Verão Branco | Sobre crescer


Não nos lembramos exatamente como era a nossa infância, a nossa adolescência e o que havia nesse meio tempo. O “meio tempo”, essa fase dos doze anos até a maturidade, é a premissa de Verão Branco, filme de estreia do mexicano Rodrigo Ruiz Patterson que estreou no Festival de Sundance e agora disponível na Mostra de São Paulo. É um filme direto sobre a visão bem peculiar de um jovem com sérios problemas emocionais.

Rodrigo é filho de mãe solteira, a linda e jovem Valeria, cuja atriz, Sophie Alexander-Katz, você deve conhecer de outros filmes, entre eles Actores S.A. Seu relacionamento com a mãe é íntimo ao ponto dele viver em um casulo em torno de uma mulher carente de uma figura masculina. O filho supre essa necessidade até a chegada de Fernando, seu novo namorado, o que desestabiliza a conhecida, batida, relação edipiana que estava cristalizada. Mudanças sempre nos incomodam. Mudanças na pré-adolescência nos incomodam mais.

Mas Rodrigo não é um jovem normal. Ele tem tendências à violência e acessos de raiva que manifesta de maneira passivo-agressiva. Aos olhos dos adultos é uma criatura quieta e introvertida. Quando acha que não está sendo vigiado ele foge da escola, queima coisas, fuma cigarro (como a mãe) e vive em sua casa adaptada, um trailer levado para um ferro-velho que ele passa a frequentar para ficar o mais longe possível da casa onde agora vive seu rival. Quando questionado, mente quando necessário.

Essa história é contada sem nuances. Rodrigo é de fato uma criança problemática e não parece haver nada a ser feito. Assim como sua versão mais infantil vista na Mostra anterior em System Crasher, a incapacidade dos adultos em lidar com esses rebentos tresloucados é deixar ser. Eventualmente a fase passa. Ou o rebento morre. De qualquer forma, deixe ser.

O mistério de Verão Branco é sobre se o filme possui mais alguma mensagem além das obviedades em torno da história de um garoto reagindo negativamente à evolução do novo relacionamento da mãe. Esse mistério não é resolvido pelo filme. Está aí para o espectador pensar. Pensar sobre sua própria adolescência, quando provavelmente também fez coisas bobas (embora talvez não tão violentas) e se lembra com um misto de vergonha e nostalgia.


“Summer White” (Mex, 2020), escrito por Raúl Sebastian Quintanilla e Rodrigo Ruiz Patterson, dirigido por Rodrigo Ruiz Patterson, com Sophie Alexander-Katz, Fabián Corres e Adrián Ross.


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