O Turista Suicida | Uma pilha de potencial desperdiçado

*o filme faz parte da cobertura da 43° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


O Turista Suicida explora o medo da morte e de perder quem somos e o que estamos dispostos a fazer para ter algum controle sobre nossa vida conforme ela se encaminha para um inevitável final. Até que esquece tudo isso e tenta ser outra coisa, mas nem o próprio filme parece saber o que é essa coisa. O resultado final, portanto, é uma pilha de potencial desperdiçado.

O longa-metragem dinamarquês acompanha Max Isaksen (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones), que acaba de descobrir que tem um tumor inoperável no cérebro. Inevitavelmente, é uma questão de tempo que o tumor acabe alterando o funcionamento de sua mente e que ele deixe de ser quem é Nikolaj Coster-Waldau — o que, naturalmente, o assusta.

Max não consegue conversar muito bem com sua esposa sobre esses medos e, pouco tempo depois, ele comete tentativas falhas de suicídio. Até que ele — que trabalha em uma seguradora — recebe o vídeo do falecido marido de uma cliente, em que o homem anuncia que hospedou-se em um hotel com o objetivo de fazer um suicídio assistido. Max acredita ter achado a solução que procura e parte para o remoto estabelecimento.

O design de produção do hotel é fascinante — localizado em uma região estrategicamente isolada do resto do mundo tanto por montanhas quanto por um extenso lago, o hotel tem proporções tão luxuosas quanto sufocantes, indicando o objetivo da equipe do local de proporcionar uma experiência cuidadosamente construída mas também o fato de que, uma vez lá, é impossível mudar de ideia.

E o design de produção é definitivamente o melhor aspecto do longa, que, apesar de eficaz e de ser centrado em uma performance eficiente de Coster-Waldau (que retrata bem a confusão e o medo de seu personagem), jamais chega próximo da grandeza. Porém, o que até funcionava bem degringola ainda no segundo ato e perde-se completamente no terceiro ato.

Depois de estabelecer o funcionamento do hotel, o diretor Jonas Alexander Arnby e o roteirista Rasmus Birch abandonam completamente o que pareciam estar fazendo até então para adentrar uma trama investigativa que não apenas muda o ritmo de O Turista Suicida, mas que não faz sentido algum. Ao tentar construir um suspense à la Amnésia ou A Origem, em que o que é real e o que é delírio se mesclam na mente do protagonista, o longa apenas se torna um desperdício de sua interessante premissa.


“Selvmordsturisten” (Din/Nor/Ale, 2019), escrito por Rasmus Birch, dirigido por Jonas Alexander Arnby, com Nikolaj Coster-Waldau, Kate Ashfield e Tuva Novotny