Quais são os clássicos obrigatórios da ficção científica? (PARTE 2)


Se existe uma coisa que mudou a ficção científica foram os anos que passaram. Quanto mais tecnologia envolvida, mais efeitos especiais e popularização do gênero, com isso, mais ideias originais se permitem extrapolar as barreiras de quem já passou por ali.

Do outro lado, o futuro chegou. O homem pisou na lua, os computadores tomaram de assalto as vidas das pessoas, internet ligou todos em um único mundo globalizado, sem contar um atentado no coração da maior cidade do planeta que colocou o cinema de volta na paranoia pós-guerra.

Enquanto Kubrick fez de 2001 uma obra prima tão grande que resumiu seis décadas de ficção científica, abriu caminho para uma geração que até hoje não para de tentar quebrar as amarras do gênero e ir além de tudo aquilo que se espera.

Portanto, confira 15 dos filmes mais importantes que definiram o a segunda metade do século 20 e o comecinho do século 21.

1 – THX 1138 | “THX 1138” | 1971 | dir. George Lucas


Dirigido por George Lucas, THX tem cara de experimental e desafiador, mas é, com certeza, um dos principais representantes de um gênero que aos poucos foi se tornando peça chave no sucesso do gênero. Nele, diante de uma distopia qualquer, o personagem descobre que nada é aquilo que ele acreditava e então decide fugir, mas acaba indo de encontro com o próprio sistema. Só nos anos 70, Corrida Silenciosa, Fuga do Século 23 e O Mundo de 2020 viraram cults e até hoje são copiados e homenageados.


2 – Solaris | “Solyaris” | 1972 | dir. Andrei Tarkovsky

No auge da Guerra Fria, muita gente diria que Solaris foi a resposta soviética à 2001, mas não cai nessa armadilha. O filme de Andrei Tarkovski tem cara de cinema russo, dos pés à cabeça, principalmente no ritmo que tenta desconstruir a ideia de que todas respostas estão na tela (Kubrick também fez isso, mas porque ambos “beberam na mesma fonte”). No filme, uma nave chega perto desse planeta misterioso e um cientista é enviado para ela em busca de respostas. Para o espectador, uma grande reflexão sobre, morte, vida, significado do amor, desejos e mais algumas coisas que você vai deixar escapar.


3 – Contatos Imediatos de Terceiro Grau | “Close Encounters of the Third Kind” | 1977 | dir. Steven Spielberg

De todos os “contatos imediatos” da história do cinema, nenhum foi tão lírico e emocionante como aquele envolvendo acordes de um teclado e um homem simples que fica obcecado por essa possibilidade de encontrar o que está além dos nossos céus. Steven Spielberg cria então esse drama familiar que se mistura com teorias de conspiração envolvendo OVNIs e efeitos especiais que criaram um dos maiores clássicos do gênero.


4 – Laranja Mecânica | “A Clockwork Orange” | 1971 | dir. Stanley Kubrick

Enquanto todos estavam olhando para um lado, Kubrick olhou para o outro e fez um clássico do cinema espacial. Mas como no cinema o raio sempre cai duas vezes no mesmo lugar, alguns anos depois o mesmo diretor enxerga uma onda de opressão sócio-econômica que se instauraria no mundo nas próximas décadas (que voltou no século 21, mas sem nenhum Kubrick para nos avisar). No filme, um marginal líder de uma gangue acaba sendo preso e usado em um experimento que beira uma “castração intelectual” que extirpa a violência de suas vontades, mas o resultado acaba sendo bem diferente disso.


5 – Alien, O Oitavo Passageiro | “Alien” | 1979 | dir. Ridley Scott

Se por definição clássica um filme que se passe inteiramente dentro de uma nave espacial no meio do espaço só poder ser uma ficção científica, por outro, um maluco homicida que tenta matar todos personagens o coloca na gaveta do terror. Portanto, esqueçam gêneros, o filme de Ridley Scott é muito maior que isso, tem pitadas de A Ameaça do Outro Mundo (de 1958) e O Monstro do Ártico (1951), mas não finge nunca estar longe de O Massacre da Serra Elétrica, Halloween e os slashers em geral.


6 – Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança | “Star Wars” | 1977 | dir. George Lucas

Quando você olha para trás no gênero e vê o “space opera” como uma opção meio brega e datada, quase nunca percebe o quanto Star Wars tinha tinha tudo para cair nessa mesma vala, mas o que George Lucas faz é o contrário e torna seu Star Wars um dos maiores clássicos da história do cinema. O filme brinca com ideia de samurais, tem um pouco de faroeste, muitas naves, robôs e o Monomito de Joseph Campbell amarrando tudo em um épico sem precedentes. Pela primeira vez na história os efeitos especiais permitem que um filme seja muito maior do que ele seria sem eles.


7 – E.T.: O Extraterrestre | “E.T. the Extra-Terrestrial” | 1982 | dir. Steve Spielberg

Spielberg extrapola os seus contatos imediatos e cria um conto de fadas envolvendo um garoto, um extraterrestre, adultos muito maus, a magia da amizade fazendo todo mundo voar e, é claro, muitas lágrimas. Não parece ficção científica, porque ninguém nunca tinha visto um momento tão sensível e emocionante dentro de gênero.


8 – De Volta Para o Futuro | “Back to the Future” | 1985 | dir. Robert Zemeckis

Depois de algumas décadas de viagens no tempo a ficção científica encontra o que talvez seja uma de suas histórias definitivas. Robert Zemeckis cria um filme para todas idades, com uma máquina do tempo que entrou para o imaginário pop, uma dupla de protagonistas amada por todas gerações e um paradoxo temporal tão complexo que ainda hoje é citado e referenciado. De Volta Para o Futuro tem uma importância tão grande na cultura pop que ninguém nem ao menos tenta copiá-lo.


9 – Tron: Uma Odisseia Eletrônica | “TRON” | 1982 | dir. Steven Lisberger

Talvez Tron tenha envelhecido não muito bem, sua continuação de 2010 não ter feito muito sucesso talvez prove isso. Mas acredite, o que a ficção científica se torna nas décadas posteriores não existiria sem Tron. Não só pela ideia de estar dentro da máquina, mas, principalmente, por fazer com que os efeitos especiais demonstrem que é possível criar esse mundo digital. Talvez o filme tenha se tornado mais cult do que clássico, mas acredite é obrigatório.


10 – Akira | “Akira” | 1988 | dir. Katsuhiro Ôtomo

Falando em “mudar o mundo”, a animação de Katshuhiro Otomo, junto com Blade Runner, são talvez os pilares visuais para o que se entende com cyberpunk nos cinemas. Fora isso, Akira é ainda um espetáculo de tirar o fôlego e que até hoje é tão respeitado que sua “versão live action” nunca engata a segunda na hora de ser produzida, afinal, o desenho é um daqueles clássicos intocáveis que todo mundo acha que deveria ficar quieto em seu canto.


11 – Blade Runner: O Caçador de Androides | “Blade Runner” | 1982 | dir. Ridley Scott

Essa ideia de ser definitivo também se firma em Blade Runner, um dos pais do cyberpunk nos cinemas e ainda uma daquelas oportunidades de ver tudo dando certo ao mesmo tempo. Um roteiro incrível, visual maravilhoso, personagens que se tornaram inesquecíveis e uma questão existencial tão enorme que faz ser difícil permitir que o filme te abandone por um bom tempo, tudo tão bem misturado e natural que parecem, justamente, lágrimas na chuva.


12 – Matrix | “The Matrix” | 1999 | dir. Lana e Lilly Wachowski

Tudo bem, pode parecer exagero que os anos 80 sejam tão cheios de clássicos, enquanto os 90 demorem tanto tempo para emplacar um grande nome nessa lista. O problema é a mesmice. O “advento” dos efeitos especiais, misturados com muito dinheiro vindos das sequências e uma enorme preguiça, tirou dessa década a oportunidade de ser nova. Até Matrix. Assim como Star Wars fez com tudo que já tinha vindo antes dele, Matrix é uma junção de tantos conceitos e referências, embalada em um pacote com o melhor da ação acéfala/brucuto dos anos que o precederam, tudo isso com o ápice da tecnologia dos efeitos visuais. Matrix mudou o cinema do século que vem a seguir, assim como Star Wars mudou a década que veio depois dele.


13 – Contato | “Contact” | 1997 | dir. Robert Zemeckis

É impossível não acreditar que se realmente houvesse um contato com uma raça alienígena, ela seria bem diferente da visão extravagante de Steven Spielberg e cia. Zemeckis se baseia em um história de Carl Sagan e cria uma experiência que transcende o cósmico e atinge o espiritual. Junte isso a um visual impecavelmente realista e natural. É impossível não acreditar que, se houvesse um contato com uma raça alienígena, ele seria exatamente assim.


14 – Marte Ataca! | “Mars Attacks!” | 1996 | dir. Tim Burton

Talvez não exista nada mais importante para um gênero do que não esquecer seu passado. Se existe hoje uma espécie de indústria que enxerga a ficção científica como algo lucrativo e que, por exemplo, faz com que mais da metade das 10 maiores bilheterias dos anos 80 sejam filmes sci-fi, é preciso agradecer aos “filmes B”. Quanto mais clichê melhor, quanto mais estapafúrdio e colorido melhor, quanto mais exagerado melhor. Tim Burton compra essa ideia e cria uma das maiores homenagens que o cinema já viu. Infelizmente muita gente não embarcou e não entendeu a piada, mas mesmo assim é um filme daqueles que deve ser apreciado para entender um pouco da história do próprio cinema.


15 – Avatar | “Avatar” | 2009 | dir. James Cameron

Se parece exagero apontar Avatar como único grande filme de ficção científica do século 21, lembre-se também que só temos 15 vagas e precisamos economizar no espaço. Mas não é só isso, Avatar, mesmo com o roteiro pouco inventivo, foi uma experiência única para qualquer um que pisou naquele cinema com aqueles óculos 3D e mergulhou nesse mundo completamente novo e com jeitão de infinito. Infelizmente quem não esteve no cinema talvez tenha perdido grande parte da emoção de ver algo realmente novo, mas ainda assim é um daqueles exemplos de filmes que se tornam um divisor de águas para o gênero e talvez para o cinema.


Menções Honorosas
Tentando fazer justiça com o gênero, é bom lembrar que Cameron não surgiu em Avatar, quando a ideia são clássicos do gênero, seu Exterminador do Futuro (os dois primeiros) e Aliens – O Resgate estão nesse lista de filmes únicos da história. Do mesmo jeito que Spielberg não parou por esses e ainda mergulhou mais fundo no gênero, tanto em Minority Report, quanto em A.I. – Inteligência Artificial. Paul Verhooven ainda deixou todo mundo de queixo caído com a violência extrema de Robocop. Andando um pouco mais para frente e chegando no século 21, não só Matrix ganhou duas continuações que criaram uma mitologia gigantesca, como o gênero se tornou um visitante comum nas listas de melhores filmes dos anos dos amantes de cinema. A Chegada beira a ideia de se tornar um clássico; Interestelar, mesmo com seus problemas, mostrou que é possível a realidade ser fantástica; Ex-Machina, extrapolou o limite entre robôs e Humanos, Lunar explorou a solidão de um futuro onde tudo pode ter ido longe demais e Aniquilação… bom, tem tanta coisa ali que é difícil começar por uma só. Sem contar, é claro, Star Wars: Os Últimos Jedi, que transpôs a ideia de obedecer as pressões de uma franquia estabelecida e criou algo novo e será lembrado por muito anos como aquele filme que fez o cinema lembrar da importância dessa “guerra nas estrelas” para a ficção científica.

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