Turbo

O cinema adora contar a história do underdog, de alguém que, aparentemente sem chance alguma, consegue driblar os obstáculos e conquistar seus sonhos. Turbo é mais um exemplo disso, e provavelmente perde espaço pela proximidade com Universidade Turbo PosterMonstros, mas é uma animação adorável e eficiente que também merece ser vista.

Theo, auto-apelidado Turbo, é um caracol de jardim que passa seus dias trabalhando em uma horta de tomates ao lado do irmão e sonhando com carros velozes, a Fórmula Indy e em, algum dia, ser ele mesmo veloz. Até que ele acaba indo parar dentro do motor de um carro e, após um incidente envolvendo nitrogênio líquido, ganha características de um carro: faróis, rádio e, claro, a capacidade de atingir 300 km/h. Ele e o irmão, Chet, acabam se juntando a um grupo de caracóis que, mesmo sem poderes especiais, adoram velocidade e aventuras, e a Tito, que acredita que Turbo pode mudar sua vida – afinal, o restaurante de nachos que gerencia com o irmão, além dos negócios de seus amigos, enfrentam dificuldades, e poderiam se beneficiar da popularidade do “caracol mais veloz do mundo”. Tito, então, inscreve o animalzinho na Indy 500.

A Dreamworks pode não ter a popularidade da Disney ou a genialidade (cada vez menos perceptível) da Pixar, mas, nos últimos anos, vem construindo um bom currículo de animações – que inclui, por exemplo, os excelentes Fuga das Galinhas, Por Água Abaixo, Monstros vs. Alienígenas e Como Treinar o Seu Dragão. O estúdio tem se saído melhor, porém, quando se trata de protagonistas femininas (o que a Disney ainda acha ser sinônimo de “filme de menina”) e diversidade racial: Turbo, por exemplo, conta com personagens humanos latinos e asiáticos, e até mesmo o elenco original de dubladores dos caracóis, que inclui Maya Rudolph, Samuel L. Jackson e Snoop Dogg, é diversificado.

Turbo tem um senso de humor bizarro e eficiente: ao invés de recorrer a gags bobinhas que tem o único propósito de fazer rir (e mesmo nisso falham), insere piadas que fazem sentido na narrativa, como quando os caracóis reparam Turbo no “box”, ou quando Tito e seus amigos apareçam com camisetas brancas básicas simplesmente estampadas com as palavras “Time Turbo” e o narrador exclame: “É impressionante o que uma impressora doméstica faz hoje em dia!”. Em tempos de redes sociais e memes, por exemplo, faz todo sentido que uma frase dita por um garoto no vídeo que gravou quando Turbo demonstra suas habilidades na pista da Indy – “Como é veloz!” – se torne título do single que a equipe do caracol lança na internet logo em seguida. Além disso, é claro, a história se ambienta em um mundo que vê um caracol se inscrevendo em uma corrida de automóveis, inicialmente, como um obstáculo burocrático – as regras permitem isso? -, mas nunca questionam como Turbo consegue fazer o que faz.

Turbo Filme

É tocante a forma como, de início, Turbo acredita que precise de uma estrela cadente para realizar seus desejos e, durante sua trajetória, perceba que ele próprio exerceu esse papel para Tito – cuja relação com o irmão, Angelo, espelha perfeitamente a de Turbo e Chet. Essas são as relações mais importantes do filme, que abandona a batida subtrama de “conquistar a garota” (afinal, Brasa se interessa por Chet), além da camaradagem e da união que, aos poucos, surge entre os personagens.

Turbo poderia, portanto, ter explorado melhor seu próprio universo e as figuras fascinantes que o habitam, ao invés de tornar-se, ultimamente, uma história cuja lição é “não há sonho grande demais e sonhador pequeno demais”.


Turbo, escrito por Darren Lemke, Robert D. Siegel e David Soren, dirigido por David Soren, no original com vozes de Ryan Reynolds, Paul Giamatti, Michael Peña, Samuel L. Jackson, Luis Guzmán, Bill Hader, Snoop Dogg e Maya Rudolph.


Confira o Trailer de Turbo

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