Tudo Bem No Natal que Vem | A premissa é boa… mas só isso


Todo filme de Natal tem uma mensagem positiva e que te faz pensar a respeito da vida durante o feriado. Não precisa ser nada muito criativo ou surpreendente, basta um pequeno fio de otimismo e o filme já cumpre o que prometeu. Tudo Bem No Natal que Vem tem uma mensagem bacana, ainda que no resto do tempo falhe em tantos pontos que seja difícil simplesmente sair dele empolgando com tudo que aconteceu.

A premissa é boa e acompanha Jorge (Leandro Hassum), um pai de família que teve o azar de ter nascido no mesmo dia do Natal, o que o faz odiar a data e, consequentemente, a celebração com a família da esposa Laura (Elisa Pinheiro). O problema é que em uma dessas festas ele acaba caindo do telhando e acordando no mesmo dia 24 de dezembro, mas do ano seguinte.

Tudo Bem no Natal que Vem é uma espécie de Feitiço do Tempo com um looping seletivo, já que Jorge não repete o dia, mas sim pula o resto do ano inteiro e só se lembra do que aconteceu nas vésperas de Natal. Durante os outros dias, o Jorge acaba vivendo uma vida que parece não ser aquela que o “Jorge de Natal” acha a melhor. A ideia parece complicada, mas a estrutura é simples e é o pontapé inicial para Jorge descobrir que está tomando as decisões erradas e deixando aquele “jovem Jorge” mais longe do que ele achava ser a vida que queria.

O filme é escrito pelo mesmo Paulo Cursino que está por trás de uma série de comédias de sucesso no cinema nacional, incluindo mais um monte com o próprio Leandro Hassum e ainda aquelas com a Ingrid Guimarães e até o recente No Gogó do Paulinho. Portanto, não espere muito mais do que um humor fácil e uma mensagem tão clara que será jogada na cara do espectador uma meia dúzia de vezes antes do final do filme salientar mais uma vez essa mesma ideia.

A trama ainda resolve apelar para as lagrimas do espectador com um momento muito mais doloroso do que o resto da história estava preparado. É lógico que isso levará muita gente às lagrimas, mas a decisão sai do mais absoluto lugar nenhum, sem nenhum preparo ou desenvolvimento narrativo, o que acaba soando artificial, mesmo que muita gente fique por ai chorando com ela. Curiosamente, momentos antes desse ponto, o mesmo Cursino consegue matar dois cachorros e ainda fazer o espectador dar risada disso, o que leva a crer que o problema não é a ideia, mas sim a necessidade de criar essas lágrimas para ser lembrado como um daqueles filmes que fizeram todo mundo chorar.

Já o humor do filme fica preso entre piadas fraquinhas, um Leandro Hassum descontrolado e poucos acertos. E em todos três casos o responsável pela falta de capacidade de encaixar o material parece ser o diretor Roberto Santucci, que está com Hassum, Cursino e Ingrid Guimarães naqueles “mesmos filmes de sempre”. É logico que seu ritmo de comédia funciona, do contrário não teria tantos filmes sendo sucessos de bilheteria nos cinemas, o problema é o quanto ele “só funciona”.

Santucci não controla seu próprio filme. As piadas parecem ficar mais tempo na tela do que deviam, principalmente, pois Hassum parece ter uma necessidade sem controle de fechar cada cena com uma careta ou uma frase que parece não estar no roteiro. O clima meio bagunçado pode até agradar um público que exige menos dos filmes do gênero, mas com certeza afasta quem se interessa por um material um pouco mais complexo e desafiador. As risadas de Tudo Bem no Natal que Vem são mais do mesmo e, com certeza, chegará um momento onde isso não será mais suficiente para agradar esse público fiel.

De qualquer jeito, isso não irá acontecer agora, principalmente em Tudo Bem no Natal que Vem, já que a mensagem bonitinha e cheia de esperança, em parceria com um punhado de piadas que funcionam e as lagrimas, mesmo explicitamente apelativas, ainda farão com que o filme seja um passatempo de Natal que funcione, mesmo sem ser muito criativo ou surpreendente, mas com um fio de esperança e otimismo que carrega os filmes de natal por aí.


“Tudo Bem No Natal Que Vem” (Bra, 2020); escrito por Paulo Cursino; dirigido por Roberto Santucci; com Leandro Hassum, Elisa Pinheiro, Louise Cardoso, José Roberto Chachá, Rodrigo Fagundes, Lola Fanucchi e Danielle Winits


Trailer do Filme – Tudo Bem no Natal que Vem