Par Perfeito

Killers (EUA, 2010) escrito por Bob de Rosa e Tedd Griffin, dirigido por Robert Lucketic, com Katherine Heighl, Aston Kutcher, Tom Selleck e Catherine O´Hara

por Vinicius Carlos Vieira

Algumas vezes é engraçado dar um passo para trás e olhar para Hollywood com um pouco mais de distância e dar de cara com uma indústria autofágica que se perde nas próprias referências, como se precisasse de “fases” para sobreviver e uma certa preguiça mental. É impossível olhar para “Par Perfeito” e não encontrar um pouco de “Encontro Explosivo” e uma pitada de “Salt”.

Os três falam sobre espiões secretos, vidas duplas, perseguições exageradas e gente bonita, do mesmo jeito eles parecem servir mais como veículo de algum astro do que como história. Nesse caso, da dupla Ashton Kutcher e Katherine Heighl, o que, diferente dos outros, logo de cara obriga todo filme a ser uma comedinha romântica e leve, já que nenhuma das duas estrelas parecem ser daquelas a procura de outro desafio.

E talvez seja por essa falta de coragem narrativa que o nome do diretor Robert Lucketic tenha caído como uma luva para o projeto, já que, desde seu “Legalmente Loira” que o cineasta não mostra muita vontade de fazer algo diferente, transitando por comédias como “A Verdade Nua Crua” e “A Sogra” sem se ferir, mais não fazendo nada muito digno de nota (tanto que sua tentativa de mudar, em “Quebrando a Banca”, afunda completamente).

O surpreendente de toda essa mistura despretensiosa é o quanto esse “Par Perfeito” acaba funcionando, principalmente da metade para frente, onde ganha mais ritmo, um tom cínico e acaba fazendo com que o espectador, provavelmente, saia do cinema achando ter visto um filme convincente e simpático.

Em sua trama, Heighl e Kutcher são um casal que se conhece na França e acabam se apaixonando, casando e indo morar em um subúrbio qualquer dos Estados Unidos. O que ela não sabe, é que ele é um agente secreto que decide largar tudo para ficar com ela, até o dia em que descobre que sua cabeça está a prêmio, e seu passado vem bater em sua porta.

O tom cínico vem do modo quase absurdo com que a trama se coloca a partir do momento que essa caçada se inicia. Ainda que usando o método “Sr. e Sra. Smith” de discutir relação entre balas, acaba funcionando por parece não levar a trama a sério e dar oportunidade para um humor menos preocupado com a credibilidade do nó que a história tem que desatar antes de chegar ao fim.

A verdade é que isso pode fazer com que parte da platéia se zangue por levar a sério um exagero obviamente controlado por Lucketic, que permite isso por apresentar o filme, em sua metade inicial, do jeito mais linear e sem graça possível, talvez para tentar surpreender o espectador, ou simplesmente, por não conseguir carregar esse começo (inevitável, já que ele é revisitado no clímax como uma pequena surpresa) com o mesmo tom, sem ter as cenas de ação para se apoiar.

Para ligar essas duas parte tão distintas, o trabalho acaba ficando nas mãos do elenco, que, infelizmente acaba funcionando muito menos do que poderia, principalmente pelo casal protagonista meio sem química e que pouco convence. De um lado Heighl parece achar que sua beleza fará todo seu trabalho e nada se esforça para ser algo além de bonita, repetindo, exatamente o mesmo papel que vem fazendo em seus últimos filmes, bom para Kutcher, que, mesmo sem convencer no papel de matador profissional e sabendo que sua presença, por si só, é pouco levada a sério, acaba se esforçando para entrar no personagem e se sobressaindo muito mais que ela.

Por outro lado, Tom Selleck e Catherine O´Hara, como os pais da personagem de Heighl, parecem estar ali só para roubar a cena, com Selleck encarnando perfeitamente o pai rabugento que parece não ter senso de humor nenhum e O´Hara, a mãe anestesiada e sempre acompanhada por um copo de bebida em suas cenas, uma piada recorrente que acaba dando certo, principalmente por, em nenhum momento, fazer disso uma piada, mas sim um detalhe para a cena.

“Par Perfeito” não faz nada demais e funciona um pouco pela metade, se tornando um filme capenga que acabará se perdendo e talvez tenha uma vida mais longa quando for lançado em DVD, já que nos cinemas, não tem aquele jeito encorajador que faz as pessoas irem vê-lo, talvez por aquele jeito despretensioso com que ele é tratado.

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