Professora sem Classe

 

É lógico que, principalmente depois de ver o trailer, ninguém vai entrar em uma sessão de Professora sem Classe à espera de algo que não seja descartável e “engraçadinho”, mas o diretor Jake Kasdan (filho do Lawrence, aquele mesmo que botou ordem na professora-sem-classe-postersaga original de Star Wars, escrevendo os dois últimos filmes, assim como a primeira aventura de Indiana Jones) consegue dar um novo sentido à possibilidade de um filme ter apenas uma piada.

Não há duvidas que, vez ou outra, ver Cameron Diaz sendo essa professora de sétima série, malcriada, mal humorada, manipuladora e interesseira (além de mais um bando de outros vícios) tem lá sua graça, mas essa repetição cansa bem antes do meio do filme e Professora sem Classe se torna arrastado e sem objetivo muito mais rápido do que a ideia mereceria.

Sem entenderem o que fazer com a ideia de colocar abaixo toda essa imagem clássica do “highschool teacher” que o cinema de Hollywood sempre teve orgulho de mostrar, Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg (que se reencontram depois de serem responsáveis pelo pouco interessante Ano Um) resume então Professora sem Classe a uma misturada sem sentido, que não sabe que caminho percorrer e acaba por, praticamente, não ter, nem ao menos um fio narrativo a ser seguido.

Logo de cara o espectador é apresentado a essa professora (Diaz, que se esforça o bastante para criar essa megera com cara de anjo, e acaba sendo o que salva o filme de não ser um desastre total) que precisa voltar a dar aulas depois que seu noivo rico “descobre” que ela só estava interessada em seu dinheiro.

A personagem então coloca um novo objetivo em sua vida: encontrar um novo marido rico e largar toda essa história de professora para trás. Mas para isso, antes de qualquer coisa, precisa de um implante de silicone. O novo pretendente aparece então na figura completamente panaca de um professor substituto (Justin Timberlake) e só resta a ela então dar um jeito de arrumar o dinheiro para pagar a cirurgia antes que perca o rapaz.

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Professora sem Classe então se apóia nesse arremedo de história para se divertir com toda falta de caráter da protagonista para conseguir seus objetivos e (como eu já disse) isso até funciona, resulta em meia dúzia de risadas, mas acaba bem longe de empolgar. Kasdam aceita pegar o atalho mais rápido nessa direção e não economiza na hora de imbecilizar absolutamente todos à volta da “heroína”, o que torna mais fácil que o espectador aceite todos absurdos que ela faz.

Mesmo assim, Professora sem Classe não consegue fugir de um humor rasteiro e vexatório que não desvia o olhar da uma ereção em um garotinho de 13 anos e parece não se importar em criar essa vergonhosa “seqüência de sexo/encoxada” entre Timberlake e Diaz, ambos os momentos sem a mínima sutileza e beirando uma certa ofensa que Hollywood parecia ter deixado para trás (para entrada do politicamente incorreto).

E falando em politicamente incorreto, é justamente esses momentos em Professora sem Classe que mais parecem fazer falta, como na solução pouco ortodoxa que a personagem tem diante do mesmo problema que o clássico Jaime Escalante (Edward James Olmos) teve em Preço do Desafio (Stand and Deliver de 1888), quando as notas de sua classe, em um certo “exame nacional”, são colocada à prova. Bem verdade, Professora sem Classe acaba acertando justamente nesses momentos: quando tenta fazer com que a protagonista “ensine” seus alunos desse modo deturpado, mas que dá seus frutos, suas lições de moral e de vida.

Professora sem Classe então, não se envergonha de ser esse entretenimento rasteiro e sem ritmo, que sobrevive graças à meia dúzia de diálogos malcriados e uma personagem com a qual o espectador acaba se identificando pela total falta de qualquer outra pessoa para torcer. Um verdadeiro presente para quem estiver preparado para isso e uma tortura para quem for à procura de qualquer outra coisa.


Bad Teacher (EUA, 2011), escrito por Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg, dirigido por Jake Kasdan com Cameron Diaz, Lucy Punch, Jason Segel, Justin Timberlake, Phyllis Smith e John Michale Higgins


6 Comments

  1. Que pena, fico muito triste, isso é uma total apelação, se eu fosse professora entrava na justiça para tirar esse filme de cartaz. Se quiserem ajuda contem comigo. Esse filme fere todos os valores que nos pais , mães e professores estamos suando a camisa para tentar manter vivos, estou indignada mais inda porque nas locadores ele esta sendo exposto com o cartaz bem na porta para incentivar os adolescentes ver. As cenas e os palavroes são totalmente dispensáveis por se tratar de filme com classificação de 14 anos. ele incentiva pornografia e todo tipo de palhaçada que estamos nos pais suando a camisa para eles entenderem que a vida não é nada disso. Estou indignada e espero que mais pessoas estejam também, enfim em um país tão analfabeto isso é totalmente normal e lindo. Paciencia uma dia as pessoas vão acordar, espero…

  2. Bom eu goste bastante do filme!!! Eu gostei por que além de ser fã de Cameron Diaz, eu achei o filme diferente dos filmes que acostumamos assistir, os personagens bonzinhos, blá blá…
    A professora sem classe é toda maluquete, interesseira etc.
    Achei muito bom!

  3. Uma porcaria este filme… faz uso abusivo de maconha como se fosse uma maravilha. Quem tem cabeça fraca vai viajar na onda de que fumar baseado é legal, ainda mais vindo de um filme onde a atriz principal tem como profissão o magistério, que tem por objetivo ensinar para vida. Não sou professora não…rsrsr, mas achei o filme apelativo e de moral péssima. Quanto a Cameron Diaz, continuo achando-a linda e talentosa, só deveria escolher melhor seus papéis.

  4. … esse filme tem grandes sacadas e piadas bem refinadas… Cameron está lindíssima lavando carros… Imperdível.

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