Premonição 5

por Vinicius Carlos Vieira em 26 de outubro de 2011

Premonição 5Depois de três sequências que se divertiram à seu modo, sendo simples continuações do primeiro Premonição, as três melhores coisas que poderiam acontecer a série culminam agora nesse Premonição 5: Steven Quale, Eric Heisserer e o 3D. O primeiro e o segundo (diretor e roteirista) são aqueles que permitem que esse quinto filme seja mais que apenas uma copia, e as três dimensões fazem com que ele se torne divertido para caramba.

Quale, que é um verdadeiro veterano do 3D, tendo dirigido a primeira incursão de James Cameron na nova tecnologia, no documentário Aliens of The Deep (além de ter sido diretor de segunda unidade do sucesso Avatar), parece ter a perspectiva e o bom humor necessário para olhar na direção desse recurso com propriedade e entender que Premonição 5 quer mesmo é ser um filme de terror com muito 3D, e não mudar o gênero.

É com tremenda sinceridade que Quale começa o filme de modo contido depois dos explosivos créditos inicias, onde tudo (de copos de café a o que você possa imaginar… em chamas ou não) voam contra uma barreira de vidro que se despedaça em cacos na direção de seu espectador, quase como um assinatura que o limite da tela, não será mais o limite. Na trama, como não poderia deixar de ser, um grupo (agora um ônibus de excursão de uma empresa) acaba indo parar no meio de um enorme desastre, uma ponte que acaba cedendo e matando todos, a não ser oito sobreviventes que, por motivos completamente diferentes (como sempre) terminam por seguir o protagonista que parece ter tido uma premonição do desastre.

Lógico que Premonição 5 não foge em nada de toda estrutura dos outros filmes, e logo os oito sobreviventes acabam descobrindo que a morte não falha e logo volta para buscá-los. A diferença é que o roteiro de Eric Heisserer (que escreveu o remake de A Hora do Pesadelo) faz de tudo para que isso seja uma novidade, e melhor ainda, pela primeira vez em três filmes, coloca um novo fator em toda equação: a possibilidade de realmente enganar a morte, o que, mesmo sem surpresas, dá uma enorme sobrevida na segunda metade do filme, já que até uma espécie de “vilão físico” (e não só aquele famoso “ventinho”) ele acaba ganhando, ainda que seja só bem para o finalzinho.

Mas é a combinação dos três (como eu disse no primeiro parágrafo) que mais dá certo e torna Premonição 5 a continuação mais interessante dessa franquia (que já dava sinais claros de desgaste). Em resumo, qualquer Premonição é sobre essas divertidas e sanguinolentas mortes, sobre esse gore e, quem sabe, poder ainda surpreender seu espectador, e Premonição 5 faz isso.

Depois de um acidente inicial mais que competente em termos visuais (o empalamento em 3D de umas das personagens no mastro de um veleiro é desde já clássico) que não economiza decapitações, perfurações e um punhado de surpresas (daquele tipo ironicamente bem humorado que faz o espectador achar que tudo está bem antes de esmagar o personagem), tudo devidamente contemplado com muita coisa sendo jogada na cara do espectador, e mais, Quale e Heisserer parecem tremendamente preocupados em valorizar cada umas das mortes que se seguem, o que torna Premonição 5 um passatempo mais interessante ainda.

Além de se divertirem (e divertirem o espectador) com a volta daquela máxima que parecia um pouco esquecida nos filmes anteriores, de que todo e qualquer lugar, por mais normal que possa ser, é mais que adequado para matar alguém de diversos modos, a dupla parece empenhada demais em valorizar cada morte de modo objetivo e recompensador. De uma visita ao oftalmologista a uma relaxante massagem, todas as peças desse xadrez macabro são colocadas devidamente em seus lugares (planos detalhes e até algumas pistas para enganar o espectador) e o resultado é quase sempre uma sequência que acaba em uma morte divertida e, na grande maioria das vezes, ironicamente inesperada.

Premonição 5 ainda pode ter o orgulho de colocar a sequência do acidente no meio de um treinamento de ginástica olímpica como uma das grandes mortes da série, justamente pelo cuidado narrativo com que compõe toda cena, fazendo com que cada parafuso rangendo seja um frio na barriga do espectador (assim como dá uma verdadeira aula de bom humor e gore quando decide acabar com a massagem de um dos personagens).Premonição 5 Filme

E se não bastasse isso tudo para fazer com que Premonição 5 seja um deleite para os fãs da série, e do gênero, ele ainda consegue, pela primeira vez em toda franquia, dialogar com aquele que deu origem a toda ideia, e de modo completamente inovador, criativo e surpreendente perto de qualquer uma das continuações (que quase sempre se contentavam em apenas citar o tal acidente aéreo). E o mais legal disso talvez seja perceber que essa surpresa no final esteja a todo tempo sendo ensaiada desde o começo do filme, com a presença ilustre de um famoso personagem e de um punhado de dicas que posicionam a trama exatamente onde ela deveria estar (SPOILER!!! ou ninguém percebe o quanto é levemente datada todas as roupas e celulares do filme).

Mas é lógico que Premonição 5 não é genial, e se contenta completamente com isso, fazendo então com que tudo nele seja feito para divertir o espectador, surpreendê-los a todos os momentos e jogar muitas, mas muitas coisas mesmo, na cara de todos que estão sentados no escuro do cinema com seus óculos de três dimensões.

PS: uma dica final é esperar sentado depois do fim do filme e curtir uma verdadeira homenagem a todos mortos que passaram pela série, agora em três dimensões e com muito sangue jorrando para fora da tela.


Final Destination 5 (EUA, 2011), escrito por Eric Heisserer dirigido por Steven Quale, com Nicholas D´Agosto, Emma Bell, Miles Fisher, Ellen Wrow, Jacqueline MacInnes Wood, P.J.Byrne, Arlen Scarpeta, David Koechner e Tony Todd