Velozes e Furiosos 9 | Crítica do Filme | CinemAqui

Velozes e Furiosos 9 | Falta ser aquele Velozes e Furiosos que todo mundo queria


A cara de pau não tem limite quando o assunto é a franquia Velozes e Furiosos, e isso é, com certeza, a melhor coisa dos filmes desde que eles assumiram esse lado mirabolante e maluco. O que talvez tenha limites é a qualidade e a capacidade de fazer isso tudo funcionar, Velozes e Furiosos 9 prova isso.

Não que isso enterre a franquia, não vai e mais dois filmes estão confirmados para fechar a série, o problema é perceber que a ideia se tornou novamente desgastada. “Novamente”, pois isso já tinha acontecido no quarto filme, que marcava a volta de Vin Diesel aos filmes depois de ter ficado de fora dos dois anteriores e acabando por trazer de volta uma ideia meio frustrada do segundo. Isso mudou com o quinto e essa intenção de expandir os filmes para um “filme de roubo” (“Heist Movie”) e, posteriormente uma espécie de “Missão Impossível com carros”.

A diversão talvez tenha dois nomes responsáveis, curiosamente ambos não estão nesse nono filme.

O primeiro deles é o roteirista Chris Morgan, que vem escrevendo os filmes da série desde o quarto. Com certeza muito dessa ideia de criar essa “mitologia familiar” e ir atrelando personagens com relevância dentro da trama ao estilo Onze Homens e um Segredo, ao mesmo tempo que buscava sempre o limite desse lado onde não se levar a sério era importante para a trama. Mas isso só poderia acontecer se os filmes tivessem algum tipo de alívio, e com certeza isso não combina com a seriedade exacerbada do Dom Toretto e suas frases de efeito.

O outro pilar de sustentação dessa nova fase com certeza era Dwayne “The Rock” Johnson, que ficou maior que a franquia e ganhou um spin-off para chamar só de seu. Sem Morgan e sem “The Rock”, o nono filme da franquia parece perder coração e diversão enquanto ganha motivações desinteressantes e uma trama completamente calcada na ideia de que, convenientemente, tudo está certo no lugar certo.

Sobra então um filme capenga. Tem ação, muita ação, mas não tão vertiginosa e nem que chega aos pés de coisas como a perseguição envolvendo o submarino no filme anterior. O foco agora parece simplesmente criar situações que não poderia existir dentro da suspensão de descrença da franquia sem uma carga pouco escondida de CGI. Como se estivesse agora em campos de mentiras diferentes. O esforço de se divertir com essa realidade esticada ao máximo dá lugar a apenas umas mentiras que deixariam o 007 de Roger Moore envergonhado.

A trama simplesmente não sabia mais para onde ir, então saca do limbo da criatividade um “retcom” que introduz a existência de mais um irmão Toretto, Jakob (John Cena). No caso, ele é o vilão da vez junto com um ricaço mimado filho de um ditador qualquer e que só não tem onde gastar dinheiro. Juntos eles vão atrás de um tal de dispositivo Áries, que pode controlar todas armas e satélites do mundo. Ou algo do tipo… mas não importa, já que a ideia é tão idiota que é melhor nem pensar a respeito.

Toretto e sua gangue então vão fazer de tudo para impedir Jakob de obter o sucesso em sua empreitada. Nada de novo, porém o resultado é um filme burocrático e que aposta demais na dinâmica entre os personagens, nos diálogos e na vontade de ser épico através da relação desses personagens. Não consegue e apenas desperdiça um tempo enorme do espectador enquanto esse pessoal não está voando com os carros por aí.

Portanto, enquanto o pessoal está acelerando e conversando, tudo bem, o ritmo até funciona, mesmo com os exageros, mas fora dos veículos, a impressão é que nada funciona. Os personagens tentam ser mais sérios do que deveriam, ou mais engraçados do que conseguem. Atrele a isso ainda um desperdício enorme da presença de John Cena, que tem um timming enorme para a comédia e a capacidade enorme de não se levar a sério (veja isso em qualquer filme recente de sua carreira e os anos de WWE), mas nesse nono filme sua personalidade fica resumida a grunhidos e um esforço para ser um espião sério demais e amargurado em excesso para o clima que o filme deveria ter.

“Deveria”, pois não tem. Se acha sério demais e não consegue nem explorar minimamente bem um dos momentos mais esperados da franquia, envolvendo um carro e o espaço.

Falta para Velozes e Furiosos 9 ser aquele Velozes e Furiosos que o público estava acostumado nos últimos filmes e até no spinoff comandando por Jason Statham e “The Rock”. Curiosamente, Hobbs e Shaw, além de ter a dupla de protagonistas, ainda tem aquele mesmo Chris Morgan citado mais acima nesse texto. Assim como o filme lançado de 2019 tem tudo aquilo que falta nesse nono filme: diversão e a aquele cara de pau sem limites.


“F9” (EUA, 2021); escrito por Daniel Casey, Justin Lin e Alfredo Botello; dirigido por Justin Lin; com Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Ludacris, Nathaliem Emmanuel, Charlize Theron, John Cena, Finn Cole, Sung Kang e Thue Ersted Rasmussen


Trailer do Filme – Velozes e Furiosos 9

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