Os Nomes das Flores | Um tempo que não passa

Os Nomes das Flores é um filme difícil de ser assistido. Difícil porque dá vontade de dormir. Nada acontece e as cenas e falas são repetidas à exaustão. O ritmo é lento, quase parando.

Mesmo com apenas oitenta minutos, no começo da história entramos em um vórtice do espaço-tempo onde o tempo não passa. Não há uma cena, um quadro sequer, que se torne o motivo de assistir a este filme. Ele é completamente inútil. Um desperdício de energia para quem produziu e para quem irá assistir. Tenho pena dessas pobres almas.

A sua sinopse diz respeito a uma suposta história que conta que nas últimas horas de vida de Ernesto “Che” Guevara, revolucionário famoso por toda América Latina, uma professora teria lhe feito uma sopa e, ao tomá-la, ele retribui declamando uma poesia sobre flores. E morreu. No céu tem sopa?

Brincadeiras à parte, o filme escrito e dirigido por Bahman Tavoosi é uma coleção de momentos a respeito das investigações para averiguar a veracidade desta história conforme se aproximam as comemorações de 50 anos da morte de Che.

Vemos a suposta professora caminhando quase que parando com um vaso de flores e uma tigela de sopa. Seu filho com problemas a acompanha com um retrato dela mesma mais jovem. Ela costuma visitar a escola onde lecionava, mas agora os políticos desta região inóspita e montanhosa da Bolívia decidiram começar a ameaçar prender todos os que tentarem vender aos turistas artefatos relacionados ao guerrilheiro argentino. Um deles vende água santa. A ideia é que existem vários moradores que vivem dessas lorotas.

O tom com que o filme narra a aventura dos 50 anos da morte de Che é como se fosse um conto, sem muitos detalhes verossímeis e apenas sensações sutis do ambiente. Não é o tom que incomoda, mas o ritmo. Ele é lento, pois a cada momento não nos diz nada. E quando avança, se mistura com tantas cenas inúteis que quase não vemos o tempo passar. E quando algo de fato acontece, já perdemos o interesse. Eu só queria saber quando o filme acaba.

Detalhes que poderiam enriquecer um pouco a atmofesta são omitidos. Por exemplo, Che Guerava, além de médico e guerrilheiro, era também poeta, um detalhe que resgata sentido ao mítico relato de suas últimas horas. Mas nada é dito sobre Che; nem sobre a região. Nos é negada a geografia do local. Não dá para saber se é uma cidade mais ou menos populosa, ou se é de fato uma cidade. Com planos fechados sem localizarmos os lugares-chave que são mostrados, vemos dezenas de cadeiras sendo organizadas para as festividades, como a exibição de filmes de comemoração. E o próprio filme que os convidados assistem, visto em dois momentos do longa, possui a mesma cena. A mesma cena.

Este é um filme realmente disposto a induzir coma nos seus espectadores.

A caminhada da professora é vista pelo menos três vezes do mesmo ângulo. O diretor, que homenageia a mãe com este filme, quer defender um ponto de vista sobre a suposta professora que fez parte do relato, mas não tem as mínimas condições de fazê-lo, pois não há história a ser contada.

O resultado acaba sendo o oposto: ficamos com raiva da passividade inerente ao filme. E talvez seja isso o que ele quer dizer: não temos paciência com os que não se defendem. Vai saber.


“The Names of the Flowers” (Bol/Qat/Can, 2019), escrito e dirigido por Bahman Tavoosi, com Susana Condori, Bárbara Cameo de Flores e Fermina Torrez de Morales.


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