É fácil ser enganado por Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Talvez seja mais fácil ainda sair do cinema achando que os personagens ganharam um filme a altura de suas figuras míticas. Mas talvez seja mais fácil ainda sentar por um segundo, pensar sobre o assunto e chegar a conclusão que nem tudo é o que parece e que “o Diabo mora nos detalhes”.

E o principal detalhe aqui é o esforço da Warner para salvar uma franquia que patinou em um primeiro momento, mas teve que servir de início a um universo de filmes. Para isso, nada mais justo que chamar seu maior trunfo nos cinemas: o Batman. E sim, é isso que salva o filme de um destino muito pior do que foi Homem de Aço.

Portanto, o filme dirigido por Zack Snyder funcionaria (mal e porcamente) como um filme solo do “último filho de Kripton”, mas é a presença do “cruzado de capa” que cria a pouca profundidade que o filme tem e ainda vem com a responsabilidade de ligar Batman Vs Superman à Mulher-Maravilha, Flash e a “turma toda”, além até de posicionar o futuro da trama em direção ao vilão Darkseid. Muito “fan service” para pouco filme.

Sim, Batman é um observador de luxo nessa história, mas mais do que isso, ele é a personificação perfeita do “fan service”. Tire o Batman da história e qualquer roteirista, minimamente capaz, ocuparia seu lugar com um punhado de desculpas e personagens, e Superman teria seu “voo solo”. Um que até já seria melhor do o primeiro. Mas Batman está lá, e tudo fica melhor.

É sua presença que cria esse confronto ideológico com a nobreza do Superman. É sua presença que faz com que o criticado final do Homem de Aço passe a não só fazer sentido, como influenciar diretamente no futuro daquele mundo. (e enfim) É sua presença que cria as melhores cenas do filme. E ainda que nada disso seja necessário para o andamento da trama (e toda parte envolvendo meta-humanos e os pesadelos do personagem são enfiada goela abaixo e só tornam o filme mais longo), boa parte de sua “vida” vem de Gotham.

Batman vs Superman Crítica

Nela (na trama), depois da destruição de Metropolis, Superman (Henry Cavill) surge ora como uma espécie de Deus, ora como uma ameaça para a sociedade. Bruce Wayne (Ben Affleck), que viu um de seu prédio ser destruído e todos seus funcionários mortos está do lado que acredita que se o herói de Krypton tem 1% de chance de ser uma ameaça, então que ela tenha de ser eliminada. No meio disso, surge Lex Luthor (Jesse Eisenberg) com um monte de ideias de como destruir esse “falso Deus” somente pelo prazer de vê-lo se curvar.

Em algum lugar dessa bagunça toda ainda tem Lois Lane (Amy Adams) tentando provar que Lex está por trás de tudo (ainda que isso não seja necessário) e a Mulher Maravilha (Gal Gadot) para roubar a cena toda vez que aparece.

Por um lado, “bagunça” é pouco para identificar o roteiro de Chris Terrio (que escreveu Argo) e David S. Goyer (que vem escrevendo adaptações de HQs desde Blade e passou por todos “Batmans”, Motoqueiro Fantasma etc.). São tantos personagens, situações e descobertas que não sobra espaço para mais nada. É difícil se encaixar em qualquer timeline que o filme acontece, é impossível saber se entre uma ação e outra se tem horas, dias ou semanas. Suas cenas pulam de cenário em cenário sem nenhuma preparação ou calma e ninguém só não fica perdido no meio disso tudo, pois qualquer detalhe da trama precisa de menos de dois neurônios para ser entendido.

O que é um pena, já que a premissa inicial desse embate entre os dois heróis poderia realmente discutir uma série de problemas e até suas existências naquele mundo. Mas tudo acaba arranhado de modo superficial e resumido a uma simples motivação fascista dos três personagens (Lex, Batman e Superman). No final das contas tudo é sobre quem conseguir impor sua vontade e seus pensamentos diante dos outros dois.

Pior ainda, com todas essas peças no tabuleiro, a solução do grande “vs” do filme acaba sendo boba e fragilizando o próprio Batman, que se demonstra mimado e se tivesse tido a mínima sensatez de trocar duas frases de diálogo com Superman e escutado seu lado, teria desistido de tentar matá-lo. Ok, isso também deixaria de lado a sequencia mais bacana do filme, que sim, você viu ela quase inteira no trailer, mas ainda assim vale a pena.

Batman vs Superman Crítica

E voltando a correria toda do roteiro, ela é combinado ainda com a montagem de David Brenner e o ritmo imposto por Snyder, o que faz com que Batman vs Superman seja picotado de modo exagerado e até irritante. Pior ainda, uma opção que fora das cenas de ação deixa tudo acelerado demais e cansativo, já que são poucos os momentos em que o espectador poderá curtir um ou outro plano sem ser cortado por Brenner.

E sobre tudo isso, não se engane, o que não faltam são belos momentos a serem curtidos em Batman vs Superman: A Origem da Justiça. O problema é que Snyder equilibra momentos incríveis com momentos incrivelmente fracos. De um lado, o diretor trabalha bem seus slow motions e planos-detalhes, e a sequencia da morte dos pais de Bruce Wayne é um deleite visual. Snyder ainda faz um trabalho interessante quando consegue ter como “storyboard” a visão de algum gênio dos quadrinhos, como em 300 e Watchmen, e aqui em um punhado de momentos em que recorre ao Cavaleiro das Trevas de Frank Miller para compor suas cenas (como na batalha final).

Infelizmente, por outro lado, muita coisa fica embaralhada, esfumaçada e em meio a raios e fogo, o que não deixa ninguém enxergar nada direito, e em se tratando de um filme onde todo mundo quer mais é ver o que está acontecendo, isso se torna um problema maior. Snyder ainda parece teimar em planos muito fechados em meio a cenas de ação, o que atrapalhará todos de, por exemplo, admirarem o novo Batmóvel. Por fim, fora da agitação, Snyder simplesmente não faz nada de memorável e parece deixar seu filme ser dirigido por algum diretor de segunda unidade.

No meio desse furacão de imagens, fúria e sons (a dupla Hans Zimmer e Junkie XL até faz um bom trabalho na maioria do tempo, mas erra feio com uma guitarrinha irritante na batalha final), Henry Cavill continua sendo um Superman mediano e funciona bem diante de Ben Affleck, que surge não só como o melhor do filme, como também como o melhor Batman que o cinema já viu: tridimensional, contido e violento. Do outro lado, Eisenberg começa bem, mas em pouco tempo erra de personagem e permite que seu Lex Luthor tenha pontos demais em comum com os vilões psicopatas do Batman e não com a “finesse” do careca de Metropolis.

E falando na relação dos dois heróis, ambos tem em mãos dois ótimos momentos onde se encontram pela primeira vez, com e sem seus uniformes. Dois momentos que não desperdiçam suas personalidades, valorizam suas presenças e se destacam em meio a uma enxurrada de socos e frases sem sentido. Dois momentos que celebram a importância da dupla como dois dos maiores ícones da cultura pop mundial, mas que infelizmente no resto do tempo ganham um fime aquém de seus tamanhos.


“Batman v Superman: Dawn of Justice” (EUA, 2016), escrito por Chris Terrio e David S. Goyer, dirigido por Zack Snyder, com Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly Hunter e Gal Gadot.


Trailer Batman vs Superman: A Origem da Justiça

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Uma resposta

  1. Fabio Gomes Ribeiro

    Um lixo de filme.A crítica aqui até se esforça em achar pontos positivos, mas não tem roteiro.

    Responder

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