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Resident Evil 4: Recomeço

Residente Evil: Afterlife (EUA, 2010) escrito e dirigido por Paul W.S. Anderson, com Milla Jovovich, Ali Larter, Wentworh Miller, Kim Coates e Boris Kodjoe

Por Vinicius Carlos Vieira

Depois de comandar o primeiro “Resident Evil” e apenas aparecer na produção das duas sequencias, Paul W.S. Anderson volta às rédeas da franquia mais uma vez, porém deixando dar com os burros n´agua quem pensava que seria para colocar ordem na zona toda. Anderson regressa somente para se divertir. “Resident Evil 4: Recomeço” é ruim de doer mas ao mesmo tempo é um passatempo divertidíssimo.

Se no começo o que o espectador ganha é uma tentativa de fechar algumas pontas soltas do anterior, com Alice (Milla Jovovich) e seu bando de clones invadindo uma base subterrânea da Umbrella Corporation, em uma Tóquio devastada pelo vírus que transformou todos em zumbis, o que se vê depois disso é pura perda de tempo. Logo, a trama acaba passando para um prédio no meio de Los Angeles, onde Alice e Claire (Ali Larter) retornam sua parceria do filme anterior e tentam escapar para o último refúgio da humanidade.

É lógico que para saírem de lá e chegarem a qualquer lugar precisem, antes de qualquer coisa, se livrarem de uma horda de zumbis e mais um cara enorme com um saco de pano na cabeça e um martelo/machado. E é ai que a diversão tem início.

Na verdade ela começou um pouco antes, desde o primeiro frame do filme, onde Anderson mostra o que se pode fazer com muita grana, slow motion e 3D de verdade. “Resident Evil” pode ser sobre zumbis, mas essa terceira sequencia é muito mais sobre visual, sobre como usar essa nova tecnologia (que está enchendo os bolsos de James Cameron com alguns trocados) sem vergonha de explorá-la do jeito mais comercial possível. Desde os primeiro instantes, o que o espectador vê é aquela sensação de profundidade que viu em “Avatar” e que se perdeu no amontoado de produções que “tresdeficaram” seus filmes depois de feitos.

E só por essa razão já merece ser conferido, pelo belo uso do 3D e pela vontade de Anderson de deixar seus espectadores se divertirem com isso. Sua câmera lenta está ali para deixar todos aproveitarem esses momentos, o número enorme de partículas e pedaços de algo voando dão as caras para criar essa impressão de cada coisa em seu lugar, a sequencia na água turva só acontece para dar o vislumbre do quanto essa nova tecnologia pode ser usada para criar um visual único, assim como o Bullet Time (aquele onde a câmera gira em volta da ação com ela parada) se mostra uma ótima pedida em 3D.

Isso se reflete no roteiro escrito pelo diretor, que se resume a uma procura de desculpas para serem exploradas visualmente. Alice não enche suas espingardas de cano cerrado com moedas para compor algum lado de seu personagem, mas, única e exclusivamente, por que isso fica bonito à beça quando voa na direção do espectador. Portanto, o melhor é não procurar muitas explicações pela trama, que poderia certamente ocupar nem meia página de roteiro, já que, durante quase todo filme pouco acontece, ainda que todos se divirtam muito com tudo, por mais paradoxal que isso possa parecer.

No fim, Anderson ainda dá aos fãs da série a certeza de que toda essa verborragia 3D terá uma continuação, sem se preocupar muito com o quanto isso vale a pena ou não, nem se isso tudo faria sentido, mas quem se importa, contanto que essa sua vontade de se divertir continue.

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