O Incrível Hulk

O Incrível Hulk Filme

Esqueçam o Hulk de Ang Lee, introspectivo, cheio de problemas com o pai, com uma composição de cena artesanal e uma montagem com cara de gibi. O Gigante Esmeralda agora pertence ao francês Luis Leterrier e ao astro Edward Norton. E ele esmaga em O Incrível Hulk.

Esse segundo passo da Marvel Studios então segue O Homem de Ferro (primeiro passo) no quesito mais importante: na diversão. E podem agradecer aos dois digníssimos senhores citados logo acima.

O primeiro, Leterrier (que vem de filmes de ação acéfalos como O Transportador e Cão de Briga), resolve o grande problema de Ang Lee na produção de 2002: a ação. O segundo, Norton, conhecido por produções sérias como A Outra História americana e Clube da Luta resolveu um outro problema da mesma versão: uma história que respeitasse toda mítica do personagem, que, com certeza, extrapola as páginas dos quadrinhos.

O roteiro, na verdade, pertence (pelo menos na teoria) ao nerd de plantão Zack Penn, que tem seu nome atrelado às tramas das adaptações dos dois X-Men, do Quarteto Fantastico e ainda da ninja Elektra. Mas, mesmo sem ser creditado, a lenda de que Norton, fã assumido do personagem, não só deu pitacos no roteiro, como supostamente rescreveu-o, parece não ser tão lendária assim. O importante mesmo é que, reescrevendo-o ou não, o astro de Hollywood deu ao personagem a cara e a profundidade que ele precisava.

Nada de uma trama cheia de nuances, e muito menos de ter que conviver com a versão anterior, passa-se uma borracha sobre esse passado recente e, habilmente, se conta um novo início para o personagem antes mesmo do filme começar. Enquanto os créditos iniciais ainda estão aparecendo na tela, você já fica sabendo da experiência com raios gama que deu errado, da culpa que um novo General “Thunderbolt” Ross, agora na pele de Willian Hurt, coloca nas costas de Banner, por ferir sua filha Betty (agora Liv Tyler), isso, além da visão de “arma” que o militar enxerga na figura do gigante esmeralda.

Banner volta a ser o fugitivo dos quadrinhos, e da série setentista, que tem que controlar sua raiva (para isso até arrisca um Jiu-Jitsu nas favelas do Rio de Janeiro). Um personagem que não pode se aproximar de ninguém, pois não sabe quando seu “monstro-interior” pode voltar a dar as caras. Do outro lado, um General Ross que pretende capturá-lo a qualquer custo, e para isso conta com a ajuda de Emil Blonsky (Tim Roth em mais uma ótima aquisição do elenco), militar extremamente bem treinado que acaba fazendo qualquer coisa para acabar com a criatura, até se transformar em uma outra, o Abominável.

E é com essa trama concisa, simples e eficiente, que o roteiro de Norton e Penn, fazem a festa e não economizam diálogos para desenvolver os personagens e suas motivações. E se alguma coisa estiver ficando chata, é só o General Ross encurralar Banner em algum lugar e deixar Leterrier fazer o que sabe de melhor: ação.

O Incrível Hulk Filme

Lógico que o diretor não acerta só nas cenas de ação, mas claramente só tenta expor suas qualidades nelas, no resto do tempo, só parece se preocupar em dar uma cara meia quadrada, com composições centralizadas, deixando espaço para as interpretações do ótimo elenco. Mas quando o assunto é ação, acerta em cheio, tanto nas perseguições como nas brigas do monstro verde, que mais do que nunca parece ser uma força da natureza, que só quer ficar em paz, não se abalando muito com nada a sua volta, como se sempre tentasse se defender, de um jeito agressivo é verdade, mas sempre condizente com o que a trama tenta mostrar.

O diretor ainda não deixa nada confuso, seja no quebra pau entre os dois monstros seja em uma ação mais próxima, com tudo sempre claro, em um deleite visual para quem vê o filme. E esse visual impactante é um resultado claro da preparação de cada um dentro da trama. Como todas sequencia de ação são muito bem estruturadas e posicionadas dentro da narrativa. Nada parece estar fora da história e do lugar.

É lógico que tudo isso só seria possível graças ao ótimo trabalho digital no personagem e da Marvel, que parece primar sempre pela semelhança visual entre seus quadrinhos e suas adaptações. Seu Hulk ganha em tamanho e em um visual muito menos plastificado e limpinho do filme anterior. Uma mudança que agradará o público mas deixará os fãs muito mais à vontade.

E falando em semelhanças com quadrinhos e uma história estruturada, O Incrível Hulk tem outra coisa em comum com O Homem de Ferro, esse já confirmado plano de levar os maiores heróis da editora para o cinema em Os Vingadores. A prova disso estão espalhando por todo filme, assim como fez com o herói de metal. O tal soro de supersoldado, tomado por Blonski nada mas é que o resultado da experiência que criou um certo Capitão América, que ainda dá uma sopa de suas habilidades na pele do mesmo personagem quando enfrente o Hulk antes de se transformar no Abominável. Os fãs mais observadores ainda vão se deliciar com inúmeras outras citações a inimigos e situações (com o tema da famosa série de TV, assim como ainda uma participação dos dois protagonistas dela).

Mas no final da contas, O Incrível Hulk é uma ótima oportunidade de dar um fôlego real a um personagem extremamente bacana, com muito pano para a manga e história suficiente para incontáveis continuações respeitosas e divertidas como essa. Se não só por isso, vale mais ainda para ver o Gigante Esmeralda com os braços levantados gritando “HULK ESMAGA”.


The Incredible Hulk (EUA,2008) escrito por Zack Penn, dirigido por Luis Leterrier, com Edward Norton, Liv Tyler, Willian Hurt, Tim Roth


2 Comments

  1. Opa Fabrício. Muito obrigado pelos elogios. Valeu mesmo e tu me fez até ter vontade de reler o texto…. vou lá ver se está realmente bom mesmo kkkkk
    Abraços e espero que tu venha sempre por aqui!

  2. Desculpe o palavrão aqui agora mas… PQP! QUE TEXTO LINDO!
    Tudo o que eu sempre amei nesse filme foi escrito aí e todos os pontos e observações boas que eu ainda não tinha visto tambem. Meus olhos chegaram a ficar marejados aqui. Vinicius, o autor, não é? Meu brother, você está de parabéns!

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