Em 2008, enquanto Homem de Ferro dava o pontapé inicial no Universo Marvel nos cinemas, Chris Evans tinha recém saído do fracasso em chamas do segundo filme do Quarteto Fantástico; já os irmãos Anthony e Joe Russo não estavam fazendo absolutamente nada de relevante (e um ano depois começariam a dirigir a série Comunity). Em 2008 se alguém dissesse que essa trinca (Evans e os Russo) em 2016 estaria fazendo o melhor filme da Marvel, ninguém acreditaria. Pois é, todos estariam errados e Capitão América: Guerra Civil é tudo aquilo que ele se propõe a ser.

Mais do que isso, esse terceiro filme do Supersoldado é ainda tudo aquilo que o espectador nem fazia ideia que queria ver, assim como absolutamente tudo que os fãs esperavam. Sim, “absolutamente tudo”, não há bola fora, nem excessos e nem escorregões.

É lógico que isso se levado em conta estarmos falando de um filme de super-herói (e pode colocar isso ai no plural!), diferentemente do filme anterior, que se provava uma experiência muito mais ampla que o gênero. Guerra Civil é então aquele crossover que todos um dia desejaram ver nas páginas dos quadrinhos, daquele tipo que responde quem venceria na porrada entre Homem de Ferro e Capitão América, Gavião Arqueiro e Pantera Negra ou mais um monte de opções que o filme coloca em pauta.

Mas o melhor disso tudo é que nem só de pancadaria sobrevive Guerra Civil. Muito (muito mesmo!) pelo contrário, já que é o incrívelmente limpo, poderoso e empolgante roteiro escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely (que já tinham escrito os outros dois filmes do herói) a grande estrela do filme. Tudo bem, a direção dos irmãos Russo também é um destaque à parte, com muito provavelmente as melhores cenas de ação que a Marvel colocou no cinema, mas ainda assim a cola disso tudo é essa narrativa.

Na história, que busca inspiração na mini-serie homônima escrita por Mark Millar, os Vingadores são colocados contra a parede diante de um registro que faz suas ações passarem a ser controladas pela ONU. De um lado, Tony Stark (Robert Downey Jr.), sensibilizado e arrependido pelos seus próprios erros, defende o tal registro, enquanto do outro, Steve Rogers (Chris Evans), temendo que o grupo se desvie para qualquer viés político, decide ir contra o governo, o que o torna quase um fora-da-lei.

O resto da sua transformação em “persona non grata” vem quando ele tenta proteger seu ex-parceiro Bucky “Soldado Invernal” Burnes (Sebastian Stan), acusado de um atentado na própria ONU enquanto o tal Tratado de Sokovia é assinado. Para completar o cenário, a explosão mata o Rei da nação africana de Wakanda, o que faz com que seu filho T´Challa (Chadwick Boseman), vulgo Pantera Negra, inicia então uma cruzada em busca de vingança. Em algum lugar da trama toda ainda perambula um misterioso Capitão Zemo (Daniel Bruhn), que parece estar “puxando as cordas” de todo esse cenário.

Capitão América: Guerra Civil Crítica

Mas talvez, além do cuidado com que a trama caminha, o grande acerto do roteiro seja reconhecer que uma guerra se dá com soldados, e quanto melhor você conseguir fazer com que seus espectadores se identifique com eles, mais fácil se conquistará todos no cinema. Mais que isso, a dupla de roteiristas ainda dá um baile de sutileza ao ligar seus diversos arcos.

É incrível notar como uma ação da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) praticamente provoca todo conflito, ao mesmo tempo que uma sequência envolvendo ela e o Visão (Paul Bethany), aparentemente solta na trama, move o Capitão em sua decisão final. Ainda no mesmo arco, é o desenrolar da trama envolvendo ela e o ciborgue que faz com que ele “erre” e por pouco não faça com que a batalha entre os heróis tome um rumo trágico. Do mesmo jeito que a grande motivação do vilão Zemo é desenvolvida de modo a ninguém no cinema desconfiar da profundidade de seus planos enquanto engana a todos com um grupo de supersoldados russos.

E ai está o grande acerto de Capitão América: Guerra Civil, mesmo com todo roteiro intrincado e cheio de detalhes e reviravoltas, há espaço de sobra não só para as (já citadas, mas é bom repetir!) melhores e mais empolgantes cenas de ação que o Universo Marvel viu até hoje nos cinemas, como ainda promovendo dois embates que entrarão para a lista de sonhos realizados de muitos leitores de HQ. A tal “batalha do Hangar” é tão cheia de surpresas e momentos incríveis que é uma pena que a presença de um certo adolescente “Amigão da Vizinhança” tenha sido mostrada no trailer (e sim, ele rouba o filme em cada segundo de tela!). Felizmente esse spoiler pouco atrapalha toda diversão, assim como o derradeiro momento do filme (a luta entre o Capitão, Bucky e o Homem de Ferro) se mostra tão clássico e empolgante quanto ele promete ser no trailer.

E bem diferente de um “Distinto Concorrente” que também não economizou spoilers em seus trailers, Capitão América: Guerra Civil guarda o melhor da diversão para quem for ao cinema, e der de cara com o melhor e mais divertido filme de super-heróis que o cinema já produziu, além de mostrar o quão certo você pode usar a mãe de um personagem para movê-lo através da mais pura porradaria, já que, seja leitor da HQ ou não, é isso que todos querem.

Já sobre os irmãos Russo, daqui a oito anos todos no cinema estarão se lembrando deles como os grandes diretores dos dois filmes do Capitão América, mas mais do que isso, dos dois próximos filmes dos Vingadores (Guerra do Infinito – Parte I e II), que se depender desse Guerra Civil têm tudo para realizarem mais ainda os sonhos dos fãs da Marvel. Mas principalmente, têm tudo para realize os sonhos dos fãs de um bom cinema de ação como tão pouco se vê por ai.


“Captain América: Civil War” (EUA, 2016), escrito por Christopher Marcus e Stephen McFeely, à partir da mini-série de Mark Millar, dirigido por Anthony e Joe Russo, com Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Daniel Bruhl, William Hurt e Tom Holland


Trailer – Capitão América: Guerra Civil

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