Os Perdedores

Seria muito otimismo achar que nessa corrida dos estúdios atrás de quadrinhos para virarem filmes, mais dia ou menos dia, esses mesmos não estragassem meia dúzia de boas histórias na pressa de botar essas produções na rua. Os Perdedores é, sem sombra perdedores-posterde dúvida, um desses exemplos.

Criados em 2003 para o selo Vertigo da DC Comics por Andy Diggle, Os Perdedores são um grupo de algum tipo de força especial secreta, daquelas que fazem o trabalho sujo, que, ao serem traídos e deixados para morrer por seu contratante, Max, resolvem então comprar um briga contra o próprio, com isso incluído algumas “instituições” dos Estados Unidos, como a CIA, no mesmo pacote. No Brasil, a Pannini Comics lançou o primeiro encadernado, justamente o que, tomando as devidas proporções, foi adaptado pelo cinema.

“Tomando as devidas proporções” por que, por mais que seja impossível não enxergar toda trama da história no filme, é mais difícil ainda de entender como o resultado acabou sendo tão fraco em relação ao seu original. Os Perdedores é um daqueles gibis que extrapolam suas páginas e mais parecem, exatamente, um grande filme de ação, cheio de personagens bacanas, explosões, reviravoltas, sequencias gigantescas e mais algumas explosões. Como um blockbuster preso dentro daquelas páginas, melhor ainda, um que ainda se esforça para sair dessas. O problema é que a dupla de roteiristas Peter Berg (diretor de O Reino e Hancock) e Paul Vanderbilt (que escreveu o fraco Bem Vindo à Selva, que Berg também dirigiu) parecem não ter percebido isso, ou pior, talvez até tenham se esforçado para fazer da ideia original um ponto de partida, e não um ponto de chegada.

É lógico que são mídias diferentes e que devem ser enxergadas de maneira diferente, mas quando tudo está tão pronto quanto nos quadrinhos de Digle e do desenhista Jock, talvez o melhor fosse só arrumar um jeito de levar tudo aquilo para a tela, e não só as sequencias de ação. A impressão que se tem é que o filme dirigido por Sylvain White não consegue manter o ritmo da HQ, principalmente por, a todo momento, se sentir obrigado a entregar ao seu espectador um resultado que, se não é politicamente correto demais, se esforça para pelo menos ser apenas mais um filme de ação corriqueiro. Daqueles onde uma presença feminina precisa necessariamente ter um caso com alguém, ou o vilão não pode ser simplesmente uma voz em um telefone, assim como um grupo de militares treinados, e vilões vindos da “mesma escola”, acabassem tão preocupados com o bem estar alheio, já que, praticamente durante todo filme pouquíssimos figurantes são, sequer, feridos.

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Não que Os Perdedores não tenha violência e que o contrário fosse fazer bem para o filme, o problema é que quando nada mais empolga, um pouco dela sempre vem a calhar em filmes de ação. Na verdade, existem até quatro ou cinco grande sequencias que a direção de White consegue fazer com estilo (justamente por que fica claro que ele usou as próprias páginas dos quadrinho como storyboard para a maioria delas), o problema, é que entre elas o espectador é obrigado a se arrastar por uma estrutura chata, que fica apenas balançando entre o grupo de protagonistas e o do vilão, de modo reto e sem ritmo. Como uma obrigação narrativa de mostrar os dois lados um par de vezes para ver o que eles estão fazendo antes de entrar na ação. Em nenhum momento nada acontece de modo simultâneo, como se o roteiro não conseguisse fazer ambos acontecerem de modo mais interessante, chateando profundamente quem só quer passar por eles para ver as sequencias de ação. Assim como não dando material suficiente para ninguém achar que “toda aquela conspiração” possa valer a pena de ser acompanhada.

Os Perdedores tinha tudo para ser um filme de ação cheio de adrenalina, simples e objetivo, pouco preocupado com um fio condutor coerente, apenas apontando suas armas (ou seu dinheiro) para um monte de explosões, música alta, personagens engraçadinhos e tiros (como nos quadrinhos, ainda que sem a trilha), mas ao resolver revolucionar algo que já estava pronto, dá com a cara na parede e deixa mais uma ótima série de histórias não ter a adaptação merecedora nas telas.


The Losers (EUA, 2010), escrito por Peter Berg e James Vanderbilt, a partir das histórias em qadrinhos de Andy Diggle, dirigido por Sylvain White, com Jeffrey Dean Morgan, Zoe Saldana, Chris Evans, Idris Elba, Columbus Short, Óscar Jaenada, Jason Patric e Holt McCallany


5 Comments

  1. Oi Mayara… não, o filme não teve uma continuação, principalmente, pois foi um desastre nas bilheterias. Mas se quiser acompanhar mais sobre a história dos personagens, a série de HQs que serviu de inspiração para a série foi até o número 32 (foi lançado nos EUA pela DC/Vertigo e acho que no Brasil só foi publicado o encadernado do primeiro arco).

  2. Uma versão melhor desse filme é Esquadrão Classe-A, o time tem mais envolvimento e a intimidade não parece forçada. Assistam e comprovem. Mas enfim, o filme dá um Sessão da Tarde ok, daquelas que você não tem nada para fazer e fica satisfeito por não estar passando A Lagoa Azul.

  3. A atuação de Chris Evans é sim ótima, mas só isso mesmo. E é isso mesmo, como a trama não é das muito “incríveis” e “inspiradoras”, o filme devia ter mais ação e não deixar o espectador se acalmar na cadeira e refletir sobre a história. Enfim, muito obrigado pelo elogio sobre a crítica. Abraços e volte sempre para discutir suas opiniões, Babu…

  4. Pior critica que já vi, se entendi bem o filme deveria ser só ação do começo ao fim, mas assim criticariam a falta de uma boa história kkk. O filme foi ótimo, não superou a HQ, mas me surpreendeu, principalmente a bela atuação do Chris Evans.

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