O Protetor Filme

O Protetor

Passaram-se 13 anos desde que Antoine Fuqua e Denzel Washington estiveram juntos em Dia de Treinamento. Para o diretor um tempo em que ele descobriu o quanto o cinema pode funcionar de modoO Protetor Poster comum e descartável. Por outro lado, Washington se tornou uma estrela maior ainda em Hollywood. A boa notícia é que O Protetor não só refaz essa parceria como faz esse tempo todo separados valer a pena.

O curioso, além da dupla se encontrar em momentos tão distintos, é o quanto os dois filmes tem propostas diferentes. Diferente do dúbio e anti-heroico Dia de Treinamento, O Protetor é apenas sobre um herói, um cara que resolveu fazer o que era certo doa a quem doer. É verdade que o cara em questão tem treinamento em algum “black ops” da CIA em seu currículo, mas durante boa parte do filme o espectador é levado a crer nesse cidadão comum. E é ele que conquista a todos no cinema.

É claro que que os poucos que se lembrarem da série oitentista na qual o filme foi inspirado (The Equalizer) sabem bem do passado do personagem, mas ainda assim um trabalho interessante do roteirista Richard Wenk segura esse mistério. E melhor ainda, quando o mostra é em doses homeopáticas que deixam mais coisas para o espectador ligar do que para simplesmente ser apresentado em um dialogo expositivo qualquer. E com Fuqua conseguindo entrar no mesmo ritmo, o resultado é um filme que cresce ao invés de se apoiar em picos dramáticos.

Por isso que quando o Robert McCall de Denzel Washington entra naquela sala cheia de bandidos russos para “comprar” a liberdade da prostituta vivida por Chloe Grace Moretz, é aquele cara comum que o faz, e quando 19 segundos depois ele aniquilou todos presentes sobra ao espectador tentar encaixar esse novo personagem dentro daquele que tinha sido apresentado com tanta calma, leveza e profundidade. É o monstro enjaulado que surge no lugar do animal de estimação.

Um monstro que depois disso toma conta do filme enquanto lida com a represália dos tais russos, mas que o espectador já está acostumado e à vontade. Principalmente por conseguir enxergar a dor e o desespero do personagem ao ter que deixar esse lado selvagem livre novamente.

O Protetor Filme

Fuqua então parece não só deixar de lado todos seus filmes de ação bobinhos dos últimos anos (como Invasão à Casa Branca e O Atirador), como apostar em um clima muito mais interessante. Um que tanto sabe para onde apontar a câmera na calmaria e nos personagens, quanto quando precisar chacoalhar o clima. Um trabalho eficiente que consegue enxergar as necessidades de seu filme.

É lógico que diante da premissa não muito surpreendente, essa economia do diretor cai como uma luva, e melhor ainda, acaba valorizando o trabalho de Washington, que precisa de pouco para que seu personagem seja incrivelmente interessante. O ator então aposta em um grande pedaço de gelo onde ele pode moldar esse cara que parece não deixar nem uma gota de suor escorrer sem ser para eliminar algum bandido.

E é esse “Charles Bronson Mode” que talvez seja o mais divertido de O Protetor, já que Fuqua e o roteiro de Wenk não se preocupam em cair no clichê de enfraquecer o personagem para valorizar uma ou outra cena de ação. McCall está sempre um passo a frente até do mais perigoso dos bandidos, e todo e qualquer amante de “brucutus vigilantes” vai delirar com isso.

Talvez 13 anos atrás o mundo precisasse de um anti-herói sem escrúpulos para maltratar um mocinho e “ganhar” uma lição no final. Dessa vez, em um mundo cheio de heróis carregados por suas emoções, um cara que só quer fazer a coisa certa é um alívio para quem sentia falta de um pouco de testosterona.


“The Equalizer” (EUA, 2014), escrito por Richard Wenk e baseado na série de TV de Michael Sloan e Richard Lindheim, dirigido por Antoine Fuqua, com Denzel Washington, Marton Csokas, Chloe Grace Moretz, David Harbour, Bill Pullman e Melissa Leo.


Trailer do filme “O Protetor”