Ainda que o lugar comum seja dizer que A Morte do Demônio é um remake desnecessário, é preciso dar o braço a torcer que esse clássico do terror de 1981 merecia sim uma refilmagem que o apresentasse para uma geração completamente diferente. Infelizmente, uma geração que prima por um resultado muito menos interessante, mais ainda sim uma geração que merece conhecer essa história.

E de cara, saber que os “pais” do original, Sam Raimi (diretor) e Bruce Campbell (o protagonista, Ash), assinam a produção acalma até o fã mais aflito. E perceber que, tirando alguns detalhes que ficaram para a posteridade do mito criado pelos dois, o novo filme acaba sendo, provavelmente, aquilo que Raimi gostaria de ter feito com um pouco mais de dinheiro (na época), é um alívio maior ainda.

Mas isso não quer dizer que A Morte do Demônio seja genial e irretocável, mas sim acaba sendo um exemplar coerente e competente entre tantas cópias do original. Como se não se deixasse levar apenas pelo nome no cartaz e tentasse realmente ser aquele filme que os fãs de terror (e da trilogia) esperam. E como foi dito, mesmo com todo gore (e não é pouco!) o amante do gênero nos dias de hoje é o foco dessa nova produção, e não o trintão/quarentão que se divertiu com aquela câmera correndo pela floresta há três décadas.

Um público que não aguentaria ser atacado por um vilão demoníaco sem rosto, e para eles o novo filme começa com um prólogo que posiciona a trama em uma floresta no meio do nada e uma menina possuída pelo demônio enquanto seu pai “resolve” o problema. Esse começo ainda ajuda para que o diretor estreante Fede Alvarez prove seu estilo rebuscado e funcional, que dá valor a uma ótima direção de arte e só parece preocupado mesmo é com o terror, com os efeitos especiais e com um toque muito mais sutil que Raimi, o que resulta naquela forma pasteurizada que não incomoda, mas, muito provavelmente, não será lembrado nem na próxima semana.

O curioso disso é que, mesmo nivelado pela média do gênero (alguns diálogos explanatórios, alguns sustos e uma “simpática” casa para encher o ambiente de sombras), o que mais diverte na refilmagem é o exagero. Seja naqueles momentos nojentos onde o diretor consegue manter a câmera focada mais que o necessário (para o delírio dos fãs) em um braço sendo decepado ou um jato de vómito e mais um punhado de momentos sangrentos e que se encaixam perfeitamente dentro do gênero. Como se, mesmo sem perceber, funcionasse muito melhor enquanto “passeia” em 1981 do que quando fica por 2013.

A Morte do Demônio Filme

E em 2013, A Morte do Demônio reconta a história desses cinco jovens que chegam a uma cabana no meio da floresta e dão de cara com um livro coberto de pele que desencadeia um demônio que mata um por vez. A diferença é que sai fora as férias divertidas e entra em cena um cenário depressivo, com umas das personagens tentando largar o vício em heroína, um irmão cheio de culpa, um amigo ciumento e mais duas garotas descartáveis prontas para encontrarem o fim. Não há surpresas, nem reviravoltas enquanto o filme só quer mesmo ser uma cópia qualquer dele (original) mesmo.

Falta humor, falta um demônio um pouco mais mal-educado, falta, enfim, que o resto do filme tenha o mesmo ritmo que, justamente, seu final. Uma conclusão que se perde (no bom sentido) em um exagero cheio de homenagens ao filme original, com mãos decepadas, chuva de sangue, uma motosserra e até um “Volte para o inferno vadia!” (sem contar a ilustre presença de Ash após os créditos finais). Talvez pouco mais de dez minutos que, sem sombra de dúvidas, fará o espectador sair satisfeito do cinema.


Evil Dead, escrito por Fede Alvarez e Rodo Sayagues, dirigido por Fede Alvarez , com Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas e Elizabeth Blackmore


Trailer – A Morte do Demônio

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