Além de arte, não são poucas as vezes em que o cinema faz o papel de documento histórico obrigatório, As Portas do Inferno se Abrem: A História do Vulcano é desses exemplos. Um documentário que parece até se confundir com uma declaração de amor a essa banda de metal. Seja heavy, trash, black ou extremo, o que importa é a verdade com aquilo é feito.

E essa verdade vem dos dois lados: tando dos entrevistados, quanto do diretor Wladimir Cruz, que emplaca seu terceiro documentário, e todos os três com o mesmo núcleo: o Rock. A diferença aqui é que dessa vez o foco se dá nessa banda santista que não só fez história no cenário nacional, como é citada como uma das mais influentes do mundo dentro do gênero. Uma história que vai do meio dos anos 70 até os dias de hoje. E antes que você pergunte: sim, mais de quatro décadas de muita história.

Um esforço hercúleo do diretor para conseguir condensar essas mais de quarenta anos em um único filme. E ainda que isso acabe resultando em uma duração aquém do costumeiro em termos de documentários, as duas horas e quarenta voam pela tela, principalmente para os fãs. E isso nem de longe quer dizer que os não iniciados fiquem perdidos, ainda que o requisíto mínimo seja mesmo pelo menos gostar do gênero musical, mas sobre isso, é difícil mesmo achar que alguém de fora desse “círculo” vá em busca do filme, o que deve garantir o sucesso de “As Portas do Inferno se Abrem” entre seus espectadores.

Mas talvez o que mais vá chamar a atenção de quem se aventurar na História do Vulcano sejam a deliciosas histórias que rodeiam a banda e a enorme e cativante personalidade de seu líder e fundador, Zhema. De um lado, um mosaico (as vezes com várias versões das mesmas peças!) montado pela enorme quantidade de ex-integrantes (sim, mais que o normal!); do outro a visão apaixonada desse hoje senhor de cabelos brancos, mas que não perde nem por um segundo a chama de sua juventude. E o melhor de tudo isso: sem papas nas línguas.

As portas do inferno se abrem retrata a história de uma banda mítica

Ninguém parece estar de frente para a câmera tentando dizer aquilo que se espera, mas sim expondo suas verdades e personalidades fortes que lapidaram a Vulcano em mármore com a certeza de que ainda sobreviverá por gerações e gerações. Um documentário que empilha assuntos, de corriqueiros como uma mudança de logo, até pertinentes como o preconceito entre os “satanistas” (!?) sem diminuir nenhum deles.

E tudo só não vai mais longe graças a alguns poucos escorregões, como a ausência de mais imagens de arquivo e até um cuidado maior em ilustrar certos momentos, como as tours ou até mesmo as próprias letras das músicas, que de acordo com o próprio Zhema, “significam algo além daquilo” (faltou também o espectador “ganhar” esse “além daquilo”!). Há ainda um problema ligado à linha cronológica do documentário, que parece decidir não seguir uma linearidade e acaba criando algumas confusões temporais (quem entrou antes de quem na banda? Quem saiu antes? Quando foram pra onde?), desviando um pouco a atenção do espectador.

Mas sobre qualquer falha, As Portas do Inferno se Abrem: A História do Vulcano é um documento obrigatório e apaixonado sobre a banda, mas mais que qualquer coisa, é uma tentativa de fazer a devida homenagem a essa banda mítica (e mística!) que acaba sendo muito mais reconhecida fora das fronteiras do Brasil, mas nem por isso faz seus integrantes deixarem de lutar pelo sonho de plugar seus instrumentos e fazer muito barulho por onde quer que passem, e isso no melhor dos sentidos.


“As Portas do Inferno se Abrem: A História do Vulcano” (Bra. 2016), escrito e dirigido por Wladimir Cruz, com Zhema Rodero, Arthur Vonbarbarian, Gerson Fajardo, Luiz Carlos Diaz, Luiz Carlos Louzada, Angel “Uruka”, André Martins, Arthur Justo, Pepe Macia e Cleso VX


Trailer As Portas do Inferno se Abrem: A História do Vulcano

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