O Último Virgem | Prefere ser o primeiro besteirol brasileiro

O Último Virgem Filme

A primeira vez, o final do ensino médio, a pressão dos colegas¿ Assuntos clichês, tudo bem, mas parte da vida de todos nós, não é? Há uma infinidade de abordagens novas para esses temas, mas O Último Virgem prefere se estabelecer como ¿o primeiro besteirol brasileiro¿ do que realmente contar uma história minimamente interessante.

Dudu (Guilherme Prates) é um garoto tímido que, prestes a terminar o ensino médio, ainda é virgem. Isso o torna alvo constante das piadas de seus melhores amigos, Escova (Lipy Adler), Borges (Éverlley Santos) e Gonzo (Christian Villegas). Quando a bela professora Débora (Fiorella Mattheis) chama Dudu para ¿estudar em sua casa¿ após o final do ano letivo, os jovens imediatamente acreditam que a tal sessão de estudos significa outra coisa. Com isso, Dudu torna-se ainda mais inseguro com sua inexperiência sexual, levando o grupo a se meter em encrencas e confusões na tentativa de ensiná-lo alguma coisa.

O fracasso dessas lições emergenciais deve-se em grande parte ao fato de que, apesar de terem vidas sexuais ativas, Escola, Borges e Gonzo não entendem nada sobre relacionamentos, mulheres ou o corpo feminino. Obviamente, isso não é nada explorado pelo roteiro escrito a quatro mãos pelo próprio Lipy Adler e por L.G. Bayão (cujos conhecimentos não parecem muito mais extensos do que os de seus personagens: para que um bando de adolescentes precisaria de Viagra para transar?).

Obviamente ¿inspirado¿ (para dizer o mínimo) em ¿American Pie¿, O Último Virgem copia os piores problemas da franquia iniciada em 1999, apresentando-nos a um grupo de personagens que são clichês ambulantes. Temos, assim, o ¿garanhão descolado¿ (muitas aspas aí), o hippie good vibes que fuma maconha, o gordo engraçado, a professora sexy, as garotas viciadas em sexo¿ Tudo isso sem o mínimo de irreverência ou acidez, pois outro dos mais imperdoáveis problemas desta produção é o fato de ser tão sem graça.

Adler, aliás, obviamente tenta fazer de seu personagem o mais divertido do filme, algo em que falha espetacularmente. Enquanto roteirista, entretanto, é perceptível o quanto ele mantém (aquelas que acredita serem) as melhores falas e momentos para si mesmo, sem dar material algum para seus colegas. Com isso, Borges e Gonzo não têm absolutamente nada a fazer¿ Mas, bem, isso talvez tenha sido um gesto altruísta por parte de Adler.

Guilherme Prates, ao menos, obviamente está se esforçando para criar um personagem minimamente carismático ¿ e em um filme melhor, ele provavelmente conseguiria. Ele faz a timidez e a personalidade de Dudu parecem sinceros, e não meras caricaturas. O mesmo não pode ser dito das personagens femininas de O Último Virgem, entre as quais apenas Júlia (Bia Arantes) recebe os resquícios de um arco próprio. As demais são apenas objetos sexuais, presentes em cena apenas para mostrarem interesse ou desinteresse nos garotos de acordo com as necessidades do roteiro.

O Último Virgem Crítica

Se é surpreendente que esta produção tenha necessitado de duas pessoais por trás de seu roteiro, o mesmo acontece na direção, assinada por Rilson Baco e Felipe Bretas. Os dois não conseguem imprimir ritmo algum à narrativa, que passa de um ponto a outro sem fluidez alguma, nem mesmo dentro de uma mesma cena.

Há alguns meses, tivemos o lançamento de ¿O Caseiro¿, um dos ainda raros longa-metragens brasileiros de terror. Apenas semana passada, a Netflix lançou a primeira série de nosso país a estrear na plataforma, o sci fi ¿3%¿. Foram esforços com mais potencial do que resultados, mas, ainda assim, demonstrações respeitáveis do desejo de nossa indústria audiovisual de manter-se diversificada e de explorar cada vez mais.

O Último Virgem, porém, é uma colcha de retalhos montada de qualquer jeito e que, além de ofender, sequer oferece uma única risada sincera como recompensa ao espectador. Seu humor de garoto adolescente chegou tarde demais para chamar a atenção, ainda que o besteirol em português seja novidade.

As comédias formulaicas da Globo Filmes quase não parecem mais tão ruins¿


O Último Virgem (Brasil, 2016), escrito por Lipy Adler e L.G. Bayão, dirigido por Rilson Baco e Felipe Bretas, com Guilherme Prates, Lipy Adler, Bia Arantes, Éverlley Santos, e Gonzo, Christian Villegas, Fiorella Mattheis, Marco Antônio Gimenez, Márcio Kieling e Lisandra Souto.


Trailer – O Último Virgem

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