Velozes e Furiosos 5

Seria ingênuo demais achar que, depois de quatro continuações, a franquia Velozes e Furiosos já na tenha demonstrado que tem lá sua força, principalmente levando-se Velozes e Furiosos 5 em conta seu público alvo, aquele que vai ao cinema atrás de muita ação, carros velozes e personagens durões. Nesse sentido, Velozes e Furiosos 5 não só acerta no alvo, como acaba conseguindo ser o que nenhuma das três sequencias anteriores conseguiu: ser uma continuação.

Ainda que o anterior dialogue o tempo inteiro com o primeiro, um roteiro pífio e a uma falta de força em suas sequencias de ação (além da má vontade com que os personagens andam por aquela trama) o impede de ser mais interessante que os dois filmes anteriores, que, mesmo mais acertados, pareciam se esforçar muito mais para sobreviver sem a imagem do Don Toretto de Vin Diesel (sendo que o segundo aposta na fraca presença de Paul Walker e o terceiro decide nem isso, tomando outros rumos). Mas tudo isso, e todos esses escorregões, parecem ganhar razão de ser já que o roteiro de Chris Morgan (responsável também pelo último, mas antes disso, muito mais acertadamente, pelos textos de O Procurado e Celular) demonstra uma preocupação válida em juntar tudo que já foi feito, pegar o que deu certo, ignorar o que deu errado e obter um resultado tremendamente mais divertido.

Para começar, nada de vinganças, missões para o governo, e adolescentes a procura de seu lugar no mundo, a história agora continua de onde o anterior parou, com o ex-agente do FBI (Walker) e a irmã de Toretto (Jordana Brewster) decidindo livrar o próprio da cadeia, o que faz com que o trio se torne procurados em todo território dos Estados Unidos e os leva para o Rio de Janeiro (lugar onde um dos personagens do primeiro filme agora se refugia). Lá, durante um trabalho, acabam caindo na armadilha de um grande bandido carioca e, por fim, decidem então armar um plano para acabar com ele.

Em algum momento disso tudo, surge ainda um grupo de “caçadores” enviados pelo governo dos Estados Unidos, liderado por um casca grossa (Dwayne “ex-The Rock” Johnson) que, pouco importa para a trama, mas, como já está lá, participa de algumas cenas de ação, tem seu quebra-pau obrigatório com o personagem de Diesel e, no final da contas, faz o que acha que é certo (além de servir de gancho para o próximo filme em um sequencia pós-créditos).

E é isso mesmo, Velozes e Furiosos 5 poderia ser desmembrado em um monte de sub-tramas e personagens (já que ele vai buscar um monte de caras conhecidas de cada filme anterior para divertir os fãs), que, sinceramente, pouco importam para o resultado final. Mas quem percebe isso enquanto o diretor Justin Lin (também responsável pelos dois anteriores) faz sua lição de casa? Ninguém.

Se existe um jeito mais fácil roubar alguns carros de dentro de um trem em movimento que não seja do modo complicado exercido pelos os personagens, ou até uma opção melhor para carregar um cofre para fora de uma delegacia de polícia de modo mais fácil (ainda que nesse caso o próprio roteiro se encarregue de dar uma desculpa palpável), isso é logo esquecido, já que Lin, e sua câmera, parecem se divertir com tudo isso, com essas enormes sequencias de ação e toda essa adrenalina que corre pelas veias de Velozes e Furiosos 5.

Talvez um pouco como peças soltas, ou melhor, ainda, um cimento para unir toda essa ação, tanto seus personagens, quanto a própria trama, acabam, no final das contas, criando uma unidade surpreendente, fazendo com que, provavelmente, somente um pedaço pequeno de seu público fique pelo caminho (talvez aqueles que não conseguirem entrar no ritmo). Do mesmo jeito que, quem for à procura de um filme da franquia, não vai se decepcionar nem por um segundo.

As perseguições, a dinâmica entre os personagens, as corridas clandestinas (com as mini-saias e tudo mais), tudo está lá, melhor ainda, embalado agora por um pacote de filme de roubo com um planejamento (e uma conclusão) que deixaria os onze amigos de Danny Ocean orgulhosos. Uma novidade interessante para quem vai ao cinema esperando apenas meia dúzia de perseguições.

E para os chatos de plantão, que apontarão uma enorme falta de respeito com a “Cidade Maravilhosa”, fica a impressão de que Velozes e Furiosos 5 e o Rio de Janeiro tenham nascido um para o outro. Mesmo repetindo um punhado de takes sobrevoando a cidade (passando perto do Cristo Redentor devem ser uma meia dúzia), Justin Lin não consegue esconder o quanto se diverte com aquelas possibilidades, com esse Rio de Janeiro vivo, com suas ruas e com suas pessoas (muito mais que o feliz e colorido Rio, que parece preocupado demais somente com os cartões postais.)

Filme Velozes e Furiosos 5

Com as favelas (com ou sem os sotaques dos personagens) em mãos, Lin se permite usar dessa geografia única para abrir grandes planos com os personagens correndo sobre os tetos (assim como não deixa a ponte Rio – Niterói escapar ilesa), fazendo, sem sombra de dúvida, a capital carioca um pedacinho de Hollywood. Aquele mesmo pedacinho onde toda perseguição é permitida, tudo explode e um monte de carros voam pelos ares. Resumindo: diversão pura e simples.

Por outro lado, em um equívoco incômodo, esse mesmo roteiro que se mostra tremendamente firme em sua estrutura, assim como essa direção à vontade com seu ritmo, acabam só escorregando nas horas que se esforçam para criar uma certa profundidade (como a conversa sobre a paternalidade e a lembrança do amor passado de Toretto), que só torna o filme um pouco mais longo do que deveria e não parece saber a hora de acabar (ainda mais quando o objetivo e segurar seu público para a tal sequencia depois dos créditos). Como se, com o temor de perder em termos narrativos optassem por não deixar nada “no chão da sala de montagem”, o que acaba sendo um pouco chato e pontual.

Mas de verdade mesmo, quem se importa com tudo isso? Já que os carros estão lá, assim como Vin Diesel também, sendo… Vin Diesel, marrento, simpático e com Nitro suficiente para mais algumas sequencias cheias de velocidade e fúria.


Fast Five (EUA, 2011), escrito Chris Morgan, dirigido por Justin Lin, com Vin Diesel, Paul Walker, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Matt Schulze, Dung Kang, Gal Gadot, Ludacris, Dwayne Johnson e Joaquim de Almeida


Confira a crítica de Velozes e Furiosos 6

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