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Um Jantar para Idiotas | Mais esquisito do que engraçado


Para quem não ligar o nome à pessoa, aqui uma leve filmografia de Jay Roach: ainda que tenha acertado com Entrando Numa Fria, fez questão de estender a ideia demais em Entrando Numa Fria Maior Ainda além de ser o responsável (ou irresponsável) por uma trinca de Austin Powers. Com tudo isso, mesmo assim é difícil entender como ele conseguiu chegar a um nível tão baixo quanto em Um Jantar para Idiotas (que, por sua vez é a refilmagem de uma comédia francesa de 1998).

E não que o problema seja a falta de criatividade, na verdade não o é, muito pelo contrário até, já que é preciso muita imaginação para chegar a um resultado como esse, de um tremendo mau gosto, sem graça, cansativo e completamente sem rumo.

Na história, Paul Rudd é Tim, um executivo que acaba conseguindo a oportunidade de subir de cargo em sua empresa graças a um novo cliente suíço que ele consegue levar para lá, mas antes disso, tem que passar por uma espécie de prova do fogo: o tal jantar que dá nome ao filme. Nele, cada um dos funcionários da empresa (não a ralé, mas sim só os diretores) tem que levar um idiota para que todos possam rir de suas idiotices (por mais cruel que isso possa parecer, e é obvio que é um prato cheio para pintar, mais ainda, esse lado mau-caráter de seus futuros colegas, um atalho fácil e frágil demais).

Atormentado por essa obrigação (o que, em mais um atalho bobo) Tim acaba dando de frente com Barry (Steve Carrel) um cara que faz pequenos cenários com ratos embalsamados, trabalha para o Imposto de Renda e consegue ser a pessoa mais imbecil da face da terra. Não só isso, do momento do encontro deles até à hora do tal jantar, Barry simplesmente acaba com a vida pessoal, sentimental e profissional de Tim, e o pior de tudo isso, de modo que extrapola uma simples imbecilidade e esbarra em algum problema mental grave do personagem.

É mais que normal ficar assustado com o quanto o personagem de Carrel é mentalmente deficiente e sobra uma impressão um tanto quanto doentia quando o diretor Jay Roach parece se esforçar para que seu espectador dê risada disso. Não que isso esbarre em um politicamente correto ou qualquer outra baboseira, simplesmente é incômodo ver esse cara triste (trágico até), sozinho e vendo em Tim seu único amigo, alguém que devia estar sendo tratado em centro psicológico, ou sob medicamentos fortes, mas aqui serve como aposta única de risos. Ainda mais quando o roteiro não parece fazer a mínima idéia de onde quer ir.

Talvez Jantar para Idiotas perca a oportunidade de juntar logo esses personagens bizarros e apostar mais em uma comedia rasgada, onde os chamados idiotas possam ter mais espaço, mais piadas e mais momentos nas costas do sempre engraçado Zack Galifiankis, e não em uma comédia pontual, com a dupla de personagens pulando de situação em situação, em sketches desconexas, repetitivos e cheios de buracos e, no final das contas, ainda querer ter uma conclusão feliz onde todos viram amigos e todo aquele desastre pode ser divertido, ainda que seja difícil se livrar da imagem doentia daqueles ratos defuntos vestidos como pequenas bonecas (assim como da impressão que Roach parece achar que isso seja o suprassumo da comédia e não mais uma piada de mau-gosto).


Dinner for Schmucks (EUA, 2010), escrito por David Guion e Michael Haldelman, a partir do filme Le diner de Cons de Francis Vebe , dirigido por Jay Roach, com Steve Carrel, Paul Rudd, Zach Galifianakis, Stephanie Szostak, Lucy Punch, Bruce Greenwood e Ron Livingston.


12 comentários em “Um Jantar para Idiotas | Mais esquisito do que engraçado”

  1. não é um filme fácil de se assistir, claro … é uma comédia apenas para pessoas inteligentes, quem achou o filme ruim, se habilitou a ser convidado para o jantar kkkk

  2. Paulo Barbosa

    Adorei…se vc quer dar umas boas e inocentes risadas, esse é o filme!!!

  3. Vinicius Carlos Vieira

    Caro Vinícius, vulgo xará, perceba a enorme ironia de suas palavras, primeiro você considera a profissão (ou hobby) de críticar (e analisar) os filmes, algo estupido e leviano (e eu sei que isso não é velado a mim), ao mesmo tempo, você escreve uma crítica sobre profissão de crítico, o que torno então um crítico, assim como eu, só que de assuntos diferentes, eu de um assunto que eu estudo para dominar e que me permite analisar a obra e discutir seus defeitos e predicados (tecnicos ou não) e você, literalmente, “chutando lata”. Então, não acho que você não deva fazer essas críticas, só acho que elas precisam ser feitas diante de um pouco mais de contexto ao invés de ficar parecendo apenas uma “trollagem” (coisa que eu não acho que seja, mas que é o que fica para os outros leitores)….

  4. Hoje, dia 31/01/2012, lendo esse texto, eu tive a confirmação de algo em que sempre bati na tecla desde que me entendo por gente. Tanto crítico, ou, como mais indicado nesse caso, pseudo-crítico, de cinema, é uma profissão (ou hobby) extremamente estúpida. Mas você, caro xará autor desta análise, não pense que isso é uma ofensa velada a você. Não é a minha intenção. Eu só penso ser deveras idiota, leviana, a idéia de se analisar um filme por qualquer aspecto do ponto de vista não-técnico, tendo em mente que gosto é algo completamente subjetivo e pessoal, ainda mais quando se trata de uma comédia, o que faz os supracitados críticos, estes sim, se assemelharem a verdadeiros idiotas ao altivamente, do alto de seus sublimes tronos, declararem o veredito: “Presta. Genial”, “Não presta. Porcaria”, mas não sem uma boa dose de prolixidade, para parecerem mais intelectuais e conhecedores do assunto, é claro.

    O pior é saber que alguns (estes sim, espertos, mas não menos egocêntricos, por elevarem suas meras opiniões ao mais alto patamar de verdades absolutas e indubitáveis) são pagos para emitir opiniões pelos outros. Deprimente.

  5. Vinicius Carlos Vieira

    Valeu Paulo, sempre é bom um insulto na hora do café da manhã….

  6. uma critica estupida de um idiota que tenta passar uma imagem de intelectual para aqueles que ele considera como seguidores de sua suposta capacidade de dizer o que é o bom e o ruim no cinema, provavelmente por ser uma pessoa sem nenhuma motivação para simplesmente divertir com algo,sem se preocupar em buscar motivos para apontar erros e procurar preconceitos(unicamente para se estabelecer como senhor e pelo que vi nos comentários abaixo senhores da razão e da ética do certo e do errado),essa comédia foi criada para simplesmente divertir não para ofender ou humilhar ninguém,vc sentiu o personagem Esteve Carrel sendo atacado,por vc mesmo ser de fato uma pessoa preconceituosa que se acha no direito de alegar quem é mentalmente deficiente por possuir passatempos extravagantes,todos vcs não somente o autor desse ato preconceito são sinceramente dignos de pena.

  7. O pior que o cara da locadora, indicou o filme, falando que nunca deu tanta risada na vida. PQP, foi um dos piores filmes que eu já assisti.

  8. Marcelo Sperb Marques

    Fui para a internet verificar se estava ficando louco ou coisa parecida…obrigado pelos seus comentários, fiquei aliviado (meu filho tb) o filme é o fim, muito ruim…VALEU A AJUDA KKKKK

  9. Concordo totalmente com vc, esse filme nunca passou perto de ser uma comedia, é uma besteira forçada atras da outra, não existe conexão entre uma cena e outra. Um desastre cruel de maldade ( bully). Pior filme que já assisti em toda minha vida, com um final moralista que não combinou nada com o filme inteiro. Quase duas horas perdidas na minha vida

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