Vestido pra Casar

Vestido Pra Casar

Não se preocupando em criar uma narrativa coesa ou em minimamente desenvolver seus personagens, Vestido pra Casar segue a fórmula típica das comédias mainstream brasileiras – e é uma pena que estas porcarias sejam, justamente, os filmes nacionais Vestido pra Casarque mais levam o público às salas de cinema.

Às vésperas de seu casamento, Fernando (Leandro Hassum) vai ao aeroporto buscar sua noiva (Fernanda Rodrigues), que está chegando do interior, e no estacionamento esbarra em uma ex-BBB (Renata Dominguez) e acaba rasgando o vestido dela – que estava acompanhada do amante (Marcos Veras), um dos seguranças de seu marido. O vestido era uma peça exclusiva de um famoso estilista e, agora, Fernando terá que dar um jeito de conseguir um igual para impedir que o marido da moça desconfie de algo. Ao invés de seguir o caminho racional e simplesmente contar o incidente para a noiva, ele resolve esconder tudo e, assim, os próximos 90 minutos são preenchidos por uma série de planos estapafúrdios e fracassados.

Chega a ser admirável como o diretor Gerson Sanginitto e os roteiristas Celso Taddei, Cláudio Torres Gonzaga e Audemir Leuzinger não conseguem criar uma lógica nem de algo que repetem exaustivamente como o tique do protagonista ao mentir, algo que é mencionado duas vezes apenas nos primeiros dez minutos de projeção. Mas é claro que a confusão desenfreada é o motor de muitas comédias – não é isso que faz com que o filme não funcione. O problema é que as ações e escolhas de Fernando não fazem sentido algum, mesmo quando fica claro que esconder tudo da noiva está apenas piorando a situação.

Servindo apenas como acessórios para piadas, os personagens não têm importância em Vestido pra Casar e, assim, a tal mania de mentir de Fernando torna-se algo que, mesmo repetido à exaustão, não é estabelecida como uma característica do protagonista. Da mesma forma, sua noiva Nara existe apenas como obstáculo aos planos de Fernando, enquanto Dominguez, Veras e Júlia Rabello dão a impressão de que poderiam se sair bem se tivessem um roteiro decente mas, aqui, têm pouco o que fazer.

Vestido pra Casar

E, em se tratando de um filme de comédia, o pior pecado deste “filme” é o de não ser nem sequer minimamente engraçado. Enquanto Hassum usa a elegante tática de alterar o volume da voz diversas vezes enquanto fala, achando que isso é o bastante para arrancar risadas da plateia, o roteiro ainda investe em diversas gags recorrentes que têm o único efeito de irritar ainda mais o espectador já entediado. Seja a surdez do colega de trabalho de Rabello, o insuportável “o casamento está cancelado!” do pai da noiva ou o primo da noiva que só existe para que o pai possa dizer que “primo pode”, são elementos que não funcionam da primeira vez e isso não muda na décima repetição.

E não é só no quesito roteiro que este longa se assemelha de um programa de humor de televisão. A direção é preguiçosa e se limita ao plano e contra-plano, fotografia e montagem são idênticos a uma novela da Globo, e a trilha sonora é exagerada e pedante ao tentar dizer que emoção deveríamos estar sentindo em cada momento.

Recorrendo a estereótipos devido à preguiça de desenvolver seus personagens, Vestido pra Casar, para não perder o hábito, ainda falha em sua conclusão ao achar que o espectador dá a mínima para o destino do romance entre Fernando e Nara, investindo em um final água-com-açúcar com direito à tia do protagonista declarando que é claro que ele está falando a verdade ao dizer que ama a noiva, pois não coçou a orelha. E o “spoiler” serve para ilustrar o nível do fracasso desse filme que consegue ser arrastado mesmo tendo apenas 90 minutos de duração.


“Vestido pra Casar” (2014, Brasil), escrito por Celso Taddei, Cláudio Torres Gonzaga e Audemir Leuzinger, dirigido por Gerson Sanginitto, com Leandro Hassum, Fernanda Rodrigues, Renata Dominguez, Tonico Pereira, Júlia Rabello, George Sauma, Catarina Abdalla, Ricardo Conti, Érico Brás, Cláudio Tovar, Celso Taddei e Claudio Torres.


Trailer do filme “Vestido Pra Casar”

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