Onde foi parar aquela estrela?

Assim que eu coloquei a crítica de Os Vingadores no ar recebi uma ligação do irmão de minha namorada, “Se você gostou tanto assim do filme (o que quer dizer que ele leu o texto, e só isso já me deixou feliz) por que você não deu 5 estrelas?”, minha resposta foi imediata, afinal ele tem 10 anos e se eu demorasse muito mais que um segundo ele partiria para outro assunto (esses jovens sem paciência!): “Por que eu gostei, mas nem tanto assim!”.

É verdade, minha resposta foi ridícula e vazia, entretanto, ainda demorei algumas horas pensando na indagação dele para chegar perto de uma resposta, que talvez seja, “Os Vingadores não merecem cinco estrelas”. É, ela continua vazia, mas vamos a alguns fatos.

Chegando quase ao sexto mês do ano, apenas seis filmes (dos que foram lançados esse ano no Brasil) foram agraciados (por mim) com essa nota máxima: Os Descendentes, O Artista, Drive, Shame, A Separação e Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, e ai talvez esteja a primeira parte dessa resposta, “Os Maiores Heróis da Terra” não poderiam estar em um clube tão fechado como esse, por mais divertido, empolgante e lapidado que ele seja.

Para estar ai é necessário algo mais, algo que extrapole qualquer experiência meramente carregada por um quilo de pipoca e um refrigerante. Um clube onde se tem algo para falar, para mostrar, como se o limite daquela tela ficasse pequeno diante de seus propósitos. Como se cada um desses seis (e que espero que aumentem para um número bem maior até o final do ano) tentasse ser algo mais que só cinema.

Seja por meio da experiência técnica e estética de O Artista, tentando levar o espectador de volta a uma época, ou do inconformismo narrativo de David Fincher ao adaptar o Best Seller sueco, extrapolando toda e qualquer referência. Ou do estudo de personagem que Drive e Shame permitem, da sensibilidade com que Os Descendentes dialoga com assuntos tão sensíveis (sem perder um certo bom humor), ou, finalmente, da coragem e maturidade narrativa do iraniano A Separação.

Talvez seja então preciso deixar um gosto a mais na boca ao final da sessão para ganhar essa última estrela.

Não só isso, mas ainda é preciso uma união virtuosa entre o “modo e a forma”, já que de boas intenções e história emocionantes o cinema mundial está cheio (assim como o inferno). Por meio ponto, Heleno não entrou nesse clube, já que, mesmo diante do extraordinário trabalho técnico do diretor e de sua equipe, assim como da performance inesquecível de Rodrigo Santoro, o filme carece enormemente de qualquer outro ponto para se celebrar no resto do elenco pífio e desinteressante.

Do mesmo jeito, o thriller A Perseguição, mesmo sendo simples, sem atuações muito razoáveis nem um trabalho impressionante tecnicamente, fica a meia estrela do auge, justamente, por ter aquela vontade de ser mais que só um filme comum.

Em resumo: subjetividade. Aquele conceito onde algo só faz sentido na cabeça de uma pessoa, e por isso, precisa ser respeitado. E talvez seja pior ainda tentar entender e pragmatizar essa “graduação estelar” que tanto persegue as críticas de cinema, talvez o melhor seja ler o texto, não como um guia, mas sim como uma opinião. Não como uma verdade, já que essa precisa vir do leitor, não desse “cara chato que só gosta de filme ruim!”.

Por isso, aquelas estrelas (ou notas) que acompanham cada crítica de filme estão lá como um complemento, não como o ponto principal daquele texto, não para tornar ninguém refém dessa pontuação. Seja no CinemAqui ou em qualquer site, revista ou jornal, se mesmo depois que você ler a crítica aquela quantidade de estrelas não parecer condizer com o que está escrito, não se preocupe, como eu disse isso, tudo é subjetivo e, talvez, não faça sentido para você, mas deve fazer um monte de sentido para muita gente.

E se depois de tudo isso você leitor (ou meu pequeno cunhado) ainda não entendeu por que eu dei quatro estrelas para Os Vingadores, bom, talvez seja exatamente por isso, por que se ele merecesse eu não precisaria dessas linhas todas, já que ninguém veio reclamar de um daqueles seis filmes terem ficado com todas as estrelas que faltam no resto.

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