Os Agentes do Destino

Os Agentes do Destino

Mesmo com alguns deslizes, Os Agentes do Destino é um daqueles filmes que podem se considerar corajosos no sentido da inquietação de não permanecerem estático diante de um gênero e perceber o quanto esse tipo de rótulo só serve para separar os lançamentos nas locadoras.

Se, por definição, o filme de estreia de George Nolfi (que vem de uma carreira de roteiros bacanas como do Ultimato Bourne e 12 Homens e um Segredo) pode ser considerado uma ficção científica, não há dúvidas que, sem forçar situação nenhuma, Os Agentes do Destino funciona como um filme sobre amor (se é que algum não seja).

Nele, Matt Damon vive um jovem congressista carismático que está prestes ser eleito senador, só que uma foto comprometedora acaba com suas chances. Mas a grande reviravolta acontece, justamente, poucos momentos antes de realizar seu discurso de derrota, quando conhece a bailarina interpretada por Emily Blunt e se apaixona à primeira vista. Mas o destino tem planos diferentes para o casal, literalmente.

Como em qualquer filme romântico, existe aquele “fator X” que fará de tudo para impedir que os dois “vivam felizes para sempre”, e nesse caso, entra em cena esses tais Agentes do Destino, um misterioso grupo de observadores à La “Asas do Desejo”, que monitoram o mundo e, vez ou outra, fazem com que as engrenagens girem na direção correta. Revelados ao protagonista por acidente, ele então tem que lutar contra eles para ter o direito de ficar com seu grande amor.

É claro que o roteiro, que é do próprio Nolfi, nem precisa se esforçar muito para que o cinema todo embarque nessa história, já que o mistério da situação e a curiosidade de onde tudo aquilo pode chegar faz isso por ele (ainda mais quando a dupla de atores convence demais e o amor entre eles acaba segurando totalmente a idéia), mas Os Agentes do Destino acaba se tornando mais interessante quando se deixa levar pela mente imaginativa de Phillip K. Dick, autor original do conto.

Ainda que, do conto original sobre pouco, é no momento em que o roteiro de Nolfi se mostra decidido a contar uma história que não está na tela que seu filme mais funciona. Dick, que é o autor que deu origem a Blade Runner e O Homem Duplo, sempre extrapolou essa vontade de contar histórias que transparecem uma idéia muito maior, e aqui, Nolfi parece entender exatamente isso e escolhe acompanhar esse personagem que descobre que o destino está escrito, mas não por ele. Que o resultado não é aquele que ele espera, por isso escolhe então enfrentá-lo custe o que custar.

Por vezes, Os Agentes do DestinoOs Agentes do Destino Still diverte com essa perseguição metafórica, onde o personagem de Damon é obrigado a driblar a casualidade e coincidências (que na verdade se mostram peças de jogo de xadrez celestial) e lutar por seu livre arbítrio, mesmo depois de descobrir que ele não vale nada. De certo modo então, acaba se tornando um romance quântico, onde os dois precisam lutar contra uma espécie de Efeito Borboleta que faz de tudo para impedi-los de acabarem juntos.

Por outro lado, Os Agente do Destino acaba criando expectativa demais e, ao final, não se deixa ser levado por conclusões mais criativas, pior ainda, em momentos de pouca sensibilidade narrativa mastiga demais todos mistérios e deixa pouco para ser saboreado depois do fim. Bem diferente de seu primo alemão (citado no terceiro parágrafo) Os Agentes do Destino perde força demais ao decidir explicar muito coisa que seria mais interessante se ficasse à margem da explicação, na mente do espectador e na saído do cinema. Não percebendo que ao recorrer à soluções comuns como “almas gêmeas”, “chapéus que limitam poderes” e mais um punhado de geringonças narrativas, impede que seu resultado extrapole uma história que, talvez, se sentisse muito mais confortável mantendo um pouco mais aquele primeiro mistério que serviu de isca para o espectador.

Mas, mesmo assim, Os Agentes do Destino se salva por funcionar tanto como uma história de amor, quanto como uma ficção científica (com um jeitão retro, meio Além da Imaginação), quase um conto rápido, que não cansa e, pelo menos, faz com que, mesmo que por um segundo apenas, o público pense até onde vale a pena simplesmente esperar sentado enquanto o destino escreve seu roteiro.


Adjustmen Bureau (EUA, 2011), escrito e dirigido por Cory Goodma, a partir de um conto de Philip K. Dick, com Matt Damon, Emily Blunt, Michael Kelly, Anthont Mackie, John Slattery e Terence Stamp


4 Comments

  1. O Filme é bom e concordo com a crítica. Não quer forçar a história para um romance, trata-se de escolhas isso sim. Escolher quem ele gosta, escolher se vai continuar sua escalada rumo ao máximo poder político. As cenas românticas são poucas e até discretas. Admito que forçaram um amor predestinado, mas, aí, o conto de Philip K. Dick e todo o filme é forçar a barra, pois, dentro da história, a maioria das coisas são predestinadas. Diga-se de passagem, a morte do pai e do irmão de Norris. E até para o romance há explicação, pois ela “preenche o vácuo da existência” de Norris e que ele “cobre com votos e aplausos”. E “há outras mulheres no mundo, esta você não pode ficar” Mas, qualquer pessoa preenche outra? E em Gattaca, Dark City e Tropas Estelares não há romance, por acaso? Ficção-científica não é realidade, por isso se chama ficção-científica! Mesmo tendo embasamento e compromissos teóricos, é “viajar na maionese”. Um ponto negativo que eu achei foi o fato dela ser importante para o discurso dele após a derrota, isso ficou forçado, bem como, ela estar no banheiro masculino. Daniel Brasil

  2. Um bom filme. Faz abrir uma reflexão sobre o tema central – Destrino predefinido – onde o autor de uma forma bem delicada trata do assunto nos colocando em dúvida se realmente temos ou não uma história a seguir.

  3. Muito chato. Aquela cena do Matt Damon correndo de chapéu é ridícula. Filminho de amor com Deus e os anjinhos.

  4. Adorei porque é dos q mais gosto. Este filme acaba para a galeria dos filmes mais interessantes de assiste por que inspira vc a ver uma das realidades q acontece todos os dias ao nosso redor.

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