Splice – A Nova Espécie

por Vinicius Carlos Vieira em 16 de Abril de 2011

O americano com nome de italiano Vincenzo Natali pode parece desconhecido, mas no final dos anos 90 dirigiu o filme que, não para poucos, mudou um pouco os rumos tanto que a ficção científica, quanto o terror, poderiam tomar. O filme era o canadense e sufocante O Cubo. Hoje, mais de uma década depois, bem verdade, Natali não fez mais nada que prestasse, e seu Splice – A Nova Espécie não faz nada para ir contra isso.

E ainda que, muito embora,Splice tenha toda essa cara de grande produção com Adrian Brody (aquele que ganhou o Oscar por O Pianista e recentemente esteve em Predadores), Sarah Polley (que os amantes do gênero terror devem se lembrar no remake Madrugada dos Mortos) e um visual cheio de efeitos. Mas, bem ao contrário disso, Natali, desde o começo, não consegue suprimir essa veia de filme “B”, escrevendo os nomes do elenco (nos créditos iniciais) nas paredes internas de algum ser vivo, com veias e tudo mais, acompanhado de uma música que não se contem e caberia perfeitamente na trilha de qualquer filme de terror ruim, um clima que, definitivamente não cria muitas expectativas.

É justamente esse começo espalhafatoso que acaba minando mais ainda qualquer chance de Splice ser levado a sério, ainda que, no resto do tempo, e até o final totalmente descontrolado, pareça tremendamente preocupado em criar uma ficção científica/terror (meio psicológico até) que discute assuntos pertinentes.

A ficção científica vem desse casal de cientistas que, ao prosperarem na criação em laboratório de uma criatura hibrida de um monte de outras espécies, um avanço genético que pode ajudar em uma série de doenças, acabam então, mesmo contra seus chefes, decidindo passar para um próximo estágio, onde testam uma variação disso com DNA humano. O terror, vem do momento em que um dos personagens pergunta para o outro, depois de ter uma surpresa com essa nova espécie, “o que foi aquilo?”, e o outro responde “Um erro!”.

Por mais que a idéia geral seja cientificamente interessante e, por um segundo, Splice até arranhe uma certa discussão moral, seu roteiro, escrito pelo próprio diretor em parceria com Antoinette Terry Bryant e Doug Trayler (que vem de uma carreira calcada em roteiros de filmes para lá de “B”, até com uma parceria com Uwe Boll em Em Nome do Rei), parece mesmo preocupado e se apoiar nos bons e velhos conflitos que movem as tramas mais simples que o cinema se acostumou a ver.

Enquanto carrega a personagem de Polley com um contexto onde sua personagem sofreu algo com a mãe, o que a impede de querer ter filhos com o personagem de Brody, o mesmo fica nesse meio termo entre sua responsabilidade como cientista e um certo complexo de Dr. Frankstein. Tudo isso é desenvolvido de modo nada sutil e sem a mínima surpresa, portanto, é fácil ver Splice cair nesse emaranhado de mães projetando filhos em monstros, filhos monstros projetando pais e assim por diante. Sem contar ainda com um desfile freudiano que passa por complexos de Elektra, Édipo e, por que não, até em uma mudança de identidade sexual (tudo isso salpicado com um tempero de incesto e até estupro).

Mas não se assuste, Splice não é um daqueles filmes pesados e soturnos, e essa leitura toda, por incrível que pareça, pode até passar despercebida, já que Vincenzo não esconde sua vontade de pintar todo seu cenário com sangue, criaturas repugnantes e um final para lá de fantasioso e que não parece nem caber no resto do filme como um todo.

Pior ainda, mesmo com alguns efeitos especiais competentes, e cheios de estilo no que se propõe, Splice perde a mão ao não ter uma contagem de corpos suficientes para ser um filme de terror, nem explorar o científico da ficção o bastante para ficar nesse gênero e, por fim, ter receio de desenvolver demais esse lado psicológico e ir de encontro a um drama, caindo então em um resultado sem força, que joga luz sobre um leito de morte como se achasse estar fazendo a composição mais plástica do e o faz achando ser suficiente, mesmo que, bem verdade, ainda falta muito para chegar onde quer que ele estivesse querendo chegar.

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Splice (EUA/Can/Fra, 2009), escrito por Vincenzo Natali, Antoinette Terry Bryant e Doug Taylor, dirigido por Vincenzo Natali, com Adrien Brody, Sarah Polley e Delphine Chanéac.

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12 Comments

  1. O filme é muito cheio de exageros, como o moço que escreveu disse, tem muito carnaval para um filme, o que deixou meeeee sem noção

  2. Jonas, você ficaria surpreso com o que as pessoas fazem…. abração e muito obrigado pela sua presença aqui… perdendo seu tempo e coisa e tal…

  3. Gostei bastante do filme, desde o começo, ate o final. E com um final com cara de um segundo filme; seria bem interessante uma continuação com uma mulher que da a luz a uma criança mutante, filha de uma esperiencia genetica.

  4. CONTEM SPOILERS CONTÉM SPOILERS

    O filme é bom, desde o começo até o final da segunda parte, com a criação de Dren, seu desenvolvimento e sua relação com os cientistas a coisa até que rola de maneira curiosa.

    Ficamos aguardando aquele ser com mente de adolescente entediada “dar a louca” e sair por aí seja arrasando tudo, seja conhecendo de forma deslumbrada o mundo.

    O envolvimento sexual dela também poderia ter sido explorado, ja imaginou que trama seria, a competição entre Dren, e a cientista, mais a posição moral e sexual do carinha?

    Infelizmente essas implicaçoes foram mal, ou nem mesmo abordada, pois a terceira e última parte do filme se apressa, em matar todo mundo e transformar a Dren inocente e curiosa, num ser violento e vingativo.

    Essa parte derruba todo bom desenvolvimento das primeiras partes e dá ao expectador a impressão de que foi feito de imbecil ao ser apresentado à toda uma sequencia que desembocaria de um jeito, e receber um “final surpresa” sem noção (ok a mudança de sexo da Dren, já havia sido anunciada logo no começo da segunda metade, mas bem que poderia ter sido descartada, ou trabalhada de outro jeito, sei lá).

    Fiquei com a impressão de ter visto um filme com um final enxertado. Por isso não dou nota máxima.

  5. o filme até que foi legal, comparado ao primeiro que assisti na noite: poderes sem limites acho que era esse! em alguns pontos supriu minhas espectativas…. bem melhor que crepúsculo!!!!! leso#

  6. queria saber o final do filme, pois pra mim ele só chegou na metade, o resto acho que cada um vai ter que adivinhar como seria, uma humana gravida de não sei de que especie, o que nasceu?

  7. porra divulga crepusculo esse filmezinho chato pra caralho e deixa esses filme bons em segundo plano um dos melhores filmes que já assisti

  8. O filme usa o tema da moda (pelo menos era moda há alguns meses): experiência genética utilizando o DNA humano junto com o de vários animais. Claro que… (Leia o meu comentário, na íntegra, no blog pedacosdeu )

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