Os Meninos que Enganavam Nazistas | Porque a vida continua durante a guerra

Os Meninos que Enganavam Nazistas Filme

Em meio ao caos, violência, desespero e estupidez das guerras, a vida continua. Casais se apaixonam, bebês nascem, crianças amadurecem. É o caso de Joseph Joffo (Dorian Le Clech) e de seu irmão mais velho Maurice (Batyste Fleurial), dois garotos que se separam dos irmãos adultos e dos pais para tentar encontrar refúgio na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Os Meninos que Enfrentavam Nazistas, assim, se mostra um filme despretensioso e pouco memorável, mas eficiente na maneira com que transita entre o humor dos garotos e a seriedade exigida pelo assunto.

O diretor Christian Duguay e os roteiristas Jonathan Allouche e Alexandra Geismar (com base no livro homônimo do verdadeiro Joseph Josso, que aqui traz sua história para o cinema) acertam ao destacar, ainda no primeiro ato, as pequenas rebeldias do dia a dia contra a perseguição, como esconder a placa anunciando que determinada barbearia é um negócio de judeus ou simplesmente nomear um porco de Hitler. Entretanto, mais adiante, antes de os meninos partirem, o personagem de Patrick Bruel conversa com Joseph e lembra ao menino de que, se sua vida está em risco, esconder-se não é sinal de covardia; muito pelo contrário!

A partir daí, Os Meninos que Enganavam Nazistas se estabelece como um road movie em que, a cada ponto, Joseph e Maurice passam por determinadas situações incômodas, conhecem pessoas, fazem amigos, visitam lugares diferentes, redescobrem suas forças anteriores etc. As partes mais leves não são particularmente envolventes, enquanto aquelas em que Duguay busca acentuar a tensão e o clima da guerra não trazem o peso suficiente disso. O resultado é que, mesmo transitando bem entre os dois caminhos, o longa jamais traz algum senso de perigo real ou mesmo de alguma discussão mais aprofundada sobre a guerra.

Os Meninos que Enganavam Nazistas Crítica

No centro da narrativa, o pequeno Joseph (Le Clech) e Maurice (Fleurial) constroem uma dinâmica entre os irmãos que funciona mais do que erra; demonstrando um verdadeiro e profundo carinho um pelo outro, os garotos fortalecem isso ao longo de suas desventuras pela Europa e de seus planos para esconderem que são judeus. Entretanto, separadamente, Fleurial se sai melhor ¿ especialmente considerando que Le Chech, já não muito expressivo, prende-se no terceiro ato a uma subtrama romântica que não acrescenta nada à obra como um todo.

Da mesma forma, mesmo com pouco tempo de tela, seus pais conseguem estabelecer seus personagens enquanto figuras multidimensionais, mesmo que bastante típicas de outros pais de época no cinema: Roman (Patrick Bruel) é um pai carinhoso e dedicado, mas pronto para tornar-se mais frio se a situação assim o pedir; e Anna, por sua vez, é a mãe carinhosa e que apoia os filhos, mas que, sempre que necessário, demonstra a maneira profunda e carinhosa com que entende as dúvidas e anseios dos meninos.

Funcionando principalmente graças à boa dinâmica entre Joseph e Maurice, Os Meninos que Enganavam Nazistas se acomoda na simplicidade de sua mensagem e, consequentemente, se estabelece como uma obra moderadamente divertida, mas bastante esquecível.


¿Um Sac de Billes¿ (Fra/Can/RCh, 2017), escrito por Jonathan Allouche e Alexandra Geismar, dirigido por Christian Duguay, com Dorian Le Clech, Batyste Fleurial, Patrick Bruel, Elsa Zylberstein, Bernard Campan, Kev Adams e Christian Clavier.


Trailer – Os Meninos que Enganavam Nazistas

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