Uma Vida Comum

Uma Vida Comum

Quase sempre é complicado falar de morte no cinema e não se tornar piegas e melodramático. Talvez um assunto que tenha tanta tristeza envolvida que fugir disso seja um esforço tão grande que Uma Vida Comum Posterquando tem sucesso, quase sempre resulta em filmes sensíveis. Uma Vida Comum tem tudo isso, de ambos os lados, mas não perde a mão e acerta em cheio.

Nele, Eddie Marsan vive John May, um funcionário público de uma pequena cidade inglesa que tem a função investigar, procurar e catalogar os falecimentos sem parente próximo à ser localizado. Mr. May então é como um arauto da morte, mas com a consciência e o respeito de que quem se foi merece o respeito até em uma partida solitária.

Uma Vida Comum começa assim, com o personagem sozinho no velório de um desses falecidos, a cerimônia dá lugar a outra, e depois a outra, várias religiões, mas sempre a mesma solidão e o mesmo respeito. May acaba então recebendo o aviso “não tão prévio” de que serpa despedido, o que o faz a ir até onde for possível para “fechar” um último caso.

A ideia vem do roteiro de Umberto Pasolini, que aparentemente nada tem a ver com o diretor italiano de mesmo sobrenome, mas curiosamente é sobrinho de outro diretor do mesmo país, Luchino Vinstonti. E ainda que isso tudo seja apenas uma curiosidade, Pasolini em seu segundo filme tem a sensibilidade de um grande diretor. E isso é meio caminho andado para o sucesso de Uma Vida Comum”.

Uma Vida Comum Critica

Uma sensibilidade que passa pela história desse homem que acaba enxergando nos outros (mais precisamente nesse último “caso”) ele próprio, não só como um reflexo na janela, mas como todo o resto. É daí que sai então essa vontade dele de descobrir quem realmente é esse cara, ao mesmo tempo que acaba descobrindo a oportunidade de viver um pouco dessa vida. Um caminho que lhe mostra mais uma vez aquilo que já estava cansado de saber, mas quase nunca conseguia provar e acabava vendo seus outros investigados serem esquecidos das prateleiras dessa repartição pública.

Sr. May então vai em busca da prova de que todos foram alguém e, com isso, deixaram sempre suas marcas e lembranças nas vidas de outros. Quase um desespero de provar a si mesmo que ele próprio não passará desapercebido da vida de ninguém, mesmo que o faça, no final das contas através da vida (ou morte) de outros.

E se com isso em mãos, Pasolini decide tomar o caminho mais óbvio, mesmo que soando um tanto quanto melodramático, sabe que só assim conseguirá provar esse ponto de vista otimista. Como se lembrasse que mesmo que por alguns poucos momentos você consiga fugir de tudo aquilo que você se acostumou a fazer por anos e anos, uma vida curta ainda assim pode ser valiosa o bastante para que no final dela você seja lembrado, seja por um olhar curioso, seja pelo respeito de todos aqueles que você sempre respeitou.


“Still Life” (RU/Ita, 2013), escrito e dirigido por Umberto Psolini, com Eddie Marsan, Joanne Froggatt, Karen Drury e Andrew Buchan


Trailer – Uma Vida Comum