O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino | Continuação não é nem sombra do original

A Espada do Destino Filme

Embora pareça ser um simples caça-níqueis, dezesseis anos depois do lançamento da pequena obra-prima de Ang Lee, a produção de O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino possui uma qualidade acima de um “fan film”, e respeita até um certo momento o universo original. Porém, se arrastando em diálogos e expressões sem qualquer trama muito complexa, o filme se torna uma série de pausas até a próxima luta.

A boa notícia é que há algumas lutas que vale a pena ver. Entre as inúmeras, que tentam resgatar diferentes momentos do longa original – como a “dança de pés”, a luta na taverna e uma luta no meio de uma paisagem belíssima – podemos encontrar aqui e ali alguns momentos interessantes, mas nunca empolgantes. Não há muito o que se empolgar com os fracos e monossilábicos personagens, que não possuem nenhuma história ou passado que valham alguma coisa senão a repetição de dramas – mais uma vez – vistos no original.

E se no caso de O Tigre e o Dragão o objetivo era muito mais eternizar os estilos de lutas de artes marciais em um universo onde as pinturas seculares dessa arte fossem levadas ao pé da letra, para isso criando obviamente cenas e sequências de tirar o fôlego, no caso da produção da Netflix, apesar de boa qualidade, há um quê de demonstrar avanços nos efeitos digitais, que como em todo o filme que se esbalda neles, mais uma vez passa vergonha com construções obviamente artificiais, como vilas, montanhas impossivelmente altas e uma pista no gelo naturalmente composta por uma fina camada de neve para que os espadachins pudessem realizar seus malabarismos.

Além disso, a direção de Wood-Ping Yuen é burocrática, e parece querer transformar cada mudança de cena em um episódio para uma série de TV. Parecendo estar se gabando das construções computadorizadas que carecem de realismo, Wood-Ping faz travelings verticais à exaustão. Para “harmonizar”, uma trilha sonora solene a ponto de dar sono no meio de uma luta faz um acompanhamento nada nobre às sequências engessadas da trama.

A Espada do Destino Crítica

E se falta alma ao projeto, não importa o quão bem executada é uma luta. Se seu objetivo é apenas narrar um pequeno conto sobre um imperador sanguinário que deseja roubar uma espada lendária, além de no processo também narrar uma pequena lenda envolvendo bebês trocados, todas as cenas de ação parecem descartáveis e desnecessariamente longas. Nunca há o bom senso dos personagens, e todos eles possuem habilidades sobrenaturais e não parecem fazer questão de torná-las críveis; apenas bonitas.

E bonito por bonito, vale mais a pena rever o conteúdo original, também disponível na Netflix. Lá cada luta possui sua razão de ser, e o objetivo dos mestres não é se gabar de seu conhecimento em lutas marciais, mas utilizá-las com a mais alta sabedoria. Infelizmente, os mestres de A Espada do Destino parecem ter sido contratados pelo Circo de Soleil.


“Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny” (China/USA, 2016), escrito por John Fusco, Wang Du Lu, dirigido por Woo-Ping Yuen, com Donnie Yen, Michelle Yeoh, Harry Shum Jr., Natasha Liu Bordizzo, Jason Scott Lee


Trailer – O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino

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