Rambo: Até o Fim | Resgata o personagem em toda sua violência


Rambo: Até o Fim fecha o ciclo iniciado por Rambo – Programado Para Matar, primeiro filme de cinco que usaram o ex-soldado do Vietnã traumatizado que usa, com certo prazer, suas habilidades de guerra em civis. E ele encerra nos mesmos moldes do filme anterior, de 2008: brutal e sanguinário a ponto de questionarmos até que ponto tudo isso é justificável.

Nunca entendi muito bem a mensagem por trás de Rambo: justiceiro com habilidades especiais, ele derruba policiais corruptos e cartéis de drogas, e muitas vezes exagerando na dose de como ele faz isso. E tudo sozinho. Esse exagero se tornou a marca registrada do controverso herói no cinema. Ele envelheceu, mas nunca mudou.

A história deste quinto filme o coloca vivendo em um rancho com a família que adotou, uma senhora latina e sua filha adolescente, Gabrielle. Ajudando a comunidade local quando há pessoas a serem salvas, seu trauma é não conseguir salvar todo mundo. E esse seu carma será posto a prova quando Gabrielle é sequestrada por uma gangue mexicana que vive do mercado de jovens como escravas sexuais.

Quando Gabrielle descobre o paradeiro do seu pai, tem uma discussão amigável com Rambo para que a deixe visitá-lo em busca da resposta que sempre quis ter: por que seu próprio pai abandonou a família justo no momento que mais precisavam. “As pessoas não mudam”, resume Rambo em seu argumento. “Quem é mau sempre será mau, e é bom manter distância dessa gente”.

E esse é o primeiro indício de que Até o Fim não irá se render à nova era, John Rambo está disposto a ir até… sim, o fim, para fazer o que acha certo, e do jeito que ele gosta: com muita, muita violência.

É por isso que nesse filme os bandidos são maus de verdade, e cometem atrocidades com as jovens que mantém em cativeiro. Os chefões da área, os irmãos Martinez, sequer hesitam em bater em um quase idoso (este é Rambo) que veio procurar sua filha, e marcar os dois no rosto com um facão como propriedade. Tudo isso para que no terceiro ato, quando Rambo irá tocar o terror, como fez em todos os outros filmes, nos sintamos extasiados por cometer vingança contra toda essa gente do mal.

Adrian Grunberg, depois de tantos outros projetos como segundo diretor, aqui assume a direção principal, e não o torna uma paródia da própria série, evitando que as cenas sangrentas se tornem risíveis demais. Grunberg conduz a história como um verdadeiro drama, em um ritmo cadenciado e frequentemente com vistas panorâmicas do pequeno paraíso onde vive a família Rambo. E não fosse este um filme que eventualmente descamba para a ação desenfreada este poderia ser a versão mais reflexiva sobre o herói.

Mas, felizmente ou infelizmente, Rambo precisa se vingar, e ele logo arruma uma desculpa para virar o justiceiro que tem habilidades de guerra. E por isso o roteiro de Matthew Cirulnick é apenas um guia que nos conduz aos momentos necessário de um filme da saga, tornando uma trama que tinha o potencial de algo mais coeso virar uma mera desculpa para vermos o ex-soldado em ação. E ele entra em ação usando todos os artifícios que já usou nos filmes anteriores. Exceto um helicóptero.

Rambo: Até o Fim está longe de ser o pior filme da série, mas também está longe de ser o melhor. Ele cumpre seu papel moderado, de resgatar o personagem e nos fazer pensar se ele ainda é válido no nosso mundo contemporâneo. Talvez essa seja a mensagem desse filme, no final das contas.


“Rambo: Last Blood” (EUA, 2019), escrito por Matthew Cirulnick, Sylvester Stallone e Dan Gordon, dirigido por Adrian Grunberg, com Sylvester Stallone, Yvette Monreal, Adriana Barraza, Óscar Jaenada, Sergio Peris-Mencheta e Paz Vega.


Trailer – Rambo: Até o Fim

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