Velozes e Furiosos 7 | O melhor filme da franquia

Velozes e Furiosos 7 - A despedida de Paul Walker

Em 2001, Velozes e Furiosos estreou no cinema mascarado como uma copia automobilística do sucesso dos anos 90, Caçadores de Aventura. De lá para cá, descobriu que poderia encher os bolsos como uma franquia. Foram muitos erros e acertos, há quem diga até que foram mais acertos, mas a verdade é que ele chega agora ao seu sétimo filme – Velozes e Furiosos 7 – com a disposição de uma garoto acelerando um “muscle car”: se divertindo em cada curva, mas sem deixar de fazer um monte de besteiras.

Velozes e Furiosos 7 tem então a maioria dos equívocos que a série vem colecionando desde seu quarto filme, quando descobriu que uma ótima opção para reviver a franquia seria apostar novamente na figura de Dom Toretto (Vin Diesel). Não que nas duas primeiras sequencias não tivessem ocorrido escorregões, principalmente no segundo filme, que é um equivoco enorme, mas são dois filmes depois que se tem início esse segundo momento da série e que culmina agora.

Depois de (re)apostar na dupla do primeiro (Diesel e Paul Walker), foi no filme seguinte que a série deu seu maior passo, indo para o Rio de Janeiro e aceitando se reimaginar. Misturar um pouco de Missão Impossível e 11 Homens e um Segredo com os carros tunados. E esse último filme é o resultado direto disso, e sem sombra de dúvidas acaba sendo o mais interessante de todos que vieram depois do primeiro.

“Interessante” não quer dizer necessariamente bom, afinal não é exagero apontar que nenhum é (principalmente o equivocado sexto filme), e muito menos que em termos de qualidade ele seja o melhor (talvez o terceiro seja o único que tem coragem de ser algo novo e isso conta pontos), mas são tantos carros voando, explosões, mais carros voando, frases de efeito, mulheres semi-nuas em slow motion, tiros e mais carros, que é praticamente impossível não se deixar levar por ele. Até porquê (como eu disse lá no alto) os erros são os mesmos.

E o principal deles é tão ruim que é quase um acerto. Em seu roteiro desde o terceiro filme da série, Chris Morgan enche algumas centenas de páginas de desculpas para que Toretto, Brian (Walker) e sua “família” passeiem pelo globo com seus carros turbinados e planos complicados e improváveis o suficiente para se tornarem simpáticos. É como se o roteiro de Velozes e Furiosos 7 fosse tão ruim que acabe se tornando bom.

Nele, Jason Stathan é Deckard Shaw, irmão do vilão do filme anterior (Owen Shaw, Luke Evans), e declara guerra ao grupo que o deixou em um hospital. Acontece que Deckard é algum tipo de “black ops” britânico que é capaz de acabar com qualquer exército do mundo (como a cena de abertura prova de modo engenhoso e divertido enquanto aposta na imaginação do espectador).

É essa vingança que faz o grupo de “heróis” cruzar o caminho de um misterioso operativo da CIA vivido por Kurt Russel. Entre uma cerveja Belga e outra, ele então convence Toretto a fazer um trabalhinho para ele, em troca ganha a chance de encontrar Deckard, que aparentemente é aquele tipo “inencontrável”. Acontece que, exatamente como Dom o indaga “é só eles ficarem parados que Deckard” irá encontrar eles, e isso se estende para todo e qualquer lugar que eles inventem de ir. Seja numa estrada tentando resgatar uma hacker (essa é a missão), seja em Abu Dhabi voando com um carro de uma prédio para outro. E Stathan é tão inexpressivo e mau, que é impossível não se divertir com isso.

Filme Velozes e Furiosos 7 acerta ao inovar nas cenas de ação e se torna o melhor da franquia

Melhor ainda, com a saída do sempre pouco inspirado Justin Lin (na franquia desde Desafio em Tóquio), entra o muito mais interessante James Wan (de Jogos Mortais, Sobrenatural e Invocação do Mal). E quem sai ganhando com isso é o espectador, fã ou não da série (se bem que duvido que alguém que não seja fã irá se aveturar nesse sétimo filme), já que sobra estilo para Wan.

Velozes e Furiosos 7 então inova em termos visuais e têm as melhores sequencias de ação da franquia. Nem de perto as mais verossímeis, mas com certeza as mais divertidas. Não só isso, Wan ainda dá um baile no trabalho de Lin quando o assunto é o “mano-a-mano” entre seus personagens. Talvez até se levando menos a série que o diretor anterior, Wan não se importa de encher uma sala de paredes de vidro para que Dwayne (ex-“The Rock”) Johnson quebre todas elas enquanto enfrenta Stathan. Assim como o diretor não se envergonha de repetir o movimento de câmera que acompanha certos golpes que parecem mais saídos dos ringues que celebraram a sobrancelha levantada de “The Rock”. Resumindo: pura diversão.

Paul Walker e Vin Diesel em Velozes e Furiosos 7

E não se engane, diferente do quase picareta Lin, Wan está mesmo a favor de seu espectador. Prova disso é sacar o astro tailandês de Ong Bak, Tony Jaa, para dar uma surra (em duas oportunidades) no personagem de Paul Walker (ainda que, no final, todos imaginem que leve a melhor). E não só essa como todas lutas do filme (não verdade são apenas mais quatro, incluindo uma com a campeã do UFC, Ronda Rousey) muito bem coreografadas e filmadas.

Principalmente, pois Wan sabe que uma boa, explosiva e empolgante cena de ação faz o espectador esquecer daquele monte de besteiras que o roteirista tentou colocar entre essas sequências para “encher linguiça”.

Por outro lado, uma história tão simples que o espectador acaba nem se incomodando com sua fragilidade. Um roteiro que continua se esforçando para encaixar a maior quantidade de frases de efeito em todo e qualquer diálogo, mas ainda assim, que verá tudo isso ser perdoado assim que o primeiro carro se arremessar de um avião e abrir seu para-quedas. E quando o mesmo carro ainda descer suavemente em uma estrada e acelerar, ai tudo que ficou para trás é esquecido.

No escuro do cinema ninguém irá acreditar na sobrevivência de nenhum personagem após qualquer sequência, verá tudo ultrapassar qualquer linha da razão e da física e quando no fim ainda dar de cara com uma sequência frenética envolvendo Los Angeles, um helicóptero, um drone, mísseis, prédios caindo e “The Rock” com uma metralhadora giratória, quem entrou em busca de ação irá ter a certeza que tudo mais valeu a pena.

E vale a pena também acompanhar a sensível homenagem ao finado Paul Walker, que morreu durante as filmagens e teve alguns momentos de seu personagem substituído por dublês e CGI. Uma homenagem que (com spoiler) demonstra que ele irá continuar vivo nos corações daqueles fãs que ele mesmo ajudou a criar. Ele se vai por uma estrada diferente, e, pelo menos consegue fechar sua participação da série com a impressão de dever cumprido, de um filme que aceita suas raízes e oferece aquilo que sempre se propôs, mas nunca depois do primeiro filme conseguiu: Diversão.


“Furious 7” (EUA, 2015), escrito por Chris Morgan, dirigido por James Wan, com Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Ludacris, Dwayne Johnson, Lucas Black e Kurt Russel.


Trailer: Velozes e Furiosos 7

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