Percy Jackson e o Mar de Monstros

Ambientado em um universo em que nosso presente se mistura ao fascinante mundo da mitologia grega e habitado por personagens simpáticos e interessantes, Percy Jackson e o Mar de Monstros continua a série iniciada em O Ladrão de Raios e, mesmo Percy Jackson e o Mar de Monstros postersuperior, mantém vários de seus problemas, entregando um resultado que diverte e entretém, mas desperdiça o potencial de sua narrativa.

Quando o supostamente morto vilão do longa anterior, Luke (Jake Abel), retorna e envenena a árvore que lança uma barreira que protege 0 acampamento dos semideuses, Percy (Logan Lerman) e seus amigos Annabeth (Alexandra Daddario), filha de Atena, e Grover (Brandon T. Jackson), um sátiro – além de um recém-descoberto meio irmão de Percy, o ciclope Tyson (Douglas Smith) -, partem para o Mar de Monstros (a região conhecida como Triângulo das Bermudas) em busca do Velocino de Ouro, que, com poderes de curar qualquer coisa viva, é a única chance de recuperar a proteção da árvore que nasceu da morte de Talia, semideusa filha do próprio Zeus. Enquanto isso, Luke também está atrás do Velocino, com o qual planeja ressuscitar o titã Cronos e, assim, derrubar o Olimpo.

Assumindo a direção no lugar de Chris Columbus, Thor Freudenthal faz um bom trabalho, seja ao incluir uma bela sequência em animação para contar a história de Cronos que imita o estilo de vitrais visto atrás do oráculo que a narra, quanto criando cenas de ação que não se estendem além do necessário e que permitem que entendamos o que está acontecendo. Já o roteiro, adaptado do segundo volume da série de cinco livros de Rick Riordan, e assinado por Marc Guggenheim, é raso: se já é difícil pensar que os jovens possam falhar em sua missão, é impossível acreditar que qualquer um deles possa morrer – algo que o filme, ao trazer pelo menos duas supostas mortes que logo se provam alarme falso, se recusa a perceber. Assim, quando um dos semideuses recebe um ferimento e fica à beira da morte e o Velocino (que consegue trazer as cinzas de um titã de volta à vida) parece que não vai funcionar, a tentativa de criar uma situação dramática é completamente falha.

Do mesmo modo, o longa não perde muito tempo trabalhando o relacionamento entre os personagens. Como protagonista, o talentoso Logan Lerman cria um personagem carismático e interessante, mas ainda pouco explorado, se o garoto desiste da vitória em um jogo no acampamento para resgatar um colega, logo depois o vemos com uma expressão que mostra pensar que um dos líderes do acampamento só pode estar se referindo a ele quando menciona “o mais forte e poderoso semi-deus”. Por outro lado, o fato de Percy constantemente tentar contatar seu pai, Poseidon, sem sucesso (enquanto o deus manda várias mensagens a Tyson) parece frustrá-lo, mas a narrativa logo abandona esse conflito.

Percy Jackson e o Mar de Monstros

Ao seu lado, os também carismáticos Brandon T. Jackson e Alexandra Daddario continuam sem ter muito o que fazer e funcionando apenas como sidekicks de Percy. Já Leven Rambin, na pele de Clarisse, semideusa filha de Ares, e Douglas Smith (Tyson) vivem dois novos personagens que têm suas personalidades rapidamente estabelecidas e se mostram um dos destaques desta sequência. Mais bem-sucedida ainda é a inclusão de Dioniso e Hermes, vividos respectivamente por Stanley Tucci e Nathan Fillion (que, claro, faz uma referência a Firefly): os dois atores aproveitam ao máximo sua pequena e divertidíssima participação, e a piada envolvendo o vinho de Dioniso é uma das melhores do longa.

Outro problema da adaptação, já percebido no primeiro filme, é sua fraca construção de mundo , falha que continua ainda presente aqui, mesmo que Freudenthal tente compensar com, por exemplo, a inclusão da “névoa” e ao finalmente introduzir Cronos. Vivendo em um acampamento repleto de centauros, sátiros, oráculos e outras criaturas mitológicas, várias com uma aparência não muito agradável, por que o repúdio ao ciclope Tyson? Mesmo o “motivo” de Annabeth não é aceitável, já que o atrapalhado e gentil garoto nunca demonstrou a agressividade de outros de sua espécie. Dessa forma, é péssimo o momento quando, já de volta ao acampamento depois da missão, Percy retira os óculos escuros do rosto do meio-irmão e diz que ele “não precisa mais disso”, como se ser um ciclope fosse algo que ele não precisava mais esconder depois de ter “provado seu valor” para os semideuses, esquecendo que qualquer vergonha por sua aparência só surgiu depois de os mesmos fazerem diversos comentários e piadas sobre seu único olho no centro da testa.

A conclusão de O Mar de Monstros deixa o caminho preparado para mais uma sequência, mesmo que este, devido ao fraco desempenho do primeiro, quase não tenha acontecido. Mas mesmo a ótima série de Riordan só passa a merecer mais do que três estrelas e meia quando chega a seu terceiro volume. Torçamos para que, se acontecer, o próximo capítulo faça mais jus a seu potencial e ao mundo riquíssimo que habita.


Percy Jackson: Sea of Monsters, escrito por Marc Guggenheim, dirigido por Thor Freudenthal, com Logan Lerman, Alexandra Daddario, Brandon T. Jackson, Douglas Smith, Levin Rambin, Jake Abel, Stanley Tucci, Nathan Fillion e Anthony Head.


trailer do filme Percy Jackson e o Mar de Monstros

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