A Vida De Diane | Estamos todos sozinhos nesse mundo


A Vida de Diane é um filme de sensações, mas só vamos percebendo isso conforme a rotina se torna cada vez menos relevante para o que é realmente importante. “Precioso”, como a própria Diane diz em sua última fala.

Mas o que é isso? O filme não responde porque não há resposta. E isso em um trabalho que fala sobre vício e fanatismo religioso como extremismos semelhantes, o que chega a ser uma ofensa para algumas pessoas, religiosas ou não, já que a história está claramente nos empurrando para um abismo niilista que não pode ser chamado de repugnante porque isso seria supérfluo.

Para fazer o espectador entender essa longa linha de raciocínio iremos acompanhar os esforços de Diane (Mary Kay Place), que, próxima da terceira idade, observa seus familiares e amigos se indo aos poucos, uma solidão crescente vai então se materializando conforme ela acompanha a sobrinha com câncer em estado terminal ao mesmo tempo em que seus esforços para salvar o filho do vício pela segunda vez soam inúteis.

A esperança da amizade dos velhos amigos surge uma única vez, uma noite fria em uma casa quente, pois assim ela é iluminada pelo diretor de fotografia Wyatt Garfield, que em todas as outras cenas nos entrega uma paleta mais fria e insensível (Garfield é responsável pela beleza inerente de Indomável Sonhadora). O diálogo que se desenrola rapidamente nessa cena demonstra como Kent Jones estabelece com competência o tom humanista de seu filme. Todos presentes querem contar sobre suas vidas, enquanto Diane se limita a se resguardar dentro do seu próprio ser.

Mas já vimos filmes que realizam essa manobra, onde em algum momento há uma explosão da protagonista, e esse não é um deles. Fica difícil de defini-lo porque talvez seus realizadores não pensaram na mensagem como algo formatado e pronto para consumirmos, como geralmente é esperado do cinema americano. Quando ouvimos aquelas pessoas dizendo frases completamente comuns para um drama enlatado fica a impressão de estarmos vendo um filme “menor”, mas é a presença de Diane nessa rotina que nos faz tentar perceber se há algo mais nesse universo melancólico do final da vida, ou pelo menos o final dos objetivos de uma vida.

A interpretação de Mary Kay Place não é marcante, mas este é um papel injusto, pois é sua própria irrelevância como ser humano que o filme deseja demonstrar. Ela é constantemente lembrada por seus amigos que não está sozinha, mas sua expressão sempre nos diz inconscientemente a verdade oculta, que ninguém deseja mencionar: estamos todos sozinhos nesse mundo.


“Diane” (EUA, 2018), escrito e dirigido por Kent Jones, com Mary Kay Place, Jake Lacy, Estelle Parsons.


Trailer do Filme – A Vida De Diane

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