RED 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos


É realmente curioso sair do cinema após ver RED 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos e perceber que, realmente, não existe nada de novo e interessante nesse segundo filme. Absolutamente razão alguma para que saia do papel, contando quase a mesma história, explorando a mesma estrutura e implorando para que o espectador se divirta com quase tudo que já viu no primeiro.

O irônico é que isso tudo não cria um filme descartável, mas sim extremamente genérico, onde tudo parece surgir para que quem gostou do primeiro mate a saudade, principalmente, dos personagens. E sim, eles continuam sendo a melhor coisa do filme, principalmente o talentosíssimos John Malkovich e a extraordinária Helen Mirren.

Do lado dele, mais uma vez dando um show como Marvin, amigo paranoico e completamente maluco do protagonista Frank Moses (Willis), a dupla acaba perseguida pela CIA (mais uma vez) por uma missão antiga (como no primeiro) e que acabam tendo que viajar por um monte de cidades (agora indo para a Europa) em busca de respostas, e da oportunidade de encontrar mais um zoológico de ex-espiões e mercenários, cada um com seu momento e suas piadas. Lógico ainda que, enquanto isso, precisam fugir de um assassino coreano vivido por Byung-hun Lee (também conhecido como o Storm Shadow dos filmes dos GI Joes).

Ao lado dos dois ainda aparece a sempre simpática Mary-Louise Parker, namorada de Moses, sempre empolgada com a ação e, dessa vez, ainda servindo de alívio cômico para que o roteiro de Jon e Erich Hoeber explore uma certa crise no relacionamento dos dois personagens. Detalhe que acaba sendo um dos pontos divertidos do filme, mas fica tão em segundo plano de uma série de McGuffins que quase passa despercebido.

E são, justamente, esses McGuffins que mais atrapalham o filme, já que parecem servir única e exclusivamente para empurrar o trio de uma capital europeia para outra, tudo devidamente apresentado com um “plano de agência de viagens” bem aberto e um o nome pulando na tela (logo depois de uma transição para lembrar que antes de qualquer coisa RED era um gibi). O problema é que não existe esforço nenhum para “bagunçar” esse esquema, fazendo de RED 2 uma experiência episódica e enfraquecida, já que a cada hora existe um objetivo diferente e todos são logo alcançados, pior ainda, sem quase nenhuma dificuldade.

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Isso enfraquece ainda o ritmo do filme pois, ao não precisar apresentar nenhum personagem, pode simplesmente esfregar o conflito na cara dos personagens nos primeiros cinco minutos de filme e cinco minutos depois já colocar absolutamente o mundo inteiro atrás deles. Uma pressa que pode até empolgar no começo, mas que faz ser impossível ser seguida no resto do tempo, já que não existe qualquer surpresa e a trama se sente obrigada a soar simples e objetiva, como se apenas estivesse ali de desculpa para juntar esse elenco mais que experiente. Isso e uma aparente inabilidade em perceber que a melhor coisa do filme não são as cenas de ação.

Assim como o relacionamento de Moses acaba ficando um pouco de lado, a impressão que fica é que o diretor Dan Parisot (que não dirigia nada no cinema desde a comédia As Loucuras de Dick & Jane em 2005) está preocupado demais com carros derrapando, tiros e socos, o suficiente para não perceber o quanto é engraçado o assassino profissional chateado com Moses por ter seu avião roubado, ou até (e aqui tem um spoiler) a deliciosa presença de Anthony Hopkins, que em pouco tempo caba se transformando em um vilão qualquer e genérico em busca de vingança, deixando de lado a primeira impressão divertida. (e aqui temos o fim do spoiler). Seguindo a ideia geral, Parisot então parece ir em busca de um filme corriqueiro e igual a um monte de outros, e que ainda recorre no final a uma série de slow motions sem o menor pudor estético.

Falta a Parisot a percepção de Willis, que mesmo diante do protagonismo, sabe que o melhor do filme não está nele, mas sim em todos à sua volta, no charme de Mirren, na esquisitice de Malkovich e em qualquer coisa que Hopkins decida fazer. Principalmente, pois sabe que ninguém voltou ao cinema para ver esses “aposentados e perigosos” (da sigla original que dá nome ao filme, “Retirees and Dangerous”) salvando o mundo, mas sim voltando à ativa enquanto não param um minuto de falar e se meterem em confusões.


RED 2 (EUA, 2013), escrito por Jon e Erich Hoeber, dirigido por Dean Parisot, com Bruce Willis, John Malkovich, Mary-Louise Parker, Helen Mirren, Anthony Hopkins, Byun-hun Lee, Catherine Zeta-Jones e Neal McDonough


Confira o trailer de RED 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos

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