Se Eu Ficar

Se Eu Ficar Filme

Se você chora fácil, leve lencinhos para ver Se Eu Ficar. O drama, baseado no livro homônimo de Gayle Forman, tem momentos que funcionam, mas um roteiro fraco nos diálogos e forte demais no apelo emotivo faz com que o resultado geral seja mediano para Se Eu Ficarruim. E deixa aquela impressão de que poderia ter sido melhor.

Se Eu Ficar conta a história de Mia Hall (Chloë Grace Moretz), um prodígio do violoncelo que, após um acidente de carro, fica em coma e tem de decidir se vai “ficar” ou “ir” em definitivo. A história é narrada pela protagonista, que assista a tudo fora de seu corpo, e permeada de flashbacks que contam sua vida, em especial a relação com a família e com o namorado, o aspirante a rockstar Adam (Jamie Blackley).

A narrativa que vai e volta no tempo confere ritmo ao filme e é, provavelmente, um dos pontos mais fortes da produção. A atuação natural do elenco ajuda a construir o clima da história, e o grande entrosamento dos atores passa verossimilhança para quem assiste. Moretz segura bem a maioria de suas cenas, mas há momentos em que se mostra limitada – em especial quando a protagonista exige mais entrega, sua performance nunca “chega lá”. Blackley está bem como Adam, ainda que não seja um personagem muito complexo. O destaque fica para os pais (Mireille Enos e Joshua Leonard) e avô (Stacy Keach) de Mia, que conseguem montar performances desenvolvidas e desenvoltas, mesmo com a falta de grandes conflitos para seus personagens. O contraste das atuações destaca as limitações de Moretz, talvez ainda pela pouca idade, talvez pelo tom mais sombrio da trama de sua personagem.

Se Eu Ficar Filme

O roteiro, porém, é o grande ponto fraco de Se Eu Ficar. Com falas clichês e melosas, ele apela demais às emoções do espectador. Quer dizer, a história já é triste por natureza, os adendos que gritam “chore agora” são completamente desnecessários e acabam causando o efeito contrário – cortam o clima da coisa toda. O excesso de romance e de frases feitas escritas para o duo de protagonistas pode funcionar nas páginas, mas em voz alta soam clichê e pouco verossímeis. Alguns momentos beiram à vergonha alheia.

É uma pena, pois a história tem potencial para muito mais. Um trabalho mais a fundo com a protagonista, um roteiro mais polido e uma edição geral dos clichês já fariam grandes diferenças no drama de R.J. Cutler. Faz chorar? Sim. Mas não é o suficiente: poderia ser muito mais.


If I Stay” (USA, 2014), escrito por Shauna Crossdirigido por R.J. Cutlercom Chloé Grace Moretz, Jamie Blackley, Mireille Enos, Joshua Leonard e Stacy Keach. 


Trailer do filme Se Eu Ficar

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