chateou ninguém), o esquisito é ele ficar se vangloriando disso como um babaca qualquer (sim, como o Bruce Wayne).

Cinquenta Tons Mais Escuros Crítica

Durante todo o tempo, Grey se perde em um autoritarismo meio bobo que só serve para minar a personalidade da protagonista e anular qualquer pretensão dela de ser alguém. ¿Vem aqui que eu quero te mostrar algo¿ é tantas vezes repetido que enjoa, como se ele não pudesse fazer nada em lugar nenhum que não seja onde ele tem controle total da situação. Por fim, suas declarações de amor passam por ¿Seja minha¿ e ¿Divida minha vida comigo¿. Um ego tão grande e nojento que devia ter um filme só para ele. Um personagem egoísta e completamente fora do tom aceitável. É uma pena que ele não morra no arco do helicóptero no fim do filme (sejamos sinceros, seria a única função desse arco, pois do jeito que ele é mostrado, não serve para nada).

Falta praticidade e vergonha na cara ao roteiro, e falta terapia ao Mr. Grey ao invés dele ficar por aí enchendo o saco da coitada da Anastacia, que definitivamente deixa de lado todo aquele lado minimamente forte do primeiro e se joga de cabeça em uma submissão idiotizante.

E tudo fica pior ainda com um trabalho medíocre do diretor James Foley, se resumindo a uma série enorme de planos/contra-planos novelescos dos dois personagens conversando. E como para piorar as linhas de diálogo beiram o amadorismo literário é torturante acompanhar tudo isso, principalmente, pois 90% do filme são os dois conversando sem fim.

E falando em tortura, Mr. Grey então se descobre sádico e com uma predileção para ter prazer batendo em mulheres parecidas com a mãe (Freud Alert!), mas quem realmente sofre nas mãos dele são os espectadores. A diferença (nem tão diferente assim) é que depois de cada diálogo ruim ele transa e o espectador só se… bom, melhor manter a compostura mesmo diante de tanta dor e raiva.


“Fifty Shades Darker” (EUA, 2017), escrito por Niall Leonard, à partir do livro de E.L. James, dirigido por James Foley, com Dakota Johnson, Jamie Dornan, Eric Johnson, Rita Ora, Luke Grimes, Kim Basinger e Marcia Gay Harden


Trailer – Cinquenta Tons Mais Escuros

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