Palpites do Oscar 2011

Palpites, palpites e mais palpites por Vinicius Carlos Vieira em 25 de Fevereiro de 2011 (e não esqueça de participar do nosso Concurso)

Melhor Efeitos Especiais

(And the Oscar goes to!) “A origem” – vem ganhando nessa categoria nas outras premiações e deve estar no pacote de consolação que a Academia preparou para o filme.

(e quem deveria é!) “A origem” – olhando para os outros concorrentes, talvez “Além da Vida” merecesse uma lembrança pela impressionante sequencia do tsunami, mas o filme de Christopher Nolan não pode ser ignorado por fazer dos efeitos visuais (extremamente bem costurados com a trama) um de seus pontos fortes. Um deleite visual que não pode ser esquecido.

Melhor Mixagem

(And the Oscar goes to!) “A Origem” – ainda na esteira técnica do filme, deve levar também para lembrar o quanto o filme pode ser injustiçado mais para perto das premiações mais “importantes” (aspas, por que muito gente não percebe que são essas tecnicidades que dão mais vida ao filme).

(e quem deveria é!) “Bravura Indômita” – em uma daquelas categorias onde todo mundo é figurinha carimbada com um monte de indicações e premiações do currículo, talvez o filme dos irmãos Coen merecesse esse premio pelo modo como, não só esse, mas todos seus filmes (a maioria acompanhado justamente dessa equipe de profissionais) usam o som como um personagem a parte que está lá para afundar seus espectadores em suas tramas.

Melhor Edição de Som

(And the Oscar goes to!) “A Origem” – para começar a fechar o pacote da noite, o filme de Christopher Nolan deve acabar levando mais esse por ter a edição de som mais exposta.

(e quem deveria é!) “Toy Story 3” – por mais que “Incontrolável” tenha aquela assinatura histérica e “Tron” tenha a oportunidade de criar um mundo de sons (e “Bravura Indômita” tenha menos material para trabalhar), a animação da Pixar é inpecável demais do primeiro ao último frame (ou pixel).

Melhor Curta Metragem

(And the Oscar goes to!) “The Crush” – puro chute…

(e quem deveria é!)“The Crush” – não vi nenhum e apenas mantenho o chute

Melhor Animação em Curta Metragem

(And the Oscar goes to!) “Day & Night” – mais conhecido e mais visto, teve um certo lobby natural (já que abria “Toy Story 3”)

(e quem deveria é!) “Day & Night” – não só por ser o mais conhecido, mas principalmente por ser um daqueles momentos (nada raros) em que você se sente feliz pela existência da Pixar. Um exercício sensível que mistura animação moderna e clássica e faz com que seja difícil se livrar dele mesmo depois de seu fim.

Melhor Canção

(And the Oscar goes to!) “I See the Light” – Zachari Levi e Mandy Moore (donos das vozes originais de “Enrolados”) irão subir ao palco junto com o compositor Alan Menken e a Academia, depois disso, vai premiar o sucesso da Disney voltando ao seu habitat de princesas e contos de fada.

(e quem deveria é!) “We Belong Together” – por outro lado, Randy Newman deve subir ao palco com seu piano e fazer um monte de marmanjos chorar lembrando de “Toy Story 3”

Melhor Trilha Sonora

(And the Oscar goes to!) “A Rede Social” – sempre que pode a Academia adora levar para o palco aquele artista pop que se aventurou nas trilhas sonoras, esse ano a bola da vez é o roqueiro do Nine Inch Nails, Trent Reznor.

(e quem deveria é!) “A Rede Social” – por que é simplesmente impossível não perceber o trabalho azeitado de Reznor e Atticus Ross diante dessa trilha sonora que dá um ritmo impressionante para a ideia geral de David Fincher.

Melhor Maquiagem

(And the Oscar goes to!) “Minha Versão para o Amor” – por que Rick Backer já levou seis outras estatuetas para casa (e “Lobisomem”, filme pelo qual concorre, foi um fracasso) e a Academia adora quando maquiagens sutis que desfiguram suas estrelas, tornando-as irreconhecíveis, podem ser lembradas.

(e quem deveria é!) “O Lobisomem” – mesmo que o filme não tenha sido lá essas coisas, é impressionante o monstro que Backer criou a partir de Benício Del Toro. Ainda mais quando não parece haver o mínimo medo de esfregar esse trabalho na cara do espectador (como todos diretores que tem Baker nas maquiagens não se cansam de fazer).

Melhor Filme Estrangeiro

(And the Oscar goes to!) “Em Um Mundo Melhor” – ganhou o Globo de Ouro e tem seu conteúdo importante para ser refletido, o que a Academia adora. “Biultiful”, pelos nomes de populares de Alexandre Gonzalés Iñárritu na direção e Javier Bardem no papel principal, talvez tenha chance de surpreender.

(e quem deveria é!) “Biultiful” – mesmo sem ter visto todos, fica difícil não torcer para um dos cineastas mais sensíveis que essa nova safra (que tem o espanhol como lingua, seja no méxico, na America Latina ou na Espanha) deu ao cinema.

Melhor Montagem

(And the Oscar goes to!) “A Rede Social” – ainda que a ausência de Lee Smith (“A Origem”) possa demonstrar que esse ano a idéia é apostar em algo mais comum, e “O Discurso do Rei” tem exatamente essa linearidade, o trabalho de Angus Wall e Kirk Baxter em “A Rede Social” faz ser impossível que não seja notado.

(e quem deveria é!) “A Rede Social” – simplemente por que, sem uma montagem que conseguisse ter a presença desse trabalho de Wall e Baxter, o filme de David Fincher pudesse acabar tremendamente prejudicado, já que sua estrutura exige um ritmo pontual e tremendamente ritmado para manter todas aquelas linhas de tempo andando juntas.

Melhor Documentário em Curta Metragem

(And the Oscar goes to!) “Strangers No More” – crianças, diferenças sendo ultrapassadas e muita esperança.

(e quem deveria é!) “Strangers No More” – não os vi, portanto fico com as crianças.

Melhor Documentário

(And the Oscar goes to!) “Exit Trough the Gift Shop” – tanto pelo hype do filme que mostra esse misterioso artista de rua quanto pela possibilidade de ele ou não estar lá, ou chegar escondido sob algumas máscaras, ou simplesmente pela esperança dele mostrar sua verdadeira face.

(e quem deveria é!)Lixo Extraordinário” – não deve ganhar pela distancia do assunto para a Academia, mas deveria (não só por ter um pedacinho do Brasil sendo levado ao Oscar) como por sua verdade, já que “Exit Thought The Gift Shop” tem um jeitão prepotente e organizado demais para o meu gosto.

Melhor Figurino

(And the Oscar goes to!) “O Discurso do Rei” – Além de contar com a simpatia da Academia em premiar figurinos de época, já levou o premio do Sindicato e é um trabalho extremamente preciso e marcante.

(e quem deveria é!) “Bravura Indômita” – por que, como em todos fatores de “O Discurso do Rei” seu figuro não tenta fazer nada que possa ser lembrado, bem diferente dessa experiência fria e detalhista do faroeste dos Coen, onde cada personagem na tela ganha uma personalidade incrível só de ser visto em algum canto do enquadramento. “Bravura Indômita” é visualmente impressionante não só pelos irmãos Coen, mas também por essa visão marcante do figurino.

Melhor Fotografia

(And the Oscar goes to!) “O Origem” – para fechar o pacote do filme, esse último premio que vem no embalo do Sindicato e mostra o quanto a Academia respeita “A Origem”, mas sem achá-lo um daqueles filmes param serem seu “Melhor Filme”.

(e quem deveria é!) “A Rede Social” – Jeff Cronenweth tem o difícil trabalho de acompanhar a estética de David Fincher e imprimir sua assinatura em um filme que não parecia ter espaço para esse tipo de coisa. Cronenweth segura as rédeas de “A Rede Social” de modo impressionante e nada parece estar fora do lugar em nenhum momento. “Bravura Indômita” ainda mereceria uma mensão honrosa pela beleza e o controle da luz (quase como um personagem) de Roger Deakins

Melhor Direção de Arte

(And the Oscar goes to!) “O Discurso do Rei” – ainda que nos últimos dias tenha participado de uma polêmica onde um site aponta que parte do cenário do filme é o mesmo usado para o um filme pornô, tal acusação parece não chegar a tempo de mudar nenhum voto.

(e quem deveria é!) “O Discurso do Rei” – Ainda que essa história seja verdade, é preciso dar o braço a torcer à imensa personalidade visual do filme, não só seus cenários mas sim toda impressão de vazio que rodeia o personagem, ou a pressão dos olhares no primeiro discurso e etc. Uma direção de arte precisa e marcante.

Melhor Animação

(And the Oscar goes to!) “Toy Story 3” – por que eles não teriam coragem de fazer algo diferente disso.

(e quem deveria é!) “Toy Story 3” – é um dos melhores do ano e ponto final.

Melhor Atriz Coadjuvante

(And the Oscar goes to!) Melissa Leo (“O Vencedor”)– Ainda que tenha metido os pés pelas mãos ao pagar propaganda “para sua própria consideração” (coisa que quem faz normalmente são os estúdios e nunca os indicados, o que não deixa a situação parecendo esmola), sua vitória no Sindicato do Atores ainda deve falar mais alto.

(e quem deveria é!) Helena Bonham Carter (“O Discurso do Rei”) – sua presença é quase mínima, mas todas vezes que dá as caras é impossível não ser atraido pela atuação marcante, meio histérica, meio acelerada e tremendamente sensível.

Melhor Atriz

(And the Oscar goes to!)Natalie Portman (“O Cisne Negro”) – simplesmente por que ela vem ganhando tudo que concorre e aqui não será diferente

(e quem deveria é!) Natalie Portman (“O Cisne Negro”) – seu trabalho não é só impressionante como aterrador, principalmente enquanto trabalha com as mudanças sutis que sua personagem passa ao longo do filme.

Melhor Ator Coadjuvante

(And the Oscar goes to!) Christian Bale (“O Vencedor”) – assim como Portman, vem ganhando por onde passa e chega aqui como uma das poucas certezas do Oscar.

(e quem deveria é!)Christian Bale (“O Vencedor”) – Bale talvez não precisasse de nada mais que a primeira sequencia do filme para ganhar qualquer Oscar ou prêmio que concorresse esse ano.

Melhor Ator

(And the Oscar goes to!) Collin Firth (“O Discurso do Rei”) – junto dos prêmios de Bale e Portman, são as únicas certezas do Oscar desse ano.

(e quem deveria é!) Collin Firth (“O Discurso do Rei”) – é impossível não se apaixonar pela força e disposição com que Firth se coloca por trás desse personagem.

Melhor Roteiro Original

(And the Oscar goes to!) “O Discurso do Rei” – o único modo de manter “O Discurso do Rei” vivo até os últimos momentos da noite é com essa premiação, do contrário todos terão certeza do final.

(e quem deveria é!) “A Origem” – toda estrutura, toda idéia, toda coragem, tudo que mais impressiona em “A Origem” nasce, justamente, da força do roteiro de Christopher Nolan, que não tem medo de fazer um filme de ação, cheio de camadas, surpresas e um final que se tornou a coisa mais discutida do ano no cinema.

Melhor Roteiro Adaptado

(And the Oscar goes to!) “A Rede Social” – a Academia não conseguiria ignorar o trabalho de Aaron Sorkin de conseguir fazer aquela história fazer sentido como um filme.

(e quem deveria é!) “A Rede Social” – por ser simplesmente impressionante no controle dos diálogos, dos vai e vens da história, do objetivo final, de seus personagens e da vontade de contar aquela história.

Melhor Direção

(And the Oscar goes to!) Tom Hooper (“O Discurso do Rei”) – nesse momento todos olham para trás, contam quantos prêmios tem cada filme e a conclusão é que, mesmo com todo esforço, “A Rede Social” ficou a ver o filme desse mesmo Tom Hooper, que também ganhou o prêmio do Sindicato, levar o Oscar que fecha a conta.

(e quem deveria é!) David Fincher (“A Rede Social”) – ainda que a ausencia de Christopher Nolan precise ser lembrada, Fincher merecia o Oscar por ter feito o mais difícil: criar um filme emocionante e cativante a partir de uma história que ninguém pudesse acreditar que resultasse em algo com essas caraterísticas. Diferente de Hooper, Fincher é ousado e exala uma vontade de ser diferente da maioria ao invés de, simplesmente contar uma história.

Melhor Filme

(And the Oscar goes to!) “O Discurso do Rei” – não só por (como é usual) ter mais estatuetas que os outros (o que ajuda), mas por ser um filme pasteurizado e acomodado dentro de sua história, com um índice de rejeição baixo, e facilmente apaixonável (além de ser baseado em fatos reais, coisa que a Academia adora)

(e quem deveria é!) “A Rede Social” – pelas mesmas razões que David Fincher deveria ter ganho, ainda mais pela sua contemporaniedade (por estar contando uma história que não acabou ainda, o que é corajoso) e essa vontade de esmiuçar um personagem doa a quem doer. “O Discurso do Rei” leva a maior premiação do ano, mas com certeza qualquer um dos outros nove indicados tem mais chances de serem lembrados pela história do cinema.

Números Finais:

“O Discurso do Rei” – 6 Oscars (mas deveria acabar a noite com 3)

“A Rede Social” – 3 Oscars (mas deveria acabar a noite com 6)

“A Origem” – 4 Oscars (mas deveria acabar a noite com 2)

“Toy Story 3” – 1 Oscar (mas deveria acabar a noite com 3)

“Bravura Indômita” – Nenhum Oscar (mas deveria acabar a noite com 2)

“O Vencedor” – 2 Oscars (mas deveria acabar a noite com 1)

“Cisne Negro” – 1 Oscar (mas deveria acabar a noite com 1)